Afirmei, no texto anterior, que boa parte do que se diz sobre o aquecimento global está errado. Já fui muito contestado por meus amigos por causa disso, mas nenhum deles - absolutamente nenhum - apresentou fatos que mostrassem que estou errado. Ninguém conseguiu, até agora, apresentar-me evidências mais sólidas de que o tão anunciado apocalipse previsto por Al Gore e seus seguidores representa, de fato, nosso inescapável destino caso o atual padrão de vida - e, especialmente, de consumo - seja mantido.
Alguém se lembra quando o Nordeste era um oceano ou no Saara abundavam densas florestas, com ricas fauna e flora? Claro que não, porque isso ocorreu há milhares, talvez milhões de anos. Quem teria sido, então, o malvado responsável por gigantesca calamidade?
A vistosa Amazônia do século XXII?
* * * * * * * * * *
Até meados do ano passado, todos nós acreditávamos que os modelos financeiros de previsão de riscos eram infalíveis (exceto, talvez, Nicholas Nassim Taleb). Infelizmente os acontecimentos seguintes mostraram-nos, de modo bastante dramático, o quão enganados estávamos.
Apostar demais num modelo que não temos como verificar a sua precisão pode revelar-se tão arriscado quanto não apostar em nada - especialmente quando há um alto preço a se pagar antecipadamente. Obviamente que este argumento também serve para os ambientalistas mas, deixo claro, minha intenção aqui é mostrar os dois lados.
No recente post Uma mentira conveniente apresento uma série de evidências científicas (com as devidas fontes) revelando que, atualmente, pouco se sabe sobre as reais causas das variações climáticas. Minha intenção neste texto é oferecer mais algumas chances, mostrando que as mais divulgadas falácias sobre o aquecimento global são tão furadas quanto levianas. Senão vejamos1:
.: As atividades humanas respondem por apenas 2% de todas as emissões de CO2. Isso significa dizer que, mesmo que voltássemos aos tempos das cavernas e deixássemos de emitir um grama sequer de dióxido de carbono, isso não faria a menor diferença para o ambiente.
Sauna para mim, para você e para o mundo todo!
.: O CO2 não é o gás que mais influi no efeito estufa. Este posto cabe ao vapor d'água. Alguém já viu uma campanha para banir as saunas da face da Terra ou a ONU considerar invadir a Finlândia (que tem mais de uma sauna por habitante)? Já disseram que o cafezinho é o maior vilão do aquecimento global? Você sente culpa toda vez que toma um banho quente?2
.: As nuvens têm papel importantíssimo na regulagem da temperatura da Terra (leia-se, resfriamento), mas os modelos climáticos não conseguem medir tal impacto. Grosso modo, as nuvens são formadas a partir de três elementos básicos: ar ascendente, vapor d'água e partículas sólidas, que servem como núcleos formadores.
Os gases emitidos pelas turbinas dos aviões fazem muito bem o papel dessas partículas. Pois bem, logo após os atentados de 11 de setembro de 2001, as agências de segurança dos EUA determinaram que nenhum avião civil deveria decolar. O resultado disso foi uma queda abrupta na quantidade de nuvens nos céus americanos, o que levou a um aumento de 1,1 oC na temperatura da região. Isto significa que mesmo a poluição pode ter um efeito benéfico no clima, ainda que colateral.
.: Mais CO2 na atmosfera provavelmente faz bem para a biosfera. As plantas precisam de muita água para absorver o dióxido de carbono misturado ao ar - especialmente nos seus períodos de maior crescimento. Um estudo de Ken Caldeira (que curiosamente dividiu um Prêmio Nobel com Al Gore) mostrou que, mantendo todos os outros fatores inalterados (como água, nutrientes etc.), quando dobramos a quantidade de CO2 as plantas crescem 70% mais. Não por acaso, a maioria das estufas hidropônicas tem elevados níveis de dióxido de carbono, mantidos artificialmente.
Nosso horroroso e improvável sistema de ar condicionado
.: As partículas de poluição suspensas na atmosfera provavelmente tiveram o efeito de resfriar a Terra ao bloquear mais raios solares - sendo em parte responsáveis pelas quedas de temperaturas registradas até a década de 1970, como mencionadas no post anteior. Esta tendência começou a se reverter quando passamos a diminuir a poluição. A maior parte do aquecimento observado nas últimas décadas pode ser resultante, portanto, da melhor conservação ambiental.
.: A variação dos níveis de oceano (para cima) dá-se pelo aquecimento da água e não pelo derretimento dos pólos. O nível dos oceanos cresce há 20.000 anos e subiu, desde o fim da última Era Glacial, 129,5 metros, dos quais 20 centímetros no último século. Em vez dos 9,1 metros previstos para o próximo século, os mais respeitados estudos da área apontam apenas 45 centímetros no mesmo período - o que equivale ao dobro da variação da maré na maioria das regiões costeiras do mundo.
.: Em 15 de junho 1991, nas Filipinas, o vulcão Pinatubo registrou a mais potente erupção dos últimos cem anos, cuspiu furiosamente lava e fumaça por nove horas consecutivas, ao mesmo tempo em que a região era varrida por um tufão. Duas horas após a primeira erupção, uma coluna de gases de 35 quilômetros de altura lançou vinte milhões de toneladas de dióxido de enxofre na atmosfera.
O resultado disso foi uma camada sulfurosa ao redor da Terra que funcionou como um gigantesco filtro solar, reduzindo a temperatura global em 0,5 oC - ou o equivalente a um século de efeito estufa. O outro efeito colateral desse imprevisível evento natural foi o vigoroso crescimento das florestas em todo o mundo, em virtude da amena irradiação solar dos anos seguintes.
Toyota Prius: licença para poluir?
* * * * * * * * * *
Os arautos da desgraça escrevem seus utópicos manifestos em seus chiquíssimos MacBooks, mas não ligam para o fato de que 3.000 trabalhadores morrem todos os anos nas minas de carvão da China, gerando energia para que seus preciosos notebooks sejam produzidos. Ou simplesmente não sabem disso, porque não os interessa saber.
Pais preocupados com o futuro de seus filhos recém-nascidos censuram-nos por consumirmos o mundo em que seus pimpolhos viverão - mas não abrem mão do conforto que representam as fraldas descartáveis.
Afinal, dirigir um Prius e ficar com a consciência tranquila é muito mais glamoroso do que tirar cocô de uma fralda de pano. Um estudo recente mostrou, aliás, que 1/3 dos donos do carro elétrico da Toyota têm também uma picape. Aparentemente, tomar uma atitude não poluente dá às pessoas imunidade ecológica para praticar outras atrocidades ambientais sem se indispor com seu alter-ego algoreano.
Assim, além de divulgar mentiras convenientes - seja por inocente ignorância ou planejada sordidez - o pseudo-ambientalista ainda pretende criar em nós um sentimento de vergonha e tirania, encaixando-nos no papel de algoz da natureza que ele tanto nega. Verdadeiras metralhadoras de pedras, armadas em suas fragilíssimas casinhas de vidro.
Daí o título deste post...
* * * * * * * * * *
No próximo texto discutirei quais os interesses por trás da lorota do século e quem pagará a conta dessa gigantesca mentira. Até lá!
__________
1. A maioria das afirmações desse texto foram retiradas do SuperFreakonomics, capítulo 5.
2. Essas três perguntas são, por assim dizer, licença poética. Nunca li isso em lugar algum mas, confesse vai, você levou super a sério, não?
__________
VISITE O MEU BLOG: www.naopossoevitar.com.br
TWITTER: www.twitter.com/raraujo28