02 de novembro de 2007, às 14h30min
Os múltiplos cenários do futuro
Na década de 1980, o futurista John Naisbitt escreveu “Megatendências”. Esse best seller mundial ficou famoso por ter feito diversas previsões muito próximas da realidade atual. Há pouco tempo, Naisbitt lançou um novo livro: “Mind Set!”. Esse título original em inglês significa mais ou menos “modelo mental”, mas foi inexplicavelmente traduzido para o português como: “O Líder do Futuro”. Na obra, Naisbitt volta a impressionar pela sua inigualável capacidade de mostrar tendências que estão manifestas nos fatos atuais, mas que ninguém mais consegue ler, associar e compreender. Ele abre o jogo e mostra de forma didática a metodologia simples que usa há muito tempo para conseguir ler nos fatos atuais todo um conjunto de interconexões que levam ao futuro. Nessa imensa teia futurológica que costuma tecer com tanta competência, o autor explica que muitas vezes uma mudança desencadeia outra que poderia, pelo senso comum, ser considerada completamente improvável. Naisbitt contesta na obra as afirmações correntes na mídia de que “tudo está mudando rapidamente” ou de que “a única certeza nos negócios é a mudança”. Ele afirma que a maior parte das mudanças não ocorre no que fazemos, e sim em como fazemos. Dentro de toda essa onda mutante, quanto mais conseguirmos estabelecer diferenças entre o que é constante e o que muda, mais eficácia teremos para reagir aos novos mercados e lucrar com as transformações. Para ilustrar que nem tudo está mudando tão rapidamente, ele aponta o fato de que dos 30 mil novos produtos lançados anualmente no mercado, 90% fracassam. Segundo ele, os consumidores parecem dizer: “Estamos satisfeitos com o que já temos”.
Muitos planejadores têm o pensamento simplista de que o futuro é uma continuação do hoje. Pensam que a ação de planejar consiste em estender para o futuro tudo aquilo que existe hoje. Que tudo pode ser projetado de maneira lógica e linear. Muitos planejadores esquecem que o futuro ainda não está determinado. Esquecem também que ele não costuma andar sobre trilhos. Já o professor Michael Porter, renomado especialista na montagem de estratégias competitivas, recomenda a utilização do conjunto completo de cenários futuros, e não apenas o chamado “futuro oficial” da empresa, aquele que os dirigentes pensam ser o mais provável.
Segundo o futurista Michel Godet: “o futuro não está escrito, está por fazer”. Diante disso, precisamos planejar nossos negócios para minimizar os obstáculos e tentar maximizar as oportunidades. Precisamos estar preparados não apenas para o futuro desejado, mas para os diversos futuros possíveis. Esses cenários futuros só serão verdadeiramente úteis se servirem para embasar as decisões estratégicas que precisamos tomar agora.
Eder Bolson, empresário e professor, autor de “Tchau,Patrão!’ – Editora SENAC.
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Empresário, fundador de cinco empresas e professor universitário. Engenheiro formado pela Universidade Federal de Santa Maria, RS com mestrado pela North Dakota State University dos Estados Unidos. Sua experiência prática empreendedora é interessante e diversificada. É um estudioso do empreendedorismo que sempre estimula as pessoas a planejarem e implantarem seus próprios negócios. É membro brasileiro da World Future Society. É autor do livro “Tchau, Patrão!” - Editora SENAC.
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