Tudo é bem simples.
O fim de ano nos auxilia a ver com mais clareza e sermos mais nós mesmos. Quem sabe não é esta simplicidade que está faltando na nossa vida.
O fim de ano é uma época ímpar para a reflexão. Podemos calcular e mensurar nosso aproveitamento e progresso nos diversos setores de nossa vida. Existe uma preocupação e um ímpeto de fazer promessas claras e objetivas que caem por terra logo que o novo ano chega e o mundo volta a ter a velha forma. Resoluções mirabolantes e infalíveis se transformam em promessas vãs. Pobre de nós.
Não sou arredio às promessas e resoluções de fim de ano, ao contrário, fico inconformado em ver que elas se perdem com o virar do ano no calendário.
Escrevo estas primeiras linhas porque penso que este período, em especial o Natal, é o momento exato quando somos realmente nós mesmos, os sentimentos são sinceros, os pensamentos são claros, há planejamento para a montagem da confraternização, há troca entre as pessoas (não só de presentes), há ansiedade e há felicidade.
Qualquer ser humano que passe pelas indicações acima pode se sentir completo e ainda não vi um sentimento ou sensação enganar. Somos enganados pelas pessoas, não pelos nossos sentimentos, lembre-se disso.
Esta simplicidade de ações e sentimentos de fim de ano deve ser analisada, refletida e trazida para os outros dias do ano, afinal não é uma data simplesmente que vai fazer você se sentir melhor ou repensar sobre sua vida. Esta prática deve ser diária e incessante.
Imagine se apenas uma vez por ano você pudesse se sentir completo. Seria absurdo se doar mais às pessoas, amigos, filhos e estanhos apenas agora. Seria de uma estupidez cavalar. Pena que é justamente isso que acontece.
Nós administradores viramos uma mutação de nós mesmos. Aprendemos na sala de aula que o processo é simples. Não há segredo, mas insistimos em dificultar o “indificultável”.
Agir de maneira a dar o melhor para a empresa passa por ações tão tolas que dá até vergonha expor. Comprometimento, educação, repeito, profissionalismo, ética, amparo e trabalho eficiente.
Quanto ao trabalho eficiente é necessário dizer que ele não significa trabalhar além do horário várias vezes na semana, perder todos os fim de semana, não priorizar sua família ou se sentir “especial” por fazer tudo isso. Na verdade isso mostra que você não é capaz de administrar seu tempo de maneira correta ou que não é competente o suficiente para administrar e/ou ser pai (mãe) e marido (esposa).
Tempo é dinheiro, diz o velho ditado. Nunca concordei com ele, pois penso que felicidade é dinheiro.
No final das contas tudo que procuramos é felicidade. Dar felicidade aos nossos clientes, gerar felicidade no ambiente de trabalho, ver nosso funcionário feliz e nos sentirmos feliz com o que fazemos. O tempo é só um ingrediente para a mensuração do estado de felicidade. 2 horas de felicidade cairiam muito bem.
Reparem que tudo que expus aqui vem a ser conseguido através da simplicidade. Não adianta querer gerar um estrondoso espetáculo de pirotecnia técnica quando tudo que se precisa é uma maneira “simples” de vender nosso produto.
Penso que muito do que é feito para dificultar a simplicidade é obra de egos enormes e não da necessidade da empresa. Neste caso, pensar no todo é uma das formas mais simples de se conviver bem.
Dificultar o trabalho e a maneira de se conduzir ele muitas vezes é confundido com competência ou até empenho. O “chefe otário” pensa que aquele funcionário que fica a semana inteira após o expediente é maravilhoso, quando devia ver e atentar ao cumprimento de prazos deste.
Só para sair um pouco da questão trabalhista e entrar na área popular. Este ano que chega terá em voga o “espetáculo” do fim do mundo como mote. Estranho muito se falar sobre isso quando basta olhar para trás e ver que valores como repeito ao próximo, carinho, repeito, caridade e ética são elementos mais ultrapassados do que o gramofone. Ora bolas, se os valores se acabaram faz tempo, porque se preocupar com o fim deste mundo? Uma pessoa sem valores é uma pessoa oca, um mundo sem valores...
Este pensamento que coloquei acima é simples e até óbvio, tão óbvio como saber que o mundo não vai se acabar, mas os valores se acabaram, infelizmente.
Pensei em escrever este texto para que pudéssemos refletir juntos o quanto estamos dificultando nosso caminhar e colocando em seu lugar uma maneira de ser que já provou ser insuportável.
Vamos fazer o simples?
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