06 de novembro de 2009, às 17h56min

Você já comprou o seu Kindle?

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Como Jeff Bezos e a Amazon estão revolucionando os hábitos de leitura

Comecei a namorar o Kindle em 2008. Tentei comprá-lo pelo site da Amazon, mas sua venda, naquela época, estava restrita apenas para os Estados Unidos.

 

Na verdade, era muito mais a curiosidade geek de conhecer um novo aparato tecnológico do que o afã de ler livros no formato digital. Aliás, nunca fui muito fã de e-books. Sou do tipo aficionado pelo bom e velho livro de papel. Sou daqueles que se amarram em perder a noção do tempo em livrarias, ir à caça de raridades em sebos e que sente verdadeiro prazer em ter um livro em suas mãos: aprecio o cheiro, o passar das páginas, rabiscar nas margens e guardá-lo na estante, junto aos seus parentes mais próximos. Se empresto algum, recomendo ao sujeito que o trate com carinho e que jamais utilize as “orelhas” como marcador de páginas.


Num determinado domingo de outubro de 2009, uma revista semanal estampava um simpático Paulo Coelho na capa segurando o singelo aparelhinho. “O último livro que você irá comprar”, dizia a manchete que anunciava o lançamento da versão internacional do Kindle.


Fui o primeiro leandro do mundo a comprar o aparelho. Sei disso porque eles geram uma conta de e-mail para os proprietários do Kindle no formato fulano ‘@‘ kindle, e o meu é justamente leandro‘@‘kindle (a omissão do .com aqui é proposital para evitar a captura do endereço por spammers). Poucos dias depois, recebi a encomenda, e parti pro ataque.


A operacionalização é muito simples e dispensa uma leitura mais atenta do manual de instruções. A brincadeira começa quando você acessa a “Kindle Store”, a interface da própria Amazon específica para o Kindle. De cara, você já tem alguns títulos selecionados especialmente com base no seu perfil: “Recommendations for you”. Essas recomendações são feitas com base no seu perfil de leitor, montado a partir de suas compras no site da Amazon. Como leio bastante sobre Administração, Marketing, Empreendedorismo e livros relacionados a Internet, as sugestões para mim são sempre precisas nessas áreas.


Rapidinho, o Kindle consegue fazer você passar lépido e faceiro pelo processo que os profissionais de marketing chamam de AIDA - Atenção, Interesse, Desejo e Ação. Ele atrai sua atenção sugerindo de cara recomendações com base no seu perfil. Em um clique, você consegue saber mais sobre o livro, o que desperta o seu interesse. Na mesma tela, você conhece a opinião e a avaliação de outros leitores que já leram o livro em questão, o que acaba gerando, inevitavelmente, um desejo. Na mesmíssima tela, o botão “BUY“ está ali visível, a um clique de distância. É aí que você entra em ação. Como os dados do seu cartão já estão previamente gravados na Amazon, você não precisa fazer nada: é realmente “1 click to buy”. Click. Em menos de um minuto, o livro está inteirinho no seu Kindle.


Pense na comodidade que isso pode proporcionar. Você pode ler e comprar livros esteja onde estiver: no ônibus, no parque, na praia, em casa, no escritório. Vai muito além de uma simples compra on-line. É imediato.  Gostei-vou-levar-já-levei. Ah, e a coisa não se resume apenas a livros. Você também pode assinar revistas e jornais através do Kindle. O seu jornal do dia, muito antes de chegar às bancas ou até mesmo ser impresso, já está disponível no seu livro ambulante.


Sabe aquelas coisinhas que você compra por impulso no caixa do supermercado, como chicletes, balas e itens do gênero? Você acaba se comportando de maneira semelhante com o seu Kindle, e leva muito mais livros do que levaria se estivesse em uma livraria, por exemplo.


E acaba lendo muito mais também. Não sei se acontece com todo mundo, mas carrego o Kindle pra cima e pra baixo, como se fosse um celular. Com os livros tradicionais, geralmente, só me encontro à noite, depois do jantar, e nos fins de semana. Com o Kindle, estou grudado direto.


Se é ruim ler através do Kindle? Não vou dizer que é a mesma coisa, porque não é. Mas também não é uma experiência que possa ser limitada por melhor ou pior. É algo diferente. Esqueci de dizer que, junto com o aparelho, comprei um estojo de proteção que imita a capa de um livro. Você segura o objeto como se fosse um livro de verdade. Lá pelas tantas, você abstrai totalmente que aquilo é um dispositivo eletrônico.


Jeff Bezos não é tão cultuado no Brasil como Steve Jobs, Bill Gates, ou outros gênios empresariais. Mas, sem dúvidas, ele foi o cara que revolucionou o e-commerce e os nossos hábitos de compra através da internet. O modelo da Amazon serve de referência para toda e qualquer loja virtual que nós conhecemos. Bezos agora está revolucionando, também, o próprio hábito da leitura - um feito comparável ao de Gutenberg com a invenção da imprensa.


O jornalista Robert Spector conta que, certa vez, perguntaram a Bezos se ele pretendia que a Amazon fosse “a Wal-Mart da Web“, ao que ele respondeu: “não pretendemos ser Nada da Web. Somos, geneticamente, pioneiros… Todos aqui querem fazer algo totalmente novo. Todo dia acordo tentando descobrir um meio de confundir jornalistas e críticos que tentam nos aprisionar numa declaração bombástica de oito segundos“. Jeff Bezos diz que um dos modos de definir o sucesso é “a eficiência na refutação das analogias fáceis“. Foi esse espírito inquieto, visionário e empreendedor que tornou o Kindle realidade.


Talvez eu, você e outros veteranos nunca consigamos nos livrar do fetiche pelos livros tradicionais. Mas percebi que é plenamente possível abraçar essa novidade sem dar adeus aos seus fiéis companheiros de jornada. O que o futuro nos reserva quanto ao ato de ler e as formas de construção do saber ainda é uma incógnita. Entretanto, é certo que nossos filhos irão ler muitas e muitas páginas feitas de material intangível e repletas de conhecimento concreto. Viva a leitura!
 

 

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Autor

Leandro Vieira é Mestre em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Certificado em Empreendedorismo pela Harvard Business School. Tem MBA em Marketing, pelo Instituto Português de Administração e Marketing (IPAM). Administrador de Empresas pela UFPB e bacharel em Direito pelo UNIPÊ. Foi professor da Escola de Administração da UFRGS. Criador e Editor do Portal www.Administradores.com.br.

Em 2011, recebeu o Prêmio Honra ao Mérito em Administração, categoria Jovem Administrador, outorgado pelo Conselho Federal de Administração

Autor do livro Seu Futuro em Administração (2011), publicado pela Editora Campus/Elsevier

É um dos organizadores do livro Gestão da Mudança: Explorando o Comportamento Organizacional, lançado pela Editora Atlas em 2010.

Assina também a coluna Administre-se para a Revista VOCÊ S/A.

Membro do Conselho Editorial da Revista Portuguesa e Brasileira de Gestão, editada pela Fundação Getúlio Vargas (Brasil) e pelo INDEG/ISCTE (Portugal), e da Revista Economia Global e Gestão, do ISCTE (Portugal).

Áreas de interesse: Marketing, Empreendedorismo, Estratégia em Organizações, Gestão de Negócios, Comunidades Virtuais, Ensino a Distância, Criatividade, Liderança, Inovação e aplicação de idéias no âmbito da nova economia.

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que saco, to loco atraz de uma jaqueta dessas
 
Exelente material
 
gostaria de saber quem trabalha em banco que não trabalha sabado e domingo se os três dias ja começa...
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