19 de dezembro de 2009, às 14h18min

Por que a defesa do meio ambiente parece uma religião?

Por Rodolfo Araújo
 

Os mais influentes jornais do mundo estampam nas suas primeiras páginas, em alarmantes letras garrafais: "Cientistas acreditam que a humanidade esteja à beira de um novo padrão climático, para o qual não estamos preparados".

Um artigo da Newsweek cita um relatório da Academia Nacional de Ciências, alertando que tais mudanças forçarão a sociedade a ajustes econômicos e sociais em níveis globais. Pessimistas, eles não acreditam que os líderes mundiais tomarão as medidas necessárias para impedir um desfecho tão caótico quanto previsível.

Tal relato soa absolutamente real e atual, certo? Meio certo.

Ele é real. Mas não é atual. Retirado do capítulo 5 do SuperFreakonomics, essa introdução revela a preocupação que assolou a comunidade científica - e uma parte bem pequena da sociedade - em meados da década de 1970.

Clima07
Afinal, está frio ou está quente?

Mas então, dirá a leitora, a preocupação com as mudanças climáticas há muito nos aflige! Isso quer dizer que elas estão corretas!

Sim e não. Realmente faz tempo que tememos essas variações climáticas. Mas os episódios descritos acima referem-se ao pânico causado porque a Terra estava... esfriando!

Pois é... Entre 1945 e 1968 a temperatura caiu 0,28o Celcius no hemisfério Norte, levando os meteorologistas a prever a chegada de uma nova Era Glacial.

O eventual encurtamento dos períodos de plantio alimentou (atenção para o anti-trocadilho) temores de fome (a-há!) entre a população. Alguns cientistas propunham medidas drásticas inclusive para derreter parte das calotas polares e evitar que o frio ganhasse.

 

* * * * * * * * * *


De semelhante com o que ocorre nos dias atuais, o alarmismo generalizado é destaque, ao lado de umas poucas pessoas tirando proveito do consequente pânico. Tudo isso possível, claro, exclusivamente em função do total desconhecimento da população sobre o tema.

De diferente, quase nada. Além do singelo fato de agora a Terra não estar mais esfriando e sim esquentando. Talvez daqui a trinta anos nossos filhos fiquem extremamente alarmados porque a temperatura da Terra está baixando novamente. Ou porque deixou de variar. E Al Gore Jr. ganhe outro Nobel.

 

 

 

* * * * * * * * * *


O fato é que a defesa do meio ambiente e seus derivados transformou-se numa seita, uma crença quase religiosa. Como destaca Brian Johnson (apud SuperFreakonomics) "[a]ssim como as melhores religiões, o temor pelas alterações climáticas satisfaz a nossa necessidade por culpa e vergonha, além da eterna sensação de que o progresso tecnológico deve ser punido por Deus.

O medo das mudanças climáticas funciona como uma religião em sua definição mais básica, pois está envolta em mistérios e você nunca saberá se seus atos de arrependimento e expiação foram, de alguma forma, bem-sucedidos"1.

Do mesmo modo que não sou contra Deus - mas não suporto fanatismo religioso - também não sou contra a preservação ambiental - mas detesto igualmente os radicais defensores da natureza. Pretendo expôr, nessa série de textos, os motivos pelos quais acho que se faz muito barulho por nada.

 

* * * * * * * * * *


Em primeiro lugar, boa parte do que se diz sobre aquecimento global está errado, mas não acho que a culpa seja do público geral. O pouco que se sabe sobre o tema das alterações climáticas ainda está cercado de incertezas.

Os atuais modelos de previsão meteorológica carecem de robustez e precisão, ou como Levitt e Dubner descrevem, "[a] imprecisão inerente à ciência climática significa que não sabemos com certeza se nosso caminho atual nos levará a aumentos de temperatura de dois ou de dez graus Celsius. Nem sabemos, ao certo, se um aumento drástico resultará num leve inconveniente ou no fim da civilização tal qual a conhecemos".2

Al Gore
O bispo Al Gore


A ciência da Veja, os conceitos do Fantástico ou o conjunto de conhecimentos transmitidos pela mídia leiga em geral não se aprofundam ou detalham o tema o suficiente para que o público possa tirar suas próprias conclusões.

E a incerteza é sempre mais assustadora do que o risco concreto (mesmo quando este é alto). Ocorre, assim, que "(...) a maioria das pessoas responde à incerteza com mais emoção - medo, culpa, paralisia - do que seria aconselhável. A incerteza tem um perverso mecanismo que nos leva a considerar as piores possibilidades."3

E, como bem sabemos, medo, pânico e escândalo são, lamentavelmente, três ingredientes fundamentais dos meios de comunicação de massa.

* * * * * * * * * *


No próximo texto, explorarei um pouco mais as falácias em torno do aquecimento global e por que os ambientalistas podem piorar a situação. Até lá!

 

____________________


1. Like all the best religions, fear of climate changes satisfies our need for guilty, and self-disgust, and the eternal human sense that technological progress must be punished by the gods. And the fear of climate change is like a religion in this vital sense, that it is veiled in mystery, and you can never tell whether your acts of propitiation or atonement have been in any way successful.

2. The imprecision inherent in climate science means we don't know with any certainty wheter our current path will lead temperatures to rise two degrees or ten degrees. Nor do we really know if even a steep rise means an inconvenience or the end of civilization as we know it.

3. (...) most people respond to uncertainty with more emotion - fear, blame, paralysis - than might be advisable. Uncertainty also has a nasty way of making us conjure up the very worst possibilities.

____________________

VISITE O MEU BLOG: www.naopossoevitar.com.br


TWITTER: www.twitter.com/raraujo28

 
http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/por-que-a-defesa-do-meio-ambiente-parece-uma-religiao/37042/