"Ser" consultor ou "estar" consultor.
Mostrar a diferença entre exercer a consultoria de forma profissional, mostrando alguns erros muito comuns que são praticrados no ramo de consultoria
Solon C. de Araujo
solon@scaconsultoria.com..br
Há muitos anos um ministro, que se sentia meio incerto no cargo (nada a ver com a atual situação...) cunhou a frase “não sou ministro, estou ministro”, refletindo sua instabilidade. A propósito do mercado de consultoria, creio que a frase, devidamente modificada, cabe no momento atual para a função de consultor, pelo menos em nosso país.
Embora, por sorte, a profissão não seja regulamentada, existem certas regras que deveriam ser seguidas para que um profissional use a palavra consultor como designação profissional ou funcional. Hoje, qualquer profissional, e neste “qualquer” não vai nenhum demérito, mas sim uma generalização, que preste serviço como autônomo, sem vínculo trabalhista com a empresa, se denomina “consultor”, sendo que muitas vezes exerce uma função executiva ou de assessoria e não de consultoria.
O que é ser consultor, quais são os princípios que regem a prestação de serviços nesta área? O princípio básico de uma consultoria é levar para uma empresa conhecimentos que esta não possua. Assim, fazer mais do mesmo, fazer aquilo que já existe na empresa, ainda que fazendo melhor, não é consultoria.
Mas além de levar o conhecimento, o consultor tem que internalizá-lo na empresa, acrescentar algo que perdure, que permaneça após o período de consultoria. O consultor que “esconde o jogo”, que aplica seus conhecimentos, mas com a perda destes conhecimentos quando ele for embora, está faltando com seu dever ético, não está agindo de acordo com os princípios que regem a prestação de serviços neste ramo. Infelizmente muitos consultores agem desta forma, mantendo o “pulo do gato” escondido, na ilusão de se tornarem indispensáveis.
Outras vezes o pseudo profissional, no intuito de aumentar sua visibilidade, “palpita” em campos que não são aqueles para os quais ele foi contratado. Visando mostrar uma imagem de “Dr. Sabe tudo”, começa a querer “mostrar serviço” em outras áreas da empresa, aparecendo perante a direção como “salvador da pátria”. Esta postura é um dos pontos que mais arranham a imagem da verdadeira consultoria, prejudicando aqueles profissionais que se atentam a cumprir, e bem, a função para a qual foram contratados.
A prestação de serviços de consultoria deve ser, forçosamente, algo com prazo de validade, algo perecível, pois a função do consultor é agregar um novo conhecimento na empresa e preparar pessoal para gerir estes novos conhecimentos independente de sua presença, fazer a empresa caminhar com suas próprias pernas. Este prazo de prestação de serviços logicamente que é extremamente variável conforme a complexidade do conhecimento a ser internalizado, da capacidade e quantidade de pessoas envolvidas, do próprio ritmo da empresa, que poderá exigir mais ou menos tempo para desenvolver novos projetos. Mas, na cabeça do consultor, tem que estar sempre bem claro que sua atividade na empresa não deve ser permanente, que ele não faz parte do quadro de funcionários, que ele não pode se eternizar. Este prazo pode ser estendido se o consultor for chamado pela empresa para novas funções, para agregar novos conhecimentos não constantes no contrato original. Isto pode levar a uma prestação de serviços por longos anos, mas sempre com agregação de novos conhecimentos.
Como na mentalidade brasileira ainda pesa muito o fator estabilidade no emprego, quando muita gente procura um cargo no governo não porque goste da função mas sim para se manter com emprego garantido por toda a vida, ainda que depois de aposentado, o mesmo ocorre com muitos prestadores de serviços de consultoria, que se agarram à função e procuram, de todas as maneiras, inclusive com política interna, manter uma estabilidade, na maioria das vezes totalmente ilusória. A verdadeira estabilidade da manutenção de trabalho para um consultor é sua constante atualização, acima da média do mercado, com buscas incessantes de novos conhecimentos, novas tecnologias, novos procedimentos, mais cursos, um grande networking, tudo isto com uma firme e inabalável postura ética. Mais do qualquer outro profissional o consultor deve se perguntar diariamente “o que agreguei hoje para meu cliente?”
Somente desta forma o consultor profissional, aquele que É consultor, poderá se manter em uma vitrine, sendo visto e procurado pelo mercado para novas atividades. Esta sim é a verdadeira estabilidade.
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Instrutor de Marketing dos cursos da Thompson Management Horizons. Instrutor dos cursos de Agronegócios da Thompson Agronegócios.
Sócio Diretor da SCA Consultoria e Treinamento S.C. Ltda.







