Sinergia Gerencial
Temos o costume de pensar nos líderes como indivíduos excepcionais, dotados de alto QI (intelectual e emocional), clarividentes, intuitivos, autoconfiantes, carismáticos e que, em virtude dessas características excepcionais, dispensam a ajuda de terceiros.
Posto nesses termos fica a impressão que a divisão do poder, responsabilidades e trabalho em equipe, que é um princípio fundamental das Organizações complexas, começa no chão da fábrica (ou escritório) e termina na porta de entrada da sala do CEO e do grupo executivo. Daí em diante tem inicio o primado dos egos e talentos solitários.
É um engano. É mais uma das inúmeras lendas organizacionais que plagiamos sem realmente pensar na veracidade da asserção.
A verdade é que trabalhar em equipe, compartilhar objetivos, informações, decisões, poder, planos, confidências, inquietações e sentimentos é vital para a eficácia gerencial. O sucesso não é uma estrada solitária e sim uma estrada a ser trilhada em boa companhia
Vez ou outra alguém se lembra que os lideres não trabalham e nem decidem sozinhos. Quando o Czar Nicolau II (1894 – 1917) aceitou o místico Rasputin (1864 -1916) como conselheiro, complicou ainda mais a já complicada sobrevivência do regime imperial russo.
John Kennedy, um líder carismático, popular, nunca escondeu o fato que era assessorado por um estafe de ministros, secretários de estado e conselheiros composto por figuras fortes como Dean Rusk, Robert McNamara, Robert F. Kennedy, Arthur M. Schlesinger, dentre outros.
A regra, porém, é transformar os colaboradores em coadjuvantes e exaltar o “rei”; individualizar as virtudes do líder no lugar de coletivizá-las.
A propósito: quais foram os assessores (coachs, mentores, confidentes etc.) de Jack Welch, Bill Gates e outros líderes empresariais bem sucedidos? Pode ser que você (caro leitor) e eu não nos lembremos, mas com certeza os dois personagens citados lembram.
Portanto, a liderança eficaz tanto quanto a qualidade dos produtos e serviços depende de uma divisão eficiente do trabalho em grupo. A questão é que os lideres também são liderados, no bom e no mal sentido, por subordinados, pares, superiores, consultores e assessores influentes.
Sob este prisma a atual ênfase na caça e retenção de talentos individuais deve incluir a caça, desenvolvimento e retenção de talentos coletivos (equipes). Em outras palavras, no lugar da visão psicologizante que se contenta em discutir a personalidade e o estilo de liderança, a visão sistêmica do fenômeno da liderança é fundamental para alcançar e superar as metas de negócio.
Vou um pouco além. O sistema de gerência é uma questão tão séria que não deveria ser entregue por inteiro nas mãos dos líderes. As Organizações deveriam criar mecanismos de formação de equipes cuja lealdade e competências estivessem mais centradas na consecução metas organizacionais maiores e não em servir ou bajular o superior.
Moral da história: o liderado segue o líder tanto quanto este segue o liderado. É isso que eu chamo de sinergia gerencial. Como a sinergia é sempre coletiva, talvez fosse conveniente, falar em sinergia organizacional.
eugen@eperforma.com.br
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Formei-me em Ciências Sociais e Humanas pela Universidade de São Paulo. De ofícios, fiz de tudo um pouco: office-boy, professor de inglês, história, cultura geral, recreacionista na AACD, executivo do movimento escoteiro, analista de treinamento e gerente de desenvolvimento de Recursos Humanos.
Na área de Treinamento e Desenvolvimento atuo como instrutor de programas de liderança, competências gerenciais, análise de problemas e tomada de decisões, team buildiing e team work, ética nos negócios, vendas, negociação, delegação e follow-up desde 1975; e como consultor atuo em DO, T&D Focado em Resultados e como management coach desde 1981.
Tenho dois filhos, plantei mais de 500 árvores, pois participei de uma campanha de reflorestamento; escrevi um livro e tenho outros dois a caminho. Escrevo por gosto e por encontrar na escrita uma forma de fazer o pensamento e a mente viajar para terras nunca dantes visitadas.
Sou sócio diretor da Estação Performance uma consultoria especializada em transformar conhecimentos em resultados e hoje dedico meu saber e experiência a duas paixões profissionais antigas que ocupavam apenas parte do meu tempo: aprimorar a performance humana e organizacional; e fazer com que as teorias gerenciais e organizacionais funcionem na prática.







