Raves no sambódromo de São Paulo chegam a 100 dB em zona residencial
O barulho perto do Sambódromo de SP, medido com decibelímetro a mais de 4 km deu entre 85 e 105 dB de madrugada. Passa longe dos limites da Lei do Silêncio (65 dB). Quem se sensibilizar, assine o abaixo-assinado no final do texto
Com a acumulação da população em cidades, a poluição sonora ocupa um papel muito maior do que o de simples transtornos ao sistema auditivo humano. O chamado ruído de fundo na Grande São Paulo ultrapassa a marca do razoável, quando a partir de 65 dB (decibéis) começa a incomodar, e a partir de 80 dB já causa perdas de audição, e a 85 dB essas perdas são irreversíveis, mesmo nas pessoas mais jovens. A audição é o primeiro sentido de alerta do ser humano e dos animais superiores, que ao ouvirem um som inusitado se preparam para uma reação de defesa.
Por isso mesmo, o ouvido não se desliga, nem mesmo durante o sono. Se um som ou ruído perdura continuadamente, é mantido um estado de alerta que causa efeitos em outros órgãos além do ouvido. Para simplesmente ouvir uma conversa, é necessário que esta esteja 10 dB acima do ruído de fundo, o que pode gerar conversas acima de 70 dB, considerado o limite entre falar e gritar. Além disso, a reação neurovegetativa a estes volumes mantém a vasoconstrição periférica no organismo, que conjugada ao maior afluxo de sangue no cérebro aumenta a pressão arterial e a pulsação cardíaca.
Estudos realizados durante o 19º Encontro Internacional da Sociedade Brasileira de Acústica - SOBRAC - demonstraram que grupos de trabalhadores submetidos a níveis de ruído entre 60 e 115 dB apresentaram maior incidência de hipertensão e infarto do miocárdio. Pessoas com 25 anos de idade, submetidos a estes níveis durante 10 anos apresentaram problemas cardíacos comuns a quem passa dos 50 anos de idade. Outros estudos na Alemanha, baseados em ruído urbano de 70 dB, apontaram a incidência de um aumento de 20% em infartos.
Sons ou ruídos de baixa frequencia - os sons graves por volta dos 500 Hz - captados por órgãos humanos de grosso calibre (vasos sanguíneos principais, estômago e intestino) desencadearam alterações nos movimentos peristálticos, levando a diarréias ou prisão de ventre, aumento de secreções gástricas, gastrites e úlceras do duodeno. Em outras frequencias, foram constatadas alterações do sistema endócrino, com aumento da produção de de adrenalina e cortisol, causadores de hipertensão, hipertiroidismo e diabetes.
Até as funções sexuais humanas são afetadas pela poluição sonora, com a diminuição da libido pela alteração da hipófise e seus hormônios gonoidais, levando à impotência e/ou infertilidade. Finalmente, um dos efeitos curiosos do ruído é a sua ação de viciar, causando dependência química. O estresse pelo ruído libera endorfinas, e a partir de 55 dB ocorre a liberação de noradrenalina, base das anfetaminas que leva à produção de morfina endógena, criando indivíduos ruído-dependentes em virtude da liberação de substâncias psicotrópicas como reação ao ruído.
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Formado em Jornalismo (Cásper Líbero) e Composição & Regência (UNICAMP), diretor da PAUTA Arte & Comunicação Ltda. , editor da revista On&Off, e autor do blog PLAY.
Membro fundador do Núcleo Música Nova de SP(74), Prêmio APCA Melhor Música Para Coreografia(76), Menção Honrosa Festival de Campos do Jordão(88), Prêmio Sérgio Motta de Arte & Tecnologia(2007). Em 2009 recebeu o Troféu Clave, da Ordem dos Músicos do Brasil, São Paulo.







