18 de março de 2010, às 14h40min

Pais e filhos no complexo empresarial

Os filhos, várias vezes, creem que seus pais estão ultrapassados, sobretudo, no aspecto tecnológico. Parecem se esquecer de que seus pais possuem a estrutura empresarial por mérito próprio. Construíram, na maioria das vezes, tudo o que tem, sem a ajuda dos filhos que, agora, se julgam melhores.

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Como consultor de várias empresas familiares, tenho notado que uma das maiores dificuldades dessas entidades é não permitir que a educação ou as orientações dadas em casa aos filhos, perturbe o sossego empresarial. Por algumas falhas, - e quem não as têm? -, pais e filhos, principalmente, criam um ambiente na empresa longe do ideal, que se afasta do profissionalismo que deve ser exigido nessas situações, algumas vezes, maior do que se exige dos colaboradores que não possuem vínculos familiares.

 

Os filhos, várias vezes, creem que seus pais estão ultrapassados, sobretudo, no aspecto tecnológico. Parecem se esquecer de que seus pais possuem a estrutura empresarial por mérito próprio. Construíram, na maioria das vezes, tudo o que tem, sem a ajuda dos filhos que, agora, se julgam melhores que seus genitores.

 

Não bastasse isso, muitos filhos carregam uma deselegância total com seus pais. Os tratam mal diante de clientes, colaboradores. Falam com eles em tom agudo, criticam profundamente, não no sentido construtivo, mas, repetidas vezes, depreciando sua inteligência.

 

Como tenho o hábito de proferir, a culpa, quase sempre é da liderança. Ou seja, os próprios pais permitiram e permitem tal comportamento. Isso não dá o direito aos filhos, pelas falhas de seus pais no processo educacional, de zombarem deles, pois, certamente, não se sentirão bem quando forem tratados da mesma forma no futuro por seus filhos.

 

Nas reuniões que promovo, depois de um acompanhamento subliminar do comportamento dos filhos, os instigo a refletirem sobre suas atitudes, com uma pergunta impactante: "o que você escreveria hoje, na lápide de seus pais, se eles fossem enfrentar o isolamento de um túmulo?", e proponho as seguintes escritas:

 

 

Primeira escrita: "Pai, mãe, peço desculpas pelos gritos e ofensas que lhes fiz durante nossa convivência. Perdão por não ter ouvido vocês, julgando-os incompetentes para gerir o próprio negócio. Peço que, de onde vocês estejam, procurem me perdoar pelas vezes que não lhes dei atenção, taxando-os de ultrapassados. Também, por não ter aproveitado mais o suave colo que tinham a me oferecer, e pelos beijos que procuraram e eu os neguei. Aproveito agora para lhes pedir perdão por tê-los humilhado, como pessoas, diante de tantas outras pessoas. Desculpem-me por não ter aproveitado para contemplar a beleza da brisa nos finais de semana em que poderíamos ter passado juntos, mas eu preferia tudo, menos rolar no tapete da nossa sala com vocês. Preferia tudo, menos lhes dar instantes de atenção e carinho. Perdão por não abraçá-los pelas manhãs, contemplando o valor dos viscos das suas faces. Perdão por ter me esquecido que vocês não eram máquinas de fazer dinheiro e que queriam, muito mais que lucros, o meu carinho, o calor do meu corpo repousando suavemente em seu colo. Queriam, muito mais que rendimentos, o meu olhar alegre que pelos seus movimentos demonstrassem amor e respeito. Perdão por não podê-los mais abraçar, beijar, sorrir para vocês. Tenho algumas poucas lembranças boas dos momentos em que passamos juntos na empresa, porém, a minha falta de gentilezas e respeito com vocês tem ofuscado as boas recordações. Pai, mãe, desculpem-me pela falta de cordialidade, por não ter feito do nosso convívio um oásis de boas emoções, de risos sem ter motivo, a não ser por estarmos juntos e felizes. Perdão por ter culpado vocês pelas falhas na empresa, quando, na verdade, pela minha impulsividade, eu próprio ( a ) tenha errado. Hoje, escrevo estas poucas palavras numa base de concreto e não posso mais fazer com que essas palavras e ações penetrem em seus corações, ainda, que no meu coração, as marcas sejam indeléveis".

 

 

Segunda escrita: "Pai, mãe, obrigado por terem existido em minha vida. Agradeço ao Criador da existência por ter me colocado numa família tão maravilhosa como a nossa. Obrigado pelos afagos em meus cabelos, obrigado pelo toque suave das suas mãos em minha face, que me acalmavam nos momentos turbulentos da empresa que somente ajudei a perpetuar. Vocês agora não estão mais fisicamente na empresa, porém, as penetrantes marcas que deixaram seguirão norteando a continuidade do negócio. Obrigado por terem compreendido meus momentos de impulsividade, pois, ao final, sempre nos abraçávamos, nos amávamos e caminhávamos pelos parques aproveitando a invisível, mas reconfortante brisa das manhãs, das tardes e noites. Obrigado pelo amor que me deram. Que bom que eu também soube amar vocês, respeitá-los. É ótimo lembrar dos nossos momentos, pois, em sua maioria, são sóbrios, inesquecivelmente felizes e alentadores. O suave toque das suas mãos no meu rosto, faz com que o fechar dos seus olhos neste momento abra o leque da minha emoção, permitindo-me recordar com ternura das suas existências. Pai, mãe, obrigado por terem construído tudo o que construíram para mim, mas, obrigado principalmente pelos exemplos de amor, fé, respeito, dignidade, paz, temperança que me deixaram. Os momentos em que corríamos dentro de casa, brincando como se ainda fôssemos crianças, me faz dormir tranquilo ( a ), pois, parece que posso senti-los ainda muito próximos de mim. Obrigado por não permitirem que o desnudar dos problemas em minha frente solapassem minha felicidade. Eu os amei com toda intensidade, e demonstrei isso não apenas com palavras, mas com gestos de carinho. Vocês me permitiram chorar, sorrir, errar, amar. Fizeram eu aprender que das lágrimas devo fazer as mais puras águas para que possa irrigar meus sonhos, meus sorrisos, enfim, a vida que pulsa dentro de mim e que já não pulsa em vocês. Porém, pelo amor que demos uns aos outros, a vida de vocês continuará a existir, pois as batidas do meu coração agora pulsam por vocês também. Amarei meus filhos tanto quanto vocês me amaram. Obrigado por tudo pai, mãe".

 

 

É uma reflexão que faz com que cada participante da história viaje para dentro de si, que recobre suas forças e reconheça sua pequenez. Sobretudo, para pais e filhos, que fazem do complexo empresarial uma arena, um ringue, e não um jardim repleto de lírios do campo, que exalam o perfume do amor, do respeito, do carinho.

 

 

A vida é uma grande dádiva, que poucos de nós conseguem contemplar toda sua magnitude. Se não aproveitarmos a companhia das pessoas que amamos, aonde quer que estejamos, teremos que lamentar nossaprecária convivênciadiante de uma base gélida de cimento e da sombria distância do fundo de um túmulo.

 

 

Ouço e vejo um tamanho desrespeito inicial, principalmente por parte dos filhos, que jamais veria entre um colaborador "comum" e seu chefe, líder e até mesmo entre os próprios colaboradores.

 

 

O profissionalismo nas empresas familiares não começa pelo tecnicismo das partes, tampouco pela posse de diplomas e títulos acadêmicos. O início de tudo é o tratamento digno uns com os outros, que faz enfrentar e superar os demais obstáculos e adversidades que surgirem.

 

 

Possivelmente, ainda que não haja grau de parentesco algum, se essa "receita" fosse seguida, teríamos empresas menos problemáticas, aliás, pessoas que se respeitariam e não gerariam tantos problemas às empresas e a si próprias.

 

 


Pense nisso, como pai ou mãe, filho ( a ) e como colaborador.

 

 


Um abraço e felicidades sempre!

 


Professor Paulo Sérgio Buhrer
SUED MIND CONSULTORIA EMPRESARIAL
www.professorpaulosergio.com.br
CERTIFICAÇÃO VENDAMAIS Nº 44.

 

 

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Autor
Professor Paulo Sérgio Buhrer, graduado em Ciências Contábeis pela UNICENTRO, com Pós-Graduação em Gestão e Auditoria de Negócios. Possui MBA em GESTÃO DE PESSOAS, Palestrante Campeão pelo Instituto Gente, do Dr. Roberto Shinyashiki e Certificado em Vendas pela VENDAMAIS DO BRASIL. Ministra palestras e eventos por todo o território nacional. Lecionou nas disciplinas como Contabilidade, Gestão Empresarial, Marketing, Vendas, Liderança, dentre outras. Há mais de 12 anos contribui para a formação e desenvolvimento pessoal e profissional. Sua ênfase é na formação de pessoas para que conquistem resultados extraordinários!
 
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que saco, to loco atraz de uma jaqueta dessas
 
Exelente material
 
gostaria de saber quem trabalha em banco que não trabalha sabado e domingo se os três dias ja começa...
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