23 de setembro de 2009, às 02h14min

Redução de Custos através da otimização e da inovação

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Por Marcelo Mirisola e Adriano Lima

Um sistema, seja ele um produto ou um processo, evolui ao longo do tempo na direção do que pode ser chamado "sistema ideal", onde todas as funcionalidades são alcançadas com custo nulo. Em geral, esta evolução ocorre intercalando momentos de alta evolução com momentos de estagnação, formando sucessões de curvas em forma de "S", chamadas de "Curvas-S" [1].

O custo de um sistema geralmente também evolui de acordo com as "Curvas-S", intercalando momentos em que grandes reduções de custos são alcançadas, com momentos em que quase não há evolução, dando a impressão de que os custos chegaram ao menor patamar possível. Até que uma alteração dá início a um novo período de ótimas oportunidades de redução de custos.

É exatamente a existência deste ciclo uma das principais causas da existência de casos de sucesso e casos de falha das ferramentas convencionais mais conhecidas de redução de custos, como por exemplo, "Kaizen", "Kanban", "SixSygma", "Design Of Experiments", "Activity Based Costing", entre outras. Em geral, estas ferramentas se baseiam na otimização incremental do sistema, tornando-o mais eficiente. Por exemplo, buscando a quantidade mínima ótima de recursos em que a produção consegue atender a uma dada demanda, ou a menor quantidade de matéria-prima possível em que uma estrutura consegue resistir às forças externas, etc. Porém, quando estes pontos ótimos são alcançados, as ferramentas convencionais baseadas em otimização já não conseguem trazer novos ganhos.

Esta interrupção dos ganhos ocorre porque atinge-se um ponto onde a melhoria em uma dada característica do sistema causa uma piora não tolerável em uma outra característica. Neste caso, é necessário realizar um trade-off entre estas características, ou seja, ocorre uma contradição onde uma modificação no sistema é positiva em relação a uma delas e negativa ao mesmo tempo em relação à outra característica. Um exemplo clássico de contradição ocorre na área médica, onde um médico deseja receitar um medicamento para curar um paciente, ao mesmo tempo em que não deseja receitá-lo devido aos efeitos colaterais nocivos. A solução usual em um caso como este é encontrar uma dose intermediária que permita a cura sem causar efeitos colaterais graves. Em outras palavras, a contradição impede que os dois objetivos sejam alcançados completamente.

Na situação onde uma contradição é identificada, a única maneira de se alcançar novas evoluções é através das chamadas soluções disruptivas, que rompem as atuais contradições do sistema. Este tipo de solução permite o início de uma nova "Curva-S" de evolução, e em geral vem acompanhada de grandes oportunidades de negócio.

As soluções disruptivas dificilmente podem ser identificadas pelas ferramentas convencionais. Estas são descobertas apenas através de uma inovação, seja esta proveniente de uma nova tecnologia, de uma nova ferramenta, de um novo processo ou de uma grande idéia gerada por alguém em algum lugar.

O problema para a continuidade da evolução do sistema passa a ser a imprevisibilidade em que as inovações ocorrem quando tratadas de maneira convencional. As próximas inovações de um sistema certamente um dia ocorrerão naturalmente, entretanto o tempo necessário é imprevisível, interrompendo os ganhos alcançados e prejudicando o planejamento da empresa interessada.

No entanto, também existem ferramentas destinadas a buscar as inovações e soluções disruptivas que permitirão o início de uma nova "Curva-S". Estas ferramentas são agrupadas em uma técnica chamada de Inovação Sistemática [1], que visa identificar inovações de forma sistemática e previsível. Esta se baseia nos seguintes pilares:

. Rompimento da Inércia psicológica;
. Indução do Pensamento Criativo;
. Direcionamento baseado em fatos;
. Histórico de inovações;
. Etapas claras e objetivas;
. Emoção e Preparação do Clima.

Sendo assim, uma empresa que deseja investir de forma eficiente em iniciativas de redução de custos deve ter em mente que as ferramentas convencionais de otimização e redução de custos trarão resultado até que uma contradição apareça. Neste momento, a única forma de continuar a evolução será através de uma inovação. Neste contexto, a aplicação de ferramentas de inovação sistemática passa a ser essencial para manter a evolução e o aumento de competitividade da empresa.

[1] Mann D, Hands On - Systematic Innovation, Lazarus Press, 2004.
 

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As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
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Autor
Adriano Roberto de Lima, D.Sc.
É doutor em física e trabalha com consultoria em inovação sistemática para transformar pessoas comuns em grandes inovadores.
 
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