20 de setembro de 2011, às 10h25min

Principais aspectos a serem observados em uma avaliação de risco de crédito de EMGP¹

Este artigo busca trazer uma descrição dos principais aspectos observados por instituições financeiras quando da definição do risco de crédito do tomador.

Tamanho do texto:
 
Compartilhar

Todas as operações que envolvem um certo período de tempo entre a posse do ativo e seu respectivo pagamento, acabam de uma forma ou outra ocorrendo em condições de crédito, o que consequentemente, implica na existência de uma relação de confiança entre as partes envolvidas. Por outro lado, surge também o risco da operação não acontecer conforme o esperado, seja pelo não pagamento ou pelo pagamento em valor inferior ao estipulado. Existe, portanto, a necessidade de avaliar a capacidade do tomador de crédito de honrar os termos contratados e de garantir o pagamento das obrigações.

Neste sentido os riscos do tomador de crédito são identificados, avaliados e classificados por meio de modelos e métodos baseados em critérios aceitos pelo mercado e validados interna e externamente, estes critérios podem contemplar o credit scoring², avaliação cadastral, apuração de limites de crédito, avaliação do conglomerado, fluxo de caixa retrospectivo e/ou prospectivo, gestão organizacional e análise econômico-financeira. Adicionalmente, quando o tomador for uma EMGP existe a necessidade da avaliação de crédito contemplar também fórmulas estatísticas por setor de atuação da empresa.

Segundo Securato et. al.(2007), os critérios de avaliação de risco de crédito são norteados pelos chamados "C's do Crédito" descritos por Weston e Brigham, no livro Managerial Finance, como sendo: o caráter, as condições, a capacidade, o capital e o colateral. Adicionalmente Silva (2008), inclui o Conglomerado, que expressa a necessidade de um exame conjunto do grupo econômico do qual faz parte a empresa tomadora do crédito.

A seguir serão listados os aspectos que são considerados de maior relevância em uma avaliação de risco de crédito de EMGP:

1 - Capacidade de geração de caixa

É um dos aspectos principais, pois interfere diretamente na capacidade de honrar o serviço (obrigações) da dívida. A operação da empresa deve gerar caixa suficiente para pagar impostos, custos e despesas operacionais e honrar a dívida. Esta análise se mostra especialmente importante quando se tratar de concessão de crédito de curto prazo.

2 – Análise econômico-financeira

A estrutura de capital da empresa deve ser compatível com a atividade-fim da companhia e do setor onde esta inserida. Em relação ao endividamento, destaca-se que empresas muito alavancadas devem apresentar resultados estáveis e suficientes, caso contrário o risco de crédito será muito elevado.

3 - Liquidez

Os indicadores de liquidez também estão associadas à capacidade de pagamento. Empresas com ativos de longo prazo devem apresentar passivos, igualmente, de longa maturação, caso contrário correm o risco de ter que liquidar ativos por um preço inferior ao contabilizado ou não conseguir liquidá-los, originando inadimplência. Este item diz respeito também ao bom gerenciamento da necessidade de capital de giro para financiar as operações da empresa, não raro empresas que apresentam crescimento exponencial de faturamento encontram dificuldades de gerenciar sua liquidez, apresentando o que Silva (2008) descreve como "Efeito Tesoura"³.

4 - Capacidade de gestão

Avaliar a qualidade da administração da empresa envolve o alinhamento de prazos financeiros e operacionais, retorno dos investimentos, tempo de mercado, nível acadêmico e experiência dos gestores. Empresas com ciclos financeiros e operacionais adequados, investimentos rentáveis e maduras no mercado tendem a minimizar o risco de crédito.

5 – Histórico de pagamentos (Caráter)

Este aspecto busca avaliar à intenção do tomador de cumprir com a promessa de pagamento, é necessário conhecer a evolução da empresa e seu desempenho quanto à pontualidade no pagamento de suas obrigações. Caso houver alguma restrição cadastral, estas serão classificadas, quanto ao grau de severidade de acordo com impacto no risco de crédito, obedecendo-se natureza, condições e finalidade da operação de crédito.

6 - Garantias

Este na verdade é um mitigador do risco de crédito, nesse caso deve-se avaliar a qualidade das garantias e sua liquidez, para que, no caso da ocorrência de inadimplência, as mesma possam ser executadas e transformadas em recursos. Em caso de necessidade de fortalecimento das garantias, é usual a utilização de covenants.

A análise dos aspectos destacados acima é realizada através de modelos matemático-estatísticos, onde são atribuídos pesos a cada um dos fatores, bem como através de avaliações qualitativas e quantitativas baseadas na experiência do analista de crédito, e referenciadas em manuais internos de procedimentos operacionais.

Ao realizar a análise destes aspectos é possível posicionar o tomador de crédito em um nível de risco, chamado de rating, e a partir deste decidir pelos limites de crédito a serem disponibilizados ao tomador. Os níveis de classificação do risco de crédito utilizados pelas instituições financeiras variam entre AA para os de menor risco até H para tomadores inadimplentes ou sem capacidade de pagamento, e são aplicados conforme regulamentação legal estabelecida pelo Banco Central do Brasil, mais especificamente a Resolução BACEN nº. 3721 de 30.04.2009, que dispõe sobre a implementação da Estrutura de Gerenciamento de Risco de Crédito alinhada ao acordo de Basiléia II – International Convergence of Capital Measurement and Capital Standards, publicado pelo Bank for International Settlements – BIS em de junho de 2006.

Referências Bibliográficas

SILVA, José Pereira da. Gestão e análise de risco de crédito. 6. ed. São Paulo: Atlas,2008

SECURATO, José Roberto, et. al. Crédito: Análise e Avaliação do Risco. 1. ed. São Paulo: Saint Paul Editora, 2007.

1- EMGP – Empresa de Médio e Grande Porte

2 - Credit Scoring – é um modelo de avaliação do risco desenvolvido por metodologia estatística, que consiste na atribuição de uma nota de risco (escore) para um candidato à obtenção de crédito, a partir de informações consideradas relevantes na definição da sua capacidade de crédito;

3 - Efeito Tesoura – Ocorre quando a Necessidade de Capital de Giro cresce mais rapidamente do que a empresa consegue financiar com capital próprio, margem de lucros ou passivo circulante cíclico (não oneroso).

 

Curta o Administradores no Facebook e siga os nossos posts no @admnews.


As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
Assuntos
Gostou?
 
Autor
Estudante de Administração de Empresas
Profissional do setor bancário
Realiza pesquisas sobre liderança, processos, qualidade, management, estratégia e gestão de pessoas.

 
Mais do autor
Deixe seu comentário

Baixe gratuitamente o app da Revista AdministradoresE tenha acesso às edições da revista. Disponível para iPad, iPhone e iPod Touch.
Últimos comentários
 
  Caros senhores, bom tarde a todos,   Com o devido respeito, discordo da opinião emitida pelo autor...
 
isso não resolve porque nos dias de medição a empresa sabe e proibe os operadores de tirar pausa par...
Elizangelasouza 15 hora(s) atrás em
Novas estratégias para novos comportamentos
 
Um artigo de grande relevância para àqueles que acreditam que a mola mestre de toda ação perpassa po...
Informativos
Receba nosso informativo em seu e-mail.


Enquete
Você, estudante de Administração, pretende seguir qual caminho ao concluir o curso?
Prestar concurso público
Abrir seu próprio negócio
Trabalhar para empresas privadas
Seguir carreira acadêmica
Outros

Indicadores
Câmbio
PapelCompraVenda
Dólar ComercialR$ 1,99R$ 2,00
Dólar Paralelo SPR$ 1,91R$ 2,14
Dólar Turismo SPR$ 1,91R$ 2,14
EuroR$ 2,49R$ 2,49
Bolsa de valores
BolsaVariaçãoFechamento
Bovespa+0.7454063.00
Dow Jones-0.6012454.83
Nasdaq-0.072839.38
Fonte: