25 de abril de 2011, às 15h36min

Sustentabilidade e a nossa percepção de riqueza

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Muito se tem discutido sobre o conceito de desenvolvimento sustentável divulgado no Relatório de Brundtland – a satisfação das necessidades atuais sem o comprometimento da satisfação das necessidades das gerações futuras. E a discussão se dá em torno justamente do que gera essa satisfação, pois o que o que satisfaz um pode não satisfazer a outro.

 

A questão é que quanto mais se tem, mais se quer. E aí a gente está falando de nações, de empresas, de pessoas. E essa motivação faz com que as pessoas entrem num círculo vicioso completamente insustentável. Não, eu não sou socialista, comunista ou anarquista. E também não vem ao caso minhas convicções políticas. O caso aqui é outro.

 

Mas pensemos: será que a riqueza de um país, de um povo, de uma companhia ou de quem for, só pode ser medida por números? Por dinheiro? Vamos analisar a nossa realidade. Brasil, país extremamente desigual, infraestrutura precária e com a economia bombando. Temos classes C, D e E com uma demanda altíssima por consumo.

 

Qual o "preço" que se paga por essa geração de riqueza? O melhor exemplo é a cadeia de valor de um carro. Nunca antes nesse país se vendeu tanto automóvel como agora. Nunca antes nesse país se perdeu tanta qualidade de vida em congestionamentos quilométricos. E o que aumenta ainda mais esse "preço" não é só a falta de infraestrutura, mas também a falta de educação, pois usar transporte público no país, quando é opção, parece que é atestado de pobreza.

 

Pois bem, algum tempo atrás, quando falei que indicadores de sustentabilidade deveriam refletir mais do que quantidade, o mesmo se aplica à riqueza de um país. É impossível dissociar a riqueza da qualidade de vida. Falei da questão do trânsito, mas tem o custo da violência, o custo da falta de investimento em saúde e educação, o custo social da nossa carga tributária...

 

Não sei se é abstrato e utópico demais querer medir riqueza por felicidade da população, mas certamente é fundamental dar qualidade ao número que todos os anos é gerado. E um país só terá um PIB qualitativo quando a sustentabilidade estiver inserida em todos os contextos: público, corporativo e pessoal. Se pensarmos dessa forma, a única certeza que se tem hoje é de que ao contrário do que a maioria imagina, somos um país pobre.

 

 

Sou jornalista (com diploma), corredora de alto rendimento físico e baixo rendimento financeiro e diretora da Agência de Sustentabilidade, consultoria que trabalha a sustentabilidade na gestão de processos e tem foco em três segmentos: empresas, esporte e políticas públicas.


E-mail para contato: sustentabilidade@sustentabilidadecorporativa.com

Site: www.agenciadesustentabilidade.com.br

Blog: www.sustentabilidadecorporativa.com

Twitter: @sustentabilizar

 

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Autor
Diretora da Agência de Sustentabilidade, empresa de consultoria estratégica voltada para a implementação de projetos de sustentabilidade corporativa.

Jornalista por formação, quero mudar o mundo. Por vocação. E para conseguir isso acredito que a forma mais "fácil" e viável seja através da sustentabilidade corporativa.
 
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