03 de julho de 2008, ās 14h16min

Público e Privado - 2

Por Carlos Cesar D'Arienzo
 

O brasileiro conhece pouco a História do seu país e conhece menos ainda as realidades dos países que tenta copiar. O público e o privado são importantes, mas não devem ter o mesmo tamanho na economia, pois isso implicaria formulação econômica difícil de ser implementada, difícil e possivelmente ineficiente. A capacidade de empreender pertence à iniciativa privada, ao Estado cabe promover regulações no sistema econômico e ofertar bens e serviços sempre que a iniciativa privada não tiver interesse em fazê-lo.


O que nos leva a discutir Estado mínimo versus Estado máximo, entendamos que isso é o resultado de ingerência excessiva de argumentos políticos de pouca ou nenhuma sustentação teórica nos assuntos de economia e administração pública. O Estado não é mínimo ou máximo, cada Estado tem o formato que espelha as correlações entre História, Política e Economia de um povo. Não pode ser arbitrado ou estipulado por conjunto de ações administrativas ou estritamente econômicas.


Voltando para as formulações :



Y = C + I + G + X - M


Y = Renda Nacional ( aqui expressa como bens e serviços).
C = Consumo das famílias .
I = Investimento das empresas privadas e públicas .
G = Gastos do governo.
X = Exportações de bens e serviços.
M = Importações de bens e serviços.


Observem que o governo (G) representa um dos elementos macroeconômicos que explicam a Produção Nacional de bens e serviços, mas ele não é o único nem precisa ser o principal. As empresas privadas também consomem, investem, exportam e importam bens e serviços.


Contudo, precisamos entender que se o governo reduzir (por exemplo) em 10% os seus gastos (G) , isso não quer dizer que a iniciativa privada irá compensar a falta desses recursos, ou seja, a atividade econômica poderá decrescer em função dessa redução de gastos (G).


Outros exemplos, quando um governo cria subsídios para os cidadãos mais pobres poderem participar do processo de consumo, está viabilizando o crescimento econômico por intermédio do incentivo social e as empresas privadas também se beneficiam. Quando redistribui renda está construindo e ampliando o mercado consumidor para viabilizar investimentos privados e o crescimento econômico.
Quando subsidia os empréstimos do BNDES para empresas privadas com projetos exeqüíveis e rentáveis está promovendo o crescimento dos investimentos e criando condições para viabilizar preços compatíveis com a renda pessoal do cidadão. Quando subsidia o transporte para o trabalhador está viabilizando a atividade econômica. Quando subsidia a cesta básica está promovendo as condições necessárias para a estabilidade no preço da mão-de-obra do processo produtivo. Quando empresta recursos a outras nações está viabilizando o comércio exterior das empresas privadas nacionais. Quando financia a exportação nacional diversificada esta facilitando a exportação da produção nacional. Quando subsidia a importação de capitais está contribuindo para o crescimento da atividade econômica, das empresas privadas e do emprego etc.


A iniciativa privada investe conforme seus interesses (naturalmente) e esses interesses nem sempre coincidem com os interesses gerais da sociedade, da nação. A iniciativa privada não pode sozinha, mesmo que queira , cumprir determinados fins de regulação e equilíbrio do sistema econômico nacional. É preciso haver equilíbrio de interesses entre o que é público e o privado, isso não significa dividir meio-a-meio a participação de cada setor, público e privado, na composição do sistema econômico.

O critério de endividamento (dívida pública) não pode ser utilizado como medida principal para avaliar sequer as eficiências e produtividades das empresas privadas , quanto mais do setor público, que não se orienta pelos mesmos critérios da iniciativa privada, os críticos (principalmente os da imprensa) dos gastos públicos ignoram isso. Em resumo, o critério de endividamento não está associado diretamente à produtividade, empresas privadas endividadas podem e são eficientes e produtivas, inclusive o endividamento controlado pode até ser estratégia empresarial, do mesmo modo que o endividamento público pode representar investimento social.

Outros critérios para produzir eficiências e produtividades entram em cena, exemplo : participação de mercado, minimização de custos , preços dos equilíbrios, os pontos dos equilíbrios entre receitas marginais e custos marginais , as elasticidade-preços das demandas, as funções que explicam as demandas, as projeções dos níveis ótimos das produções, os cálculos das propensões marginais a consumir dos clientes, o entendimento das divisões dos mercados, preferências dos consumidores, inovações tecnológicas, qualidade, reações cruzadas e concorrência direta entre empresas. A compreensão das mudanças nos campos : tecnológicos , sociais , macroeconômicos , microeconômicos , demográficos, políticos, legais, e das relações exteriores (entre países e empresas).


Todos esses elementos influenciarão os níveis de atuação da empresa privada diante de como os mercados se regulam e interagem e de como deve ser sua resposta aos níveis de preços, planos de modernização, administração financeira e de tesouraria, planos de vendas, produção e marketing. Como podem perceber , o endividamento de uma empresa privada não é o único elemento de avaliação sobre eficiências e produtividades, que possa sozinho, determinar a sobrevivência , sucesso ou insucesso desta.


Qualquer ação governamental deve ser de caráter legal , indutora do crescimento e do bem-estar social. Esta é a obrigação do Estado e infelizmente não é prática no Brasil.

A sociedade brasileira precisa modificar sua postura diante das coisas públicas , por exemplo, devemos exigir e pressionar, via contacto com nossos políticos , a profissionalização total dos quadros das empresas públicas, incluindo os primeiros e segundos escalões dessas empresas, deixando ao governante eleito a possibilidade de indicar uma dezena (no máximo) de assessores de confiança para todo o governo, afinal, a confiança da República são seus servidores profissionais, concursados, de carreira, que servem ou deveriam servir ao Estado brasileiro e, não a governos transitórios.


Como podem perceber trata-se de muito mais do que simplesmente demitir servidores públicos nos mesmos moldes das revolucionárias reorganizações que nossos empresários costumam fazer nas empresas privadas cortando o cafezinho e mexendo no organograma da empresa, além de demitir funcionários.

Por fim, precisamos nos policiar, pois costumamos utilizar critérios amplos nas críticas e considerações que fazemos sobre determinado assunto que não condizem com o conhecimento em profusão (que deveríamos ter) do que estamos criticando, normalmente nossa visão do objeto em crítica é turva, segmentada, preconceituosa e não raro, incompleta.

Somente com uma revolução educacional os brasileiros terão uma educação voltada para os interesses do Estado e das empresas privadas e a constituição da cidadania.

 
http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/publico-e-privado-2/23808/