Perspectivas para a Inflação para 2010
A inflação de 2009, em termos da série histórica, passou por retração. Com o IPCA do IBGE de 4,31% segundo é o menor índice desde 2006 (3,14%), atingindo taxa muito próxima das expectativas do governo (4,5%) e do mercado (4,29%), o que é muito bom em termos de confiabilidade no planejamento da política monetária.
Entretanto, justificá-la unicamente na gestão monetária seria inadequado. Fatores imprevisíveis contribuíram para a taxa mais reduzida: de um lado não se pode esquecer a influência da crise do final de 2008, que provocou retração da economia no início de 2009, de modo que a recuperação se mostra recente e é interessante lembrar que a crise levou à quebra de expectativas daqueles que produzem para exportação, em especial no setor do agronegócio.
Isto significou que parte da produção destinada ao mercado externo acabou sendo consumida no interno, a partir de uma maior oferta que pressionou o preço para baixo, como foi o caso da carne. Também contribui para um índice menor a queda no preço do arroz e do feijão, no baixo ajuste conseguido pelos serviços de comunicação, por conta da concorrência maior no setor.
A discussão no momento é em torno de qual será a sua tendência para o ano de 2010, onde temos agora um novo contexto bem diferente desta mesma época em 2009. O que se tem agora é um período de recuperação, iniciado no citado ano, que propiciou aumento na renda média da população, o que interagiu com um quadro de redução da taxa básica de juros, visando justamente a estimular a demanda, atingindo o menor nível histórico e o que foi o principal fator na recuperação do desempenho da economia.
Diante de tais circunstâncias, surgem divergências entre os especialistas da área. De um lado aqueles que acreditam que a ascensão da economia, ainda este, ano levará a tal aquecimento da demanda que permitirá que a inflação se intensifique. Ao supor isto, já pensando na ação da política econômica do BC, preveem uma tendência da autoridade monetária de começar a elevar a taxa básica da economia, encarecendo o crédito, estimulando a poupança financeira visando a esfriar a economia e assim contendo o avanço da inflação, impedindo-a de expandir-se por conta da contenção da demanda.
Noutra posição estão aqueles que entendem que os fatores atuais não serão suficientes para elevar a inflação, dado que a atual capacidade produtiva do país seria suficiente para evitar a escassez de oferta. Nesta condicionante há que se pensar numa taxa de juros mais estável, com o governo podendo mantê-la no nível atual e com espaço até para pequeno aumento, em favor antes de ajuste preventivo.
Porém, há que se lembrar que a taxa brasileira ainda é alta e que se mantido o estoque atual de divisas, não se deteriorando a relação entre exportações e importações por conta de déficits contínuos, seria possível pensar em até alguma redução, porém modesta, pois por já haver a diretriz ascendente de demanda não se incorreria em risco de superaquecer a economia, produzindo inflação.
Mas não é apenas isso que pode contribuir para a inflação. O vilão que pode atuar é a alta dos combustíveis, capitaneada pelo desequilíbrio no mercado do álcool e seu impacto no preço dos outros combustíveis, ocasionado, por exemplo, a redução do seu uso na gasolina e mesmo a manutenção de preço eventualmente estratégico.
Mas o que parece predominar é a tendência de se imaginar um ano de 2010 similar a 2009 em termos de inflação, em torno dos 4,5% ao ano, o que será muito bom se assim se concretizar.
Gilberto Brandão Marcon, Professor e Pesquisador da UNIFAE, Ex-Presidente do IPEFAE (2007/2009), Economista graduado pela UNICAMP (1982/1985), pós-graduado ‘lato sensu’ em Economia de Empresas pela FAE (1986/1988), com Mestrado Interdisciplinar em Educação, Administração e Comunicação pela UNIMARCO (2006/2008), Comentarista Econômico TV União, Escritor, e com aperfeiçoamento como aluno especial no Mestrado de Filosofia da UNICAMP na área de Filosofia da Psicanálise (2002/2003).
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