Ou seja, melhor em inglês "recall", para não ficar em bom português dizendo "defeito" de fabricação.
Imagine o locutor no comercial de TV em rede nacional dizendo "prezados clientes e consumidores dos produtos XYZ, vocês estão convocados para trocar uma peça defeituosa do seu automóvel, para evitar acidentes com você e terceiros..."
Recalls em automóveis continuam sendo os campeões. Mas agora tem-se a mesma situação para remédios, alimentos (cookies), máquina de lavar louças, entre outros.
No caso da máquina de lavar louças é interessante observar, que foram registrados 135 relatos de incêndio e 4 feridos, representando 2,3 milhões de máquinas, nos Estados Unidos da América.
Agora nesta sexta-feira santa, Valor e agências internacionais informam que o McDonald´s vai recolher 12 milhões de copos promocionais da animação Shrek nos Estados Unidos devido à presença de cádmio, um metal que pode causar câncer. Ele se encontra na tinta da pintura dos personagens do desenho.
E no caso americano, a Comissão de Segurança de Produtos dos Estados Unidos (CPSC, na sigla em inglês) aconselhou a suspensão imediata do uso dos copos.
Na próxima semana, a companhia deverá informar como os consumidores poderão receber de volta o valor pago pelo produto, de US$ 2.
Matéria da rede de notícias CNN apontou que a fabricante do produto é a ARC International, localizada em Millville, Nova Jersey.
Mas, por que tantos defeitos?
Para melhor entender fui buscar em "O Modelo Toyota" de Jeffrey K. Liker uma possível explicação para estes inúmeros "recalls".
Neste livro, Jeffrey K. Liker, PhD, professor de engenharia industrial e de operações na Universidade de Michigan, fundador e diretor do Japan Technology Management Program e do Lean Manufacuturing and Product Development Certificate Program, agraciado com quatro Prêmios Shingo de Excelência, apresenta os 14 princípios de gestão do maior fabricante do mundo.
O Princípio 5, Construir uma cultura de parar e resolver problemas, para obter a qualidade desejada logo na primeira tentativa, é iniciado com uma frase do Senhor Fujio Cho, Presidente da Toyota Motor Corporation, 2002, "o Sr.Ono costumava dizer que nenhum problema que fizesse parar a linha de produção deveria esperar mais do que até a manhã seguinte para ser solucionado. Isso porque, quando se fabrica um carro a cada minuto, sabemos que vamos ter o mesmo problema amanhã".
E em determinado momento da apresentação do Princípio 5, Liker afirma "infelizmente, para muitas empresas, a essência da adição de qualidade perdeu-se em detalhes burocráticos e técnicos.
Por exemplo, o ISO-9000, um padrão de qualidade industrial que evoca minuciosamente todos os tipos de procedimentos operacionais padronizados, com todos os resultados positivos que possam ser alcançados, fez com que empresas acreditassem que, se compilassem livros de regras mais detalhadas, essas regras seriam seguidas.
Os departamentos de planejamento da qualidade armam-se com pilhas de dados analisados por meio dos mais sofisticados métodos de análise estatística.
O seis sigma nos trouxe vários black belts que atacam violentamente os principais problemas de qualidade, armados com um arsenal de métodos técnicos sofisticados.
Na Toyota, as coisas são simples, e muito poucas ferramentas estatísticas complexas são utilizadas. Os especialistas em qualidade e os membros da equipe contam com apenas quatro ferramentas-chave:
Perguntar "por que" cinco vezes sempre que descobrir um problema levará à sua causa bem como indicará soluções para resolvê-lo.
Então, eu pergunto: 1.Por que tantos defeitos atualmente? 2.Por que tantos defeitos atualmente...3,4,5...você já estendeu!
Referências
Liker, Jeffrey K. O modelo Toyota: 14 princípios de gestão da maior fabricante do mundo. Porto Alegre: Bookman, 2005.
Francine De Lorenzo | Valor, com agências internacionais.