23 de janeiro de 2012, às 13h35min

Você: porque não pode haver civilização do "eu sozinho"

Principalmente os estudantes e profissionais mais jovens, devem refletir sobre isso tudo, pois acreditar-se onipresente e onisciente são manifestações para deuses, não para seres humanos

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No Brasil, diariamente, Deus, o Tarô, a Astrologia, as Runas, a Numerologia, os Búzios, Videntes etc. são invocados e utilizados para, inclusive, fazer a seleção de possíveis funcionários para as empresas que contratam esses serviços; quando não, da aprovação e implementação de projetos empresariais inteiros.

Esse sincretismo está presente, gostemos ou não, aprovemos ou não, no cotidiano de alguns empresários. Isso por si só contradiz o que alguns autores que costumamos classificar (ou desclassificar) como gurus, afirmam sobre o indivíduo, a pessoa :


" Você é o único que pode prejudicar a si mesmo ! "

Podemos ler e ouvir essa afirmação (ou simplesmente uma armadilha dialética) em qualquer meio de comunicação, inclusive em livros que só tratam desse assunto. Note-se a contradição, mesmo no meio do pensamento baseado na auto-ajuda.  Ou seja, o indivíduo (você), não pode bastar-se em si mesmo, porque outros elementos de análise (não convencionais) serão utilizados para avaliá-lo, por terceiros, portanto, para conseguir realizar seus projetos econômicos, financeiros ou os de cunho pessoal, de fôro íntimo, você não deve bastar-se acreditando que é invencível ou infalível.

"Por caminho plano se vai às alturas ?" (Sêneca)

Em contrapartida, o Conhecimento, a Filosofia, e a Ciência, fornecem os elementos de juízo para a razão e tomada de decisões, mas são somente elementos, são a parte mas não o todo, tudo acaba por depender do grau de conscientização do indivíduo, sua visão do mundo, suas crenças e ilusões.

O que quero dizer é que o Saber é cumulativo e espelha o esforço do Ser Humano na tentativa de melhor entender a Natureza, inclusive a sua própria.

" Você é o único que pode prejudicar a si mesmo! "

Essa afirmação (e aceitação) inibe qualquer tentativa bem-sucedida de formar questionadores, pesquisadores e futuros educadores. Qual será o destino da sociedade brasileira que não seja a produção da falácia e a ilusão ? A abstração mental não é ilusão, trata-se de um trabalho intelectual, que exige uma gama de conhecimentos físicos e empíricos para induzir ou produzir uma lógica no caminho das descobertas.

"Eu sou o principal decisor". Essa falsa suposição contraria todo o processo civilizatório da humanidade descrito nos documentos, testemunhos e, nos livros de História de todas as nações.

O desenvolvimento social caracteriza-se pela universalização para o conjunto da população, dos benefícios do crescimento e desenvolvimento econômicos, por intermédio da estrutura econômica (desenvolvida para a maioria dos cidadãos) e de políticas de redistribuição de renda. Sendo assim, não é possível inferir que o desenvolvimento pessoal e profissional dependa em grande medida do próprio indivíduo, isoladamente.

Ou seja, não pode haver civilização do "eu sozinho" que toma decisões e espera alcançar resultados com seus próprios méritos e recursos, desconsiderando um mundo diverso e complexo, capaz de produzir um sem número de variáveis ou fenômenos políticos, econômicos, sociais e naturais de difícil captura até para os gênios que esse processo civilizatório gerou ao longo dos tempos.

"Uma civilização complexa como a nossa baseia-se necessariamente no ajustamento do indivíduo a mudanças cuja causa e natureza ele não pode compreender. Por que aufere maior ou menor renda ? Por que tem de mudar de ocupação ? Por que certas coisas de que precisa são mais difíceis de conseguir que outras ? A resposta a estas questões dependerá sempre de um número tão grande de circunstâncias que nenhum cérebro será capaz de apreendê-las; ou, o que é ainda pior, os prejudicados as atribuirão a uma causa óbvia, imediata ou evitável, enquanto as inter-relações mais complexas que determinam a mudança continuarão a ser um mistério para eles."

(F. A. Hayek)

Principalmente os estudantes e profissionais mais jovens, devem refletir sobre isso tudo, pois acreditar-se onipresente e onisciente são manifestações para deuses, não para seres humanos.

Atalhos não nos porão no rol das nações desenvolvidas, só com muito trabalho e estudo, mesmo assim não será fácil. Porém, não há outro caminho conhecido pelas sociedades ou pela História, que tenha dado melhores resultados.

 

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As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
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Autor

Carlos Cesar D'Arienzo

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cesar-darienzo@uol.com.br
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Áreas de interesse
  : Análise econômica conjuntural e estrutural de cenários..

 
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