10 de fevereiro de 2010, às 16h03min

Obedecendo ao guru da auto-ajuda

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Imagine-se nessa palestra. O guru estava vestido com um belo terno e uma discreta gravata. À sua frente, a platéia: mais de 4 mil executivos das principais empresas brasileiras e algumas internacionais. O guru guiava a todos com a voz típica de um hipnotizador, lenta e suave:

“Feche os seus olhos. Respire fundo. Imagine como será a sua vida no próximo ano. Agora imagine sua vida daqui a 5 anos. Como você se enxerga? Você é uma pessoa bem sucedida? Está feliz?”

Você, com o seu aguçado senso de autocrítica, permanece estático, de olhos abertos, admirando o espetáculo. Olha para os lados, vê aquela multidão de homens de negócios com os olhos fechados, reféns do guru da auto-ajuda, e não contém o risinho sarcástico que se desenha em seus lábios.
 
Quanto tempo você permaneceria nessa palestra? Eu passei dez minutos - ou menos.
 
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Ênio mandou botar as mãos para cima...
 
O guru da auto-ajuda em questão era o idolatrado “Spencer Johnson, M.D.”, autor de um dos maiores best sellers corporativos de todos os tempos, Quem mexeu no meu queijo?, livreco de 100 páginas impressas em Times New Roman tamanho 17, e com a profundidade de um prato de sopa. Exemplo de um dos preciosos conselhos de Johnson, M.D., pelos quais as pessoas compram seus livros e pagam por suas palestras: “se você não mudar, você morrerá”. Céus! Isso chega a ser pior que a baboseira cósmica de O Segredo, outra pérola da auto-ajuda.
 
Como nos sujeitamos a esse tipo de engodo?
 
Sou um verdadeiro gato escaldado no assunto. Acredite em mim. Perdi a conta de quantas palestras já assisti. Nas primeiras, entrava no clima. Se o palestrante mandasse abraçar o ilustre desconhecido ao lado, eu abraçava. Se o cara falasse “levantem as mãos e gritem ‘eu sou um vencedor’”, eu obedecia, levantava os braços e repetia a ladainha. No final, ainda comprava as fitas de vídeo com a mesma palestra, para não esquecer jamais os ensinamentos aprendidos naquele dia. Não me levem a mal, eu tinha catorze anos nessa época...

À medida que o tempo passa e nos aprofundamos em nossos temas de interesse, inevitavelmente, ficamos mais exigentes. Ou isso ocorre ou não estamos nos dedicando o suficiente. A palavra-chave desse processo é aprofundar. Devemos nos permitir mergulhar mais fundo nas águas do conhecimento. É como requintar o paladar. Não dá para comparar fast food com alta gastronomia.

De qualquer forma, o fato é que muita gente acredita - e investe - em livros e palestras do gênero. Se assim não o fosse, a auto-ajuda não seria um dos filões mais rentáveis da indústria livreira, nem os eventos empresariais contariam com tantos gurus como Spencer Johnson & companhia.

Enfim, gostaria de saber o que vocês acham desse assunto, como se comportam em palestras do gênero, se apreciam, acreditam - ou se sou só eu o complicado...


Leitura recomendada

Rodolfo Araújo escreveu um dos artigos mais originais e contundentes sobre esse tipo de literatura, batizado criativamente de Auto-ajuda ou auto-atrapalha?. Ele resume a falácia dos livros a uma única lição: sucesso é uma questão de vontade e genialidade. Depois de ler o livro de auto-ajuda você resolve a questão da vontade, porque aí passa a querer ser um sucesso. Mas, se depois disso você não vira um sucesso, é porque a outra parte da fórmula está errada. É quando você descobre - ou ao menos deveria descobrir - que não é um gênio.

Alvaro Augusto despedaçou o livro de Spencer Johnson no artigo Quem mexeu no meu queijo: uma análise crítica. Além das críticas à obra, o Alvaro alerta os leitores a não levarem tão a sério as letrinhas que acompanham o nome dos autores, como MD, PhD, etc.
 

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Autor

Leandro Vieira é Mestre em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Certificado em Empreendedorismo pela Harvard Business School. Tem MBA em Marketing, pelo Instituto Português de Administração e Marketing (IPAM). Administrador de Empresas pela UFPB e bacharel em Direito pelo UNIPÊ. Foi professor da Escola de Administração da UFRGS. Criador e Editor do Portal www.Administradores.com.br.

Em 2011, recebeu o Prêmio Honra ao Mérito em Administração, categoria Jovem Administrador, outorgado pelo Conselho Federal de Administração

Autor do livro Seu Futuro em Administração (2011), publicado pela Editora Campus/Elsevier

É um dos organizadores do livro Gestão da Mudança: Explorando o Comportamento Organizacional, lançado pela Editora Atlas em 2010.

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Membro do Conselho Editorial da Revista Portuguesa e Brasileira de Gestão, editada pela Fundação Getúlio Vargas (Brasil) e pelo INDEG/ISCTE (Portugal), e da Revista Economia Global e Gestão, do ISCTE (Portugal).

Áreas de interesse: Marketing, Empreendedorismo, Estratégia em Organizações, Gestão de Negócios, Comunidades Virtuais, Ensino a Distância, Criatividade, Liderança, Inovação e aplicação de idéias no âmbito da nova economia.

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que saco, to loco atraz de uma jaqueta dessas
 
Exelente material
 
gostaria de saber quem trabalha em banco que não trabalha sabado e domingo se os três dias ja começa...
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