11 de janeiro de 2012, às 12h36min

RH : emprego para poder procurar emprego

Dos recrutadores e selecionadores (administradores ou psicólogos) esperam-se valores de responsabilidade social, ética profissional, justiça, formação humanística e visão acurada para que compreendam o meio cultural, político e econômico onde estão atuando.

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Não é de hoje que os departamentos de Recursos Humanos (RH) estão na berlinda. No Brasil, mesmo com índices satisfatórios de desemprego (6% IBGE-primeiro semestre 2011), precisamos atentar que ainda ocorre considerável rotatividade da mão de obra, qualificada ou não, em 2010 o índice de sua rotatividade atingiu 53,8% (DIEESE), desconsiderados os desligamentos por mortes, aposentadorias e demissões voluntárias, o índice marcou 37,3%.


Para mascarar essas estatísticas que não condizem com uma nação desenvolvida, nossos recrutadores/caçadores de cabeça (headhunter, para os que fazem questão do anglicismo) contam-nos uma falácia, ou, uma historinha do vovô e da vovó :

 "É bom, para seu CV que você tenha passado por várias empresas, ficar numa só empresa por alguns anos demonstra estagnação, falta de ambição, pouca experiência diversificada etc."

Infelizmente, no Brasil, face ao pobre estado de nossa Educação (inclusive na Universidade) e do processo bem sucedido de imbecilizar a sociedade pelos meios de comunicação e por algumas "manifestações culturais" enfiadas goela abaixo do povo diariamente,ano após ano, quando o País está no eixo do desenvolvimento econômico e social, essas "verdades" são propagadas.

A classe média, estudada e com experiência profissional, não escapa ao terror de procurar emprego e ficar à mercê de departamentos de RH que pouco primam pelo profissionalismo.

Do mesmo modo que, nos dias de hoje, se pudéssemos imaginar uma visita de F. W. Taylor a um bom número de instalações industriais brasileiras, ele pensaria ter retornado ao século XIX, talvez ao XVIII, em alguns casos e regiões. Nos departamentos de recursos humanos, que deveriam ser a vanguarda das relações humanas, notadamente as civilizadas, não seria diferente se imaginássemos que Elton Mayo os visitasse e pensasse estar vivendo no século XV sob uma espécie de T. Torquemada, uma inquisição sobre a psique dos pobres candidatos.

Além disso, em situação bizarra, os candidatos precisam procurar emprego (ou bico) para continuarem a busca pelo emprego. São despesas com transporte, estacionamento, alimentação, alojamento, testes psicológicos (cobrados ilegalmente) e toda a sorte de testes infundados, horários não programados e desrespeitados, situações embaraçosas e vexatórias a que são expostos para satisfazer os egos de alguns selecionadores.

Recentemente, em 9/1/2012, neste conceituado site :

http://www.administradores.com.br/informe-se/carreira-e-rh/que-bicho-voce-seria-perguntas-inusitadas-na-entrevista-de-emprego-sao-para-testar-o-candidato/51274/

"Que bicho você seria? Perguntas inusitadas na entrevista de emprego são para testar o candidato."

Naturalmente os departamentos de recursos humanos não escapam da mediocridade e má formação técnica que assolam as empresas brasileiras (honrosas exceções). Os pobres candidatos são cobrados durante o tempo em que trabalham nas empresas, como se fossem inteligentes golfinhos, contudo, para responder questões desse nível (?), precisam regredir à condição de burro.

O Circo faliu no Brasil... os candidatos a emprego não podem pagar o preço de uma subliteratura que se mescla (e está sendo imposta por razões comerciais de curtíssimo prazo) com as verdadeiras literaturas de Administração e Psicologia.

Trocar experiências, percepções ou impressões pessoais sobre assuntos profissionais variados é antes de tudo um ato de doação de tempo, saberes e paciência, não podem ser compreendidos como desespero por parte dos candidatos a emprego. Mais respeito e profissionalismo!

Dos recrutadores e selecionadores (administradores ou psicólogos) esperam-se valores de responsabilidade social, ética profissional, justiça, formação humanística e visão acurada para que compreendam o meio cultural, político e econômico onde estão atuando e, principalmente onde atuarão os profissionais que recrutarão e selecionarão.

Estamos muito longe disso?

 

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As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
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Autor

Carlos Cesar D'Arienzo

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cesar-darienzo@uol.com.br
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Áreas de interesse
  : Análise econômica conjuntural e estrutural de cenários..

 
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