07 de março de 2011, às 01h21min

Portadores de altas habilidades: as diferentes terminologias que vão de precoce a gênio

Para se entender bem o assunto, demonstro nesse artigo que, os indivíduos portadores das ditas habilidades superiores como o precoce, o superdotado, o prodígio, o talentoso, o gênio e os idiots svants (sábios idiotas) são gradações de um mesmo fenômeno.

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Para se entender bem o assunto, demonstro nesse artigo que, os indivíduos portadores das ditas habilidades superiores como o precoce, o superdotado, o prodígio, o talentoso, o gênio e os idiots svants (sábios idiotas) são gradações de um mesmo fenômeno, mas com terminologias diferentes e há muito tempo estudadas por uma gama de profissionais: neurocientistas, psicopedagogos, psicólogos, professores e outros.


O termo precoce se refere às crianças que apresentam alguma habilidade muito específica e até individual prematuramente em desenvolvimento ou desenvolvida em quaisquer áreas ou sub-áreas do conhecimento humano como pintura, esportes, música, literatura, matemática, desenho, etc.


Vamos iniciar por definições gerais de certos estudiosos no assunto para compreender as diferenças e extensões dos conceitos demonstrados.


As crianças chamadas precoces para o autor Winner (1998) não deixam de ser superdotadas, todavia alguns autores como Freeman e Guenther (2000) relatam exemplos que alguns dos adultos que se tornaram superdotados eminentemente foram um dia crianças precoces, assim, gerando confusões até mesmo para os leigos que não entendem as concepções teóricas divergentes.


A explicação se dá pelo fato de que há inúmeros aspectos que modificam as etapas etárias de uma criança dita precoce, além do patamar da habilidade. Comportamentos como estar motivado, a vontade de aprender, a curiosidade, Istoé, a personalidade individual da criança, o ambiente em família que ajuda no progresso e as oportunidades ao longo da vida se destacam como fatores essenciais para a detecção de talentos.


Citamos o caso de Yohan Lucian, paraibano e residente da capital do Maranhão, São Luís, que aos dois anos de idade já sabia todo o alfabeto, o nome de todas as cores, realizar todas etapas para ligar o computador e realizar desenhos no programa paint, assim como digitar as letras na ordem do alfabeto, contar até 20 em português e inglês e ser um excelente montador de quebra-cabeças indicado para crianças de 6 anos, sem ao menos ter iniciado sua vida escolar. Os pais, professores da educação superior, ambos com pós-graduações ajudaram a incentivar o filho a se desenvolver. Hoje ao completar 10 anos, já no 7º ano, 6ª série do ensino fundamental maior e está progredindo bem com notas altas.


O caso de Yohan é um exemplo que confunde certas pessoas que já o chamavam de superdotado com tão pouca idade. O fato é que esta criança é extremamente boa em matemática, muito embora diga que não gosta. Certa vez com apenas oito anos, resolveu um exercício-problema sobre potência que seu primo que estava no 7º ano não conseguiu resolver. O menino gosta de ciências, pintura, música, biologia e adora futebol, e diz eu se não for jogador profissional vai ser juiz federal, pois quer ser uma pessoa que ajude os outros com justiça. Yohan é excelente em todas as áreas, aprende tudo com muita facilidade, mas só se destaca em algumas. Como ainda não apresentou nenhuma teoria ou descoberta criativa para humanidade não deve ser chamado de gênio, a não ser acompanhando o seu desenvolvimento ao longo do tempo. Como o caso de Einstein, cientista mundialmente conhecido pela criação da Teoria da relatividade estudada até hoje nas organizações especializadas e não-especializadas, que tinha dificuldades de ler e soletrar e foi reprovado em matemática.


Então, concordando com Alencar (2001) propagar a superdotação como uma competência extremamente elevada em todas as áreas, gerando uma expectativa de desempenho e de produção que não se observa neste grupo de forma homogênea pode ser um erro. Freqüentemente o superdotado é associado ao gênio, às habilidades inatas e ao próprio desempenho otimizado em todas as áreas, consoante Fleith & Alencar (2001), exemplificando uma tamanha desinformação sobre o tema da sociedade.


Para saber mais sobre o termo gênio, retrocedemos à história citando o ano de 1926, com a obra intitulada Genetic Studies of Genius, de Lewis Terman, amplamente divulgado em sua definição como gênio qualquer criança com um quociente de inteligência (QI) superior ao score 140, pelo teste Stanford-Binet, porém alguns estudiosos como Feldhusen (1985) e Feldman (1991) atribuem a terminologia "gênio" como apenas aquelas pessoas que deram contribuições originais e de grande valor à humanidade em algum momento da idade. A diferença do gênio em relação ao precoce, superdotado ou talentoso é que os gênios são indivíduos que efetuam ou efetuaram grandes realizações durante suas vidas e que são muito particulares com relação à criatividade e conhecimento ilimitadas, únicas e excepcionais. Para citar alguns gênios das diversas áreas: Isaac Newton, Thomas Edison, Beethoven, Leonardo da Vinci, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, Dr. Robert Jarvick inventor do coração artificial e outros.


Com relação ao superdotado ou portador de altas habilidades, estes indivíduos são mais adequados para definir crianças e/ou adolescentes que apresente indicações de habilidade superior em alguma área do conhecimento, quando comparado à pessoas comuns, de QI mediano.


Feldman (1991) apresenta uma diferença importante entre o indivíduo superdotado, que se sobressai pelo QI alto a partir da medição por testes psicométricos, e o indivíduo chamado de prodígio.


Consoante o autor o termo "prodígio" é usado para designar a criança precoce que apresenta um alto desempenho, ao nível de um profissional adulto, em algum campo cognitivo específico. Assim, o prodígio é particular, único, sobremaneira no sentido de apresentar certa habilidade altamente especializada, assim orientada a partir de situações bem específicas com relação ao ambiente sócio-cultural. Porquanto, de forma contrária, o superdotado é quase sempre um generalista e o prodígio, um especialista, pois a criança superdotada com alto QI possui habilidades intelectuais generalizadas que facilita patamares mais extremos de funcionamento em uma grande amplitude de ambientes. Logo, ambos podem apresentar feitos diferenciados que refletem certas habilidades distintas.


Para Virgolim (2007, p.25): "Os prodígios são, como um todo, especialistas extremos, especialmente bem sintonizados a um campo particular do conhecimento, demonstrando um domínio rápido e aparentemente sem esforço." Assim sob essa ótica há prodígios que podem ser ou não talentosos sob o aspecto de uma perícia intelectual mais geral, não necessariamente pendendo para um desempenho fenomenal em muitas áreas. "Sendo precoce, o prodígio revela uma tenacidade no seu envolvimento com sua área de talento, sendo este aspecto absolutamente necessário para sua satisfação, expressão e bem-estar.


Desta forma, o prodígio é relativamente raro e necessita da convergência de um número de circunstâncias únicas para permitir uma completa e especializada expressão de um poderoso potencial. O prodígio emerge em um ambiente onde converge a tendência altamente específica do indivíduo de se engajar profundamente na área em que apresenta precocidade com uma específica receptividade ambiental, sendo por isso mesmo infreqüente e improvável.


Os prodígios estão em várias áreas, como podemos ver na matéria da Revista Época, n. 343, do ano de 2004 o caso do pianista Pablo Rossi, que aos sete anos ganhou o concurso para piano: Jovens Intérpretes, de Lages, e passou a ter aulas em Curitiba com Olga Kiun, pianista russa naturalizada brasileira, que também era uma criança prodígio que fez seu primeiro recital solo aos nove anos e aos doze realizou seu primeiro concerto como solista de orquestra. Aos 10 anos, Pablo conseguiu o patrocínio do Governo do Estado do Paraná conseguiu uma bolsa de estudos para cursar o Conservatório Tchaikovsky de Moscou, a convite da Sociedade Rachmaninov, no final de 1999, oportunamente participando das masterclasses de Alexander Mndoyants e Viktor Merdjanoff. Já aos 11 anos gravou um CD com obras clássicas de Chopin, Bartók, Schumann, Tchaikovsky, Rachmaninov, Shostakovich e Nepomuceno, tendo sido também notícia na mídia impressa.


Um exemplo de prodígio acadêmico é o caso do jovem norte-americano Gegory Smith que tem uma biografia excepcional com apenas 17 anos. Vamos retroceder na sua idade para entendermos. Gregory Robert Smith foi uma criança, um jovem precoce em muitas áreas e de uma maneira em termos qualitativos diferente da grande maioria das crianças. Com apenas dois meses de vida começou a falar. Ainda com um ano e dois meses já era capaz de nomear toda a classificação e tipologia dos tipos dinossauros que já existiram e de resolver problemas simples de álgebra. Aos 2 anos já lia e corrigia a gramática de adultos. Ainda nesta idade também decidiu não mais comer os sanduíches da famosa rede McDonald's, decidindo tornar-se vegetariano.


O caso de Greg, como os amigos o chamam é tão espantoso que apenas com 5 anos era capaz de recitar trechos de livros de memória (tinha na cabeça a coleção inteira de Júlio Verne) e era capaz de discorrer sobre vários assuntos de várias áreas do conhecimento humano. Seus paisn o apoiaram muito e explicam que, nesta idade, sua capacidade mental, medida por testes de QI, ultrapassava os limites dos próprios testes. Assim Greg Smith foi acelerado nos estudos e o estudo comprimido no período de um ano o menino cumpriu sete séries escolares (da segunda à oitava), pulando toda a terceira série e cumprindo um curso de Álgebra em 10 semanas. Entrou para o ensino médio aos sete anos no Orange Park High School, na Florida. Daí para frente com 13 anos recebeu seu diploma de graduação suma cum laude em Matemática na Randolph-Macon College, em Ashland, Virginia. Mestre em Matemática aos 16 anos pela Universidade de Virginia, EUA (2006) e sua intenção é obter seu PhD em quatro diferentes áreas: matemática, engenharia aeroespacial, ciência política e engenharia biomédica e após se candidatar à presidência dos Estados Unidos. É fundador da International Youth Advocates, dedicada à defesa de jovens e crianças carentes e à paz mundial. Em suas viagens ao exterior (já visitou nove países em quatro continentes, incluindo o Brasil) e dentro de seu próprio país, Gregory dá palestras sobre o fim do ciclo da violência e sobre a manutenção da paz. Já se encontrou com a rainha Noor, da Jordânia, com presidentes, como Bill Clinton e Mikhail Gorbachev, líderes religiosos como o Arcebispo Desmond Tutu da África do Sul, e educadores para discutir suas idéias para a educação e para a paz. Foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 2002 (quando tinha 12 anos), continuando a concorrer nos anos posteriores de 2003 a 2006[1].


Acrescenta Virgolim (2007, p.25) sobre os casos distintos de Mozart e Leonardo da Vinci. Não obstante, "Mozart é o exemplo do especialista: múltiplas e profundas habilidades musicais, mas em outros aspectos uma pessoa simples e intelectualmente normal. Já Leonardo da Vinci representa o perfil do generalista: erudita, curioso, uma mente vigorosa que dominou e contribuiu significativamente em uma variedade de diferentes domínios".


Para finalizar cito o termo idiots savants, os chamados sábios idiotas, indivíduos autistas que possuem uma enorme habilidade, seja minemônica, para desenho, música, pintura, ou grandes cálculos mentais. Notadamente recordo-me de Kim Peek, norte-americano, apelidado de Kim-computer, pois registrava dados puros em sua memória como se fosse um computador. Segundo seu pai, aos 4 anos e meio havia aprendido de memória os oito primeiros volumes de um dicionário enciclopédco. Kim leu mais de 12 mil livros e que segundo especialistas, retia na memória praticamente 98% do que lia, conseguindo ler um livro com o olho direito a página direita e com o olho esquerdo a página esquerda. O autista savant conhecia todas as inúmeras datas históricas de 2000 anos e memorizou todo o sistema telefônico dos EUA, inclusive a Bíblia assim como Kim foi homenageado no filme "Rainman", estrelado por Dustin Roffman e Tom Cruise, onde o primeiro ator o representava.


Com memória excepcional lembrava-se de mais de 10 mil melodias que escutava uma só vez, incluindo clássicas, nacionais, internacionais, rock, blues, etc e tinha praticamente memorizado toda a história, ciências, literatura não só dos EUA, mas de quase o mundo todo. Difícil de acreditar leitor, mas o fato é que a memória de Kim era considerada por muitos especialistas como ilimitada.


O pai de Kim, Frank Peek, certa vez comentou que Kim, foi levado ao médico aos 9 meses e que este disse que ele teria um grave retardo mental e não poderia aprender nada tendo que interná-lo. O pai ajudava-o a se vestir e acompanhava-o nos lugares para que ele não se perdesse, pois possivelmente tinha a chamada síndrome de Asperger. Outro autista famoso, também sábio idiota é Daniel Tammet eu aos quatro anos descobriu que poderia fazer cálculos mentais complexos, fala nove idiomas e diz que pode aprender rapidamente uma língua estrangeira em uma semana, e conseguiu citar mais de 22.514 dígitos após a vírgula do número PI (π) = 3,14.....


No Brasil, curioso é o caso de Cleonilson, natural do Estado do Rio Grande do Norte, um homem humilde e sem instrução regular que dorme nos bancos da rodoviária sabe realizar cálculos mentais extremos e conta rapidamente vários dados jogados sobre uma mesa com a maior facilidade e muito rapidamente.
Como um analfabeto pode vencer uma máquina de calcular?


Numa dessas minhas pra lá de mil leituras li o livro "Conheça a sua mente" que exemplificava casos de sábios idiotas há séculos atrás. Os sábios idiotas embora sejam brilhantes em ter algum talento não são gênios, mas às vezes são confundidos por leigos como tais. O fato é que especialistas relatam que apenas 2% da população mundial apresentam traços de superdotação, assim, indivíduos portadores de altas habilidades nascem por todo o mundo e como tem inteligência superior necessitam de acompanhamento profissional e apoio da família já que são mais suscetíveis emocionalmente e precisam de ajuda para se desenvolverem plenamente e serem felizes.


[1] Fonte: http://www.vegetarianismo.com.br/sitio/index.php?option=com_content&task=view&id=471&Itemid=103

REFERÊNCIAS


ALENCAR, E. M. L. S. Criatividade e educação de superdotados. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.


ALENCAR, E. M. L. S., & Fleith, D. S. Superdotados: Determinantes, educação e ajustamento (2ª. Edição revista e ampliada). São Paulo: EPU, 2001.


ANDRADE, F. R. E. O desafio de ser portador de altas habilidades, 2010. Disponível em: Acesso em: 06 mar 2011.


FELDHUSEN, J. F. Toward excellence in gifted education. Denver: Love Publishing, 1985.


FELDMAN, D. H. Nature's gambit: Child prodigies and the development of human potential. New York: Teachers College Press, 1991.


FREEMAN, J., & GUENTHER, Z. C. Educando os mais capazes: Idéias e ações comprovadas. São Paulo: EPU, 2000.


VIRGOLIM, Angela M. R. Altas habilidade/superdotação: encorajando potenciais . Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2007. 70 p.: il. color.


SÍTIO VEG. Conversa com um gênio. Entrevista à Maga.zine. (João Magalhães), 200[?]. Disponível em:

http://www.vegetarianismo.com.br/sitio/index.php? option=com_content&task=view&id=471&Itemid=103 Acesso em 06 mar 2011.


WINNER, E. Crianças superdotadas: Mitos e realidades. (S. Costa, Trad.). Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

 

 

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Autor
Flávio Roberto Evangelista de Andrade é graduado em Administração pela Universidade Estadual do Maranhão, pós-graduado em Administração pública e é Mestrando profissional em Gestão Estratégica de Pessoas (MBA) UNICSUL- São Paulo.
Atua também como docente convidado da UEMA e docente da UVA/IDEM, é facilitador convidado pelo SENAC, palestrante e consultor pela Maranhão Assessoria, onde trabalha nas áreas de Marketing, RH, Planejamento Estratégico, Empreendedorismo, e outras.
 
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