Texto de Nelson Lima O estilo traduz uma preferência de comportamento. Ele também se reflete nos resultados finais do desempenho. Ou seja, o estilo representa a forma como você age no relacionamento com os outros. É ditado por uma série de fatores, a maior parte dos quais fazem parte das suas opções de vida. Recordo que o meu primeiro “chefe” tinha um estilo agressivo para com todos, incluindo os clientes. Ele era uma pessoa impulsiva, temperamental, hiperativa e muito racional. Vivia obcecado com os resultados. Nós vivíamos incomodados com o clima que ele criara e intimidados com suas fúrias. Morreu repentinamente. Seu coração o traiu. Meu segundo “chefe” foi um prefeito de uma cidade média em Portugal. Eu era o seu vice. Embora estivessemos ligados por interesses partidários comuns nós tinhamos estilos de atuação bem diferentes. Por isso, não resultou. Ao fim de 3 anos me afastei por discurdar do seu estilo de fazer política e atuar. Ele era um governante populista, ao bom estilo latino-americano. Eu não gostava disso. Preferia um modo de trabalhar mais sobre projetos a médio e a longo prazo, e não medidas impulsivas ao sabor das conveniências do eleitorado local. A oposição gostava de trabalhar comigo mas sabia aproveitar o modo “interesseiro” do prefeito e uma de suas fraquezas: a vaidade (a que se associava uma enorme atração pelo Poder e a exibição). Uma questão de estilo Na governação política como na administração empresarial, os resultados finais dependem muito dos estilos que os detentores do Poder aplicam na sua atuação. Mesmo que os objetivos sejam semelhantes e os programas idêntidos, o estilo de administração instituído fará toda a diferença ao longo do tempo. O estilo afeta “como” se decide e influencia, por sua vez, o tipo de liderança seguido. Por isso é muito importante que, na hora da escolha do líder, as empresas e seus acionistas saibam muito bem o que vão fazer. Nem sempre um Curriculum Vitae brilhante garante o sucesso no mundo empresarial. A importância do estilo – isto é, repito, a forma como uma pessoa atua preferencialmente nas diferentes situações – tem reflexos decisivos tanto nas grandes decisões estratégicas como nos momentos informais. Ele resulta de fatores muito pessoais que envolvem temperamento, caráter, educação, visão do mundo, interesses, auto-conceito, crenças pessoais e modos de vida. (Por tudo isto, o estilo é uma das minhas áreas de pesquisa preferidas). Ter ou não ter estilo É o estilo uma área manipulável? Isto é, podemos transmiti-lo e educá-lo através de cursos, nomeadamente de liderança? Não, nem tudo é possível adquirir através da formação e da aprendizagem. Neste caso, o estilo é algo muito pessoal que se vai construindo desde pequenino mas que também contém fatores genéticos. Infelizmente, o pior que acontece nesta matéria é que nem todas as pessoas, incluindo os administradores, conhecem qual é seu próprio estilo. Este desconhecimento pode ser perigoso, para o próprio e para as empresas. Pois não se conhecendo bem, as pessoas não poderão fazer pequenos ajustes que ajudariam a melhorar seu desempenho. Foi tendo percebido como era meu estilo de governação, minha forma preferencial de atuar, que me afastei da política local e optei por uma vida profissional liberal há muito anos. “Meu” antigo prefeito, com sua política populista mas conservadora foi capaz de se manter no Poder durante 20 anos. Depois caíu em desgraça pois com o passar dos anos seu estilo se tornou incómodo para o partido e foi afastado. O mundo havia mudado. Já meu desempenho foi sofrendo pequeninos ajustes por esforço de auto-reflexão. Minhas grandes estruturas sociopsicológicas continuam sendo as mesmas mas reforcei outras que eram meu ponto fraco. Quer um exemplo? Meu estilo, aos 30 anos de idade, ainda era afetado por uma certa timidez que me inibia perante algumas situações como falar em público. Hoje adoro isso e me tornei num comunicador eficaz e bem sucedido (já falei para mais de 20 mil pessoas nos últimos anos sem taquicardia nem ansiedade). De fato, libertei potencialidades que a timidez impedia que se revelassem oportunamente. Os ajustes que eu fiz para me tornar menos introvertido e tímido são, eles próprios, resultantes de meu estilo de estar e atuar na vida. Nelson Limawww.institutodainteligencia.net www.inteligenciaexecutiva.blogspot.com (blog pessoal) ___________________________