16 de setembro de 2011, às 17h11min

Substitutos no Primeiro Escalão do Governo Federal

A substituição de profissionais no Primeiro Escalão do Governo Federal é complexa porque envolve a opinião e consulta a diferentes pessoas e mecanismos; facebook, twitter, google, consultores, conselheiros são as fontes que informam que tipo de “ficha” tem cada um dos propensos substititutos.

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          A substituição de profissionais do alto escalão do Governo Federal não se constitui em novidade na história do Brasil. A sociedade brasileira já substituiu até um presidente da república.


          O nível tecnológico torna-se elevado, as comunicações e os meios de transporte são dinamizados, as redes sociais, tecnológicas, criminais, acadêmicas, políticas e culturais se alastram em todas as áreas de conhecimento e os homens e as mulheres tornam-se mais esclarecidos, mais conscientes das suas necessidades; as pessoas esquecem, no entanto, que as práticas individuais, sejam elas boas ou ruins, sempre produzem para a sociedade; porque somos seres gregários e também porque a "mão invisível" anunciada pelo economista clássico Adam Smith é algo universal e sustentável, vai existir sempre.

          Comentar sobre a saída desse ou daquele ministro da República Federativa do Brasil, ou mesmo comentar sobre a absolvição de políticos e de profissionais que o senso comum já considerava e os consideram condenados é perda de tempo, e talvez até perda de dinheiro; é cansar as pessoas com discursos repetitivos e presentes em qualquer meio de comunicação que se tenha acesso, até mesmo durante as reuniões onde somente a oralidade está presente. 

          A questão, portanto, não é discorrer sobre quem é ou quem deveria ser substituído nesse e naquele ministério. O problema ou a preocupação é com a dificuldade que se instalou no Brasil para escolher um substituto para um cargo de alto escalão do Governo Federal. Após muitas discussões, buscas em bancos de dados mundiais e conversas com conselheiros, consultores e líderes partidários arriscam-se alguns nomes. A dificuldade não se limita à escolha de alguns para depois definir o nome de um profissional para ocupar um cargo como substituto.

          A dificuldade maior reside em encontrar um profissional que não tenha algum tipo de problema com a justiça; algum tipo de situação não explicada claramente em relação ao uso de recursos públicos ou em relação a comportamentos indevidos durante o exercício de função pública no passado.

          Assim, a sociedade torna-se "refém" da escassez de ética, responsabilidade social, humanidades, e, porque não dizer, escassez de vergonha. Estar "refém" hoje pode ser algo temporário, se a sociedade continuar se indignando e agindo com a razão; se a imprensa continuar mostrando à sociedade como alguns profissionais do setor público se relacionam com o profissionalismo, com a ética, com a responsabilidade social e com a justiça.

Porém, não será temporário estar "refém", se a sociedade não inserir a ética como disciplina nas escolas de todos os níveis; se a educação não for priorizada nas práticas políticas e operacionais do País; se a sociedade não estiver sempre disposta a lembrar de lembrar que toda prática individual (seja boa ou ruim) sempre refletirá em alterações na vida da sociedade, porque a "mão invisível" é real. Porque somos gregários e também porque o exercício de uma função pública, seja após aprovação em concurso público, seja após nomeação ou indicação de autoridade maior, é uma das conseqüências de aquisição de conhecimentos e de capacitação técnica viabilizada por toda a sociedade, porque esta paga impostos, taxas, emolumentos, contribuições, em troca de seus consumos e da prestação de serviços dos governos das três esferas (municipal, estadual e federal) como contrapartidas. Alguns desses serviços governamentais são a educação, a formação profissional, a operacionalidade e a celeridade da justiça, a segurança pública e a probidade administrativa. Portanto, os profissionais do serviço público são também frutos gerados pelos pagamentos da sociedade.

          Dessa forma, como a sociedade paga para formar toda a estrutura administrativa e técnica capaz de cuidar do crescimento e do desenvolvimento do País, então esta não deve aceitar permanecer "refém" dos comportamentos indevidos de profissionais em funções públicas, sem que as autoridades responsáveis pelas nomeações ou indicações tomem as decisões quando estas forem necessárias.

 

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As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
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Autor
Professor universitário  em Manaus-AM. Mestre em Educação, Administrador e Economista.


E-mail: evandrobb@bol.com.br
 
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