14 de maio de 2010, às 14h09min

A escolha do melhor caminho

Muitos ficam em dúvida sobre qual melhor caminho seguir na carreria e se tornam como a Alice no país das Maravilhas

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Por Lise Steigleder Chaves, Administradores.com.br
 
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"Alice: Que caminho devo tomar?

Gato: Para onde você quer ir?

Alice: Não sei...

Gato: Se você não sabe onde quer ir, todos os caminhos levam a lugar nenhum."

(Alice no País das Maravilhas, Lewis Caroll)

 

Vamos combinar algumas coisas: ninguém aqui é Alice! Será?

 

Vivemos num mundo real, cheio de desafios e complexidades que escapam a maioria de nós. Somos de um modo geral, sujeitos. E o que isto significa? Que sofremos da síndrome do "deixa a vida nos levar" e isto tem um significado muito especial quando se trata de trabalho.

 

Começamos a trabalhar por necessidade – queremos ter independência financeira, precisamos contribuir em casa, pagar estudos, poupar para uma viagem, casamento, comprar um carro, apartamento, roupas, celulares mais poderosos, Ipod's e por aí afora! Ou trabalhamos porque afinal já não somos mais os filhinhos da casa e os pais já nos olham torto cada vez que a mesada acaba na primeira semana do mês!

A questão é que estamos fadados ao trabalho. E o que em princípio parecia obrigação, em muitos casos vai-se mostrando algo desafiador e prazeroso e vamos fazendo as nossas tarefas da melhor maneira possível, esperando encontrar o caminho do reconhecimento e do crescimento. As vezes até sonhamos com um caminho mágico, cheio de sucesso, realizações e discursos!

 

A esta altura vocês devem estar pensando que tudo isto é bobagem - imagine que as pessoas são assim ingênuas, acreditam que a empresa olhará para elas e verá o quanto e como são capazes e merecedoras de novos desafios e oportunidades.

 

Acontece que eu escuto esta histórinha de inúmeras "Alices" entra ano e sai ano! E é mais ou menos assim, mudando o cenário, a escolaridade e o cargo: Eu fazia o curso Y e falaram que tinha estágio na empresa X. Aí fui lá, fiz a ficha e me entrevistaram. E disseram que eu podia começar. Ai aceitei. Fui crescendo e quando me transferiram para tal área, resolvi fazer especialização – foi bom. E agora estou aqui: olho para trás e vejo que as coisas foram acontecendo e eu não escolhi.

 

Primeiro porque tudo era interessante; depois porque eu já tinha meus compromissos e não podia me dar ao luxo de dizer "não posso, tem a festinha do caçula na escola". Imagine! Se eu não topasse, alguém pegava o meu lugar. De verdade eu queria voltar no tempo, fazer outras coisas.

E a esta altura eu pergunto para o profissional à minha frente: o que tu gostarias de ter feito? E a resposta muitas vezes é "não sei", outras é "eu queria mesmo era ser engenheiro/economista/dentista - entre outras inúmeras possibilidades".

 

Ou seja, "Alice" continua perguntando para o gato que caminho tomar. E se queria mesmo ter sido ou construido outra carreira, por que não fez? Realmente algumas (ou muitas) pessoas não tiveram alternativa. Outras tiveram preguiça e outras não sabiam o que fazer.

 

No entanto, existem pessoas que constroem de fato sua trajetória profissonal, batalham muito, abrem mão do descanso, buscam recursos em todos os lugares possíveis e imagináveis para poderem conquistar aquilo que desejam. Não ferem ninguém, de nenhuma maneira, nesta caminhada. Só sabem onde estão, o que devem fazer e onde chegarão.

 

Um exemplo é um cabo da Polícia Militar, que conheci. Era casado com uma costureira, tomava três ônibus para ir de casa para o trabalho, mais três para voltar. Tinha um sonho: ser médico. Trabalhava em turnos de oito horas, não tinha a mínima condição de fazer cursinho e só poderia estudar em universidade pública - e mesmo que naquela época já estivesse em vigor o sistema de cotas universitárias, não se encaixava no perfil.

 

Ou seja: pobre, com uma família que foi crescendo (ao longo dos anos, teve três filhas), egresso da escola pública. A chance de entrar na faculdade de Medicina batia fácil no zero. Bem, quando se sabe o que se quer as coisas podem ser diferentes: oito horas de trabalho, mais cinco na biblioteca pública estudando, o tempo restante se locomovendo, ajudando a esposa com as meninas e dormindo o possível. Oito vestibulares depois, aprovado na Universidade do Rio Grande do Sul no curso de Medicina. Conquistou o apoio da corporação; ajeitaram seu horário; foi para o ambulatório; se tornou oficial médico; obstetra; diretor da Beneficência Portuguesa de Porto Alegre.

 

Se ele encontrou o gato na frente de várias estradas, com certeza ele perguntou: quero ser médico – qual destes caminhos me leva até lá?

 

Lise Steigleder Chaves - Consultora em Gestão de Pessoas. Psicóloga; Mestre em Administração pela ESAG/UDESC; Especialista em Psicologia Organizacional e Especialista em Psicologia do Trabalho; MBA em Gestão Avançada de Pessoas – ISPG/ UNIVILLE. 

 

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