07 de janeiro de 2010, às 21h53min

Por que você vai pagar a conta da proteção ambiental?

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No texto anterior apresentei alguns indícios de que se o problema das alterações climáticas realmente existe, ele é bem diferente daquilo que pregam os bispos da Igreja Universal da Proteção Ambiental. Reforçando ainda mais a analogia entre os ecologistas xiitas e uma fanática seita religiosa, veremos agora aquela que talvez seja a maior semelhança entre ambas.

Para os que imaginam que vou falar da salvação da raça humana, lamento, mas estou falando é de dinheiro mesmo.

Antes de mais nada, existem três falhas básicas nos argumentos ambientalistas que pregam a adoção de sacrificantes medidas pró-preservação. Como destacam os autores do SuperFreakonomics, os atuais  esforços para a melhor proteção do meio-ambiente são:

.: Muito tímidos: o somatório de todas soluções propostas até o momento não produzirão nenhum efeito prático no clima no longo prazo.

Energia_eolica

Plantação de cataventos: bonitinho, mas insuficiente


Energia eólica, solar e as demais formas não poluentes são bonitinhas, mas não alcançam escala suficiente para os atuais padrões de consumo. Carros elétricos estão na moda e deixam seus donos bem na foto, mas a questão do transporte é irrisória dentro da necessidade energética.

A energia gerada pelas usinas termoelétricas é tão barata, que a sua substituição é economicamente inviável - especialmente nos países em acelerado processo de industrialização/desenvolvimento. Adotar fontes alternativas ao carvão ou outros combustíveis fósseis demandaria tanta energia que, no fim, a conta seria negativa e, portanto, o tiro sairía pela culatra.

.: Muito tardios: a meia-vida do dióxido de carbono presente na atmosfera é de aproximadamente cem anos chegando, em alguns casos, a um milênio. Mesmo que todas as nações do mundo concordassem em zerar suas emissões de CO2 - o que o encontro de Copenhage revelou inalcançável - o efeito prático disso seria nulo.

.: Muito otimistas: a maior parte das soluções apresentadas como boas não são tão boas assim e, em alguns casos, pioram o cenário.

Energia_solar
Células foto-elétricas - ou um enorme microondas?

As células de captação de energia solar, por exemplo, transformam em eletricidade apenas 12% do que é absorvido. O resto é dissipado sob a forma de calor - pois elas são pretas - e acabam por esquentar ainda mais a Terra. Fabricar células fotoelétricas suficientes para abastecer todo o planeta levaria entre 30 e 50 anos e consumiria tanta energia que criaria um déficit energético gigantesco - além de transformar a Terra num forno.

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O que temos aqui é a remota possibilidade de alguns desastres naturais no futuro. Esperar que as pessoas concordem em pagar hoje o preço por algo que pode ou não acontecer daqui a várias décadas, provavelmente noutra geração, constitui um inglório exercício de fé na humanidade. E, especialmente, acreditar em algo que jamais aconteceu antes.

Todos nós sabemos que atitudes pessoais devemos adotar para melhorarmos nossa saúde. Parar de fumar, ter uma alimentação mais equilibrada ou fazer mais exercícios está na lista daquilo que sabidamente nos faz bem, mas que sempre deixamos de lado. Como então esperar que tenhamos um comportamento semelhante, mas que diluirá os benefícios com seis bilhões de co-inquilinos, nem todos com a mesma disposição que nós?

Como acreditar que uma pessoa que usa o carro para ir na esquina comprar pão, negligenciando a própria saúde, vai deixar de usá-lo para evitar o aquecimento global?

Em situações como essas, as leis sempre parecem uma boa opção certo? Mas por que, então, leis que comprovadamente previnem algumas moléstias sociais causam tanta polêmica, desobediência e contrariedade? Que espécie de sociedade faz twitter anti-Lei Seca e busca liminares contra a Lei Anti-Fumo espera que seus indivíduos abracem um espírito altruísta da noite para o dia?

A incômoda verdade é que entre saber e fazer há uma distância abissal - especialmente quando o assunto envolve pequenos prazeres e grandes preguiças.

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Teclado2
Old habits die hard

Não tenho a intenção de parecer um pessimista fatalista com estas perguntas, mas a verdade é que não é nada fácil mudar hábitos coletivos. Vamos considerar outro exemplo bem simples: o teclado onde digito esse texto. No século retrasado, quando inventaram as máquinas de escrever, as hastes que batiam a fita no papel costumavam se embaralhar umas nas outras, emperrando todo o mecanismo.

Para evitar isso, os fabricantes criaram uma disposição de teclas toda própria, que dificultava a datilografia.

Se você não acredita nisso, então pense num bom motivo para que as letras mais usadas  - A, S, E e D - estejam do lado esquerdo, ao alcance dos seus habilidosos dedos mindinho, anelar e médio. Para quem não é canhoto como eu, isso realmente parece um contrassenso.

Mas ao contrário dos teclados QWERTY, os que adotam o padrão Dvorak dispõem suas teclas da maneira mais compatível com os idiomas ocidentais, facilitando enormemente a tarefa e diminuindo o tempo necessário para digitar um texto. E por que, então, os teclados Dvorak ainda não são o padrão usual? Ótima pergunta! Porque não é fácil mudar uma enorme base de usuários e ninguém quer abrir mão daquilo que já adquiriu ou conquistou (habilidade, conhecimento).

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Outro problema é que emissões de gases do efeito estufa, aquecimento global e aumento dos níveis dos oceanos não respeitam fronteiras políticas. O CO2 que sai do cano de um automóvel nos EUA viaja até a Suécia, onde se encontra com as partículas expelidas pelas usinas de carvão da China. A decisão de reduzir, por livre e espontânea vontade, as emissões de gases incorre numa série de custosas adaptações tecnológicas, ou ainda restrições às atividades econômicas. Tal escolha representa, portanto, gigantescos custos para o país que decide abraçar a causa.

Clima06
A poluição globalizada

Os benefícios de um projeto como este - se é que existem - carregarão consigo um enorme custo de oportunidade e de implementação. Quem o adota tem que ter plena consciência sobre o quê está em jogo.

Além disso, esse é um jogo em que todos devem participar, senão o pioneiro paga caro. Imagine, por exemplo, que o Brasil resolva reduzir sua produção de álcool em 10%, por causa da poluição e desgaste ambiental gerados. O primeiro e imediato efeito é o aumento do preço, não só do combustível mas também do açúcar e todos os seus outros derivados.

O segundo efeito é que algum outro país que boicote o acordo vai produzir essa quantidade, já que a demanda por álcool não se alterou. Esse malvado vai produzir, então, o que nós bondosa e inocentemente resolvemos deixar de lado. Ficará com 100% do lucro da operação, mas com apenas uma pequeníssima parte da poluição resultante.

Há muito que os estudiosos da economia comportamental descobriram que "as pessoas estão, geralmente, pouco inclinadas a gastar dinheiro para prevenir um problema futuro, especialmente quando a sua ocorrência é incerta"1.

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Mas o que acho mais curioso nesse movimento pedindo um milagroso acordo em Copenhague é a forma como os países de Terceiro Mundo estão caridosamente dispostos a pagar o preço do desenvolvimento do Primeiro.

Amistad_1997_img_1
Amistad: a esvravidão construíndo nações ricas. Sempre.

As nações mais ricas do planeta - especialmente as européias - destruíram florestas e outros recursos naturais ao redor do mundo - sejam suas próprias ou de suas ex-colônias - e construíram impérios em torno da exploração daquilo que era mais valioso em cada ciclo econômico, seja vegetal (cana, especiarias etc.), mineral (ouro, prata, diamantes) ou animal (escravos).

Agora posam de defensores do mundo, tendo construído sua prosperidade através da degradação daquilo que hoje convidam a preservar. Subiram ao topo do mundo e, no momento em que estamos chegando perto, preparam um belo chute na nossa escada.

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Antes que a leitora torça o nariz para minhas aparentemente raivosas afirmações, permita-me desenvolver um pouco mais o tema. A maioria das propostas dos ambientalistas seria prejudicial aos países em desenvolvimento.

Quando você apóia a redução da emissão de CO2 (que, como já mostrei, não fará a menor diferença no clima da Terra) está inapelavelmente condenando o Brasil ao subdesenvolvimento. Isso significa manter não sei quantos milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza - o que corresponde, em última análise, a dar preferência aos ursos pandas e micos-leões que você nunca viu mais peludos na vida.

Soja01
Minha Amazônia ideal: uma enorme plantação de soja

Depois da infalível pergunta sobre se seus filhos usam fraldas descartáveis ou de pano, gosto de provocar meus amigos ambientalistas-de-Veja-e-Fantástico dizendo a eles que prefiro a Amazônia como uma enorme plantação de soja a assinar um tratado ambientalista. Antes do protocolo de Kyoto, quero ver o Pantanal comido por bois e vacas, a Ilha de Marajó tomada de búfalos e degustar deliciosos sashimis de golfinho. E o Brasil rico.

Claro que essa é uma imagem chocante e radicalíssima, mas o mundo era exatamente assim sob o domínio europeu alguns séculos atrás. A atual divisão econômica e política mundial construiu-se assim.

Em última análise, sou sim um defensor da natureza. Desde que os países ricos paguem a conta. Não nós. Mas isso não está na pauta. O que importa, sempre, é sair bem na foto. Só que essa foto eu não publico no meu blog.

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1. (...) people are generally unwilling to spend a lot of money to avert a future problem, especially when its likelihood is so uncertain (SuperFreakonomics).

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Mestre em Administração de Empresas pela PUC-RJ, Pós-graduado em Tecnologia de Informação pela FGV-RJ e Bacharel em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
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sou pne por acidente do trabalho posso, ha vagas para mom.
 
ta bom. mas preciso enderecos de microempresas da grande Para. Como posso conseguir? manda pro meu e...
 
Pertinente. Portugal está na merda mesmo.
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