30 de junho de 2009, às 01h22min

"Pensamentos de Pascal"

Por Sibá Machado
 
Blaise Pascal, filósofo e matemático do século XVII, segundo sua biografia, revelou-se desde cedo a encontrar soluções para problemas complexos. Mas, mais que isso, revelou-se também em levantar problemas complexos. Alguns de seus "pensamentos", (o grifo é uma referência ao título da obra) me marcaram na vida e como tal, gosto muito de citá-las em meus pronunciamentos, especialmente quando se trata de reflexoes sobre a vida, a política, o conhecimento humano, religião e etc.

Sobre a existência de Deus:

Já que não se pode provar nem que Deus existe, nem que Deus não existe, já que não se pode provar que haverá ou não salvação eterna - só se pode apostar. Mas, ao se apostar, deve-se levar em conta as perdas e os ganhos; assim, caso se aposte que Deus não existe, e ele existir, está-se perdido; caso se aposte que Deus existe, e ele não existir, nada acontece. Deve-se então apostar na existência de Deus, pois a condição humana é risco, perigo de fracasso e esperança de vitória: o homem sente que Deus existe quando experimenta cruelmente sua ausência.

Sobre o método:

Para cada problema preciso, deve-se elaborar o método preciso para resolvê-lo.

Enfrentar os espaços infinitos: o infinito em grandeza e o infinito em pequenez.

O que é o paradoxo:

A verdade é sempre a reunião dos contrários e o homem é um ser paradoxal, ao mesmo tempo grande e pequeno, fraco e forte.

A oposição faz aparecer a ordem e a ordem faz aparecer a oposição.

O seu princípio de grandeza, me faz refletir sobre a hipótese da infinitude ou finitude do universo: como imaginar algo que nunca tem fim? Em seguida me coloco a pensar: e se tiver fim, o que há depois de seu limite? A experiência de nossa existência no planeta terra com todas as formas de vida que aqui residem, também é de tirar o sono. Se temos ou não companhia no universo; se tal companhia é boa ou má (deve ser boa, pois nunca nos criaram problemas) e por fim, quando vejo as relações humanas de luta pelo poder, as guerras, a péssima distribuição das riquezas, a destruição das demais espécies, o imperialismo e tantas formas de disputas, faço uma pergunta (em pensamento) a Pascal: qual a probabilidade de nosso desaparecimento (natural ou induzido) como ocorreu aos dinossauros? E, vale a pena o que está sendo feito?

 
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