27 de abril de 2011, às 08h31min

Turn over de pessoas com deficiência chega a 80% no mercado de trabalho nacional

Mesmo com a alta rotatividade, 68% das empresas consideram desempenho de pessoas com deficiência igual ao dos outros

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O turn over de profissionais com deficiência chega a 80% no mercado de trabalho nacional, segundo revela pesquisa intitulada “Inclusão de Profissionais com Deficiência – Fatos e Dados” realizada pela Plura Consultoria e Inclusão Social.

 

O levantamento, que ouviu 71 empresas de diversos setores, apurou ainda que para 58% dos entrevistados este turn over é o mesmo se comparado aos demais funcionários; enquanto que para 42% ele é maior do que a rotatividade dos outros trabalhadores.

 

Mesmo com a alta rotatividade, o desempenho dos colaboradores com deficiência é considerado semelhante ao de outros funcionários por 68% dos entrevistados; 26% julgam a performance aquém, enquanto 6% a avaliam como superior.

 

Retenção


Ainda de acordo com o estudo, a falta de um plano de retenção para pessoas com deficiência pode ser um dos motivos do alto turn over destes profissionais, visto que apenas 6% das empresas possuem este tipo de ação.

 

“Entendemos que muitas empresas focam seus trabalhos em contratar e muito pouco esforço é despendido para mantê-los na organização”, explica o CEO da Plura, Alex Vicintin.

 

Lei


De acordo com a Lei de Cotas (8.213/91) e o Decreto 3.298/89, as empresas que possuem entre 100 e 200 funcionários devem ter em seu quadro de colaboradores 2% de pessoas com deficiência; entre 201 e 500, 3%; de 501 a 1000; 4%; e de 1001 em diante, 5%.

 

Segundo pesquisa conduzida pelo economista Vinícius Gaspar Garcia, se for levada em conta a faixa etária produtiva, de 15 a 59 anos, e os critérios técnicos-jurídicos que estabelecem quem tem uma deficiência, existem no Brasil cerca de seis milhões de pessoas com deficiência.

 

Contudo, conforme dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), o número de pessoas com deficiência contratadas formalmente era de 290 mil em 2009, sendo que, conforme estimativas, o estado de São Paulo empregaria 10% de sua população com deficiência e o Brasil, apenas 5%.

 

“Isso dá uma ideia do abismo que ainda existe entre aqueles que estão trabalhando e os que poderiam estar no mercado formal”, diz Garcia.

 

Dificuldade


No que diz respeito às dificuldades encontradas pelas empresas na hora de contratar pessoas com deficiência, o estudo da Plura Consultoria indica:

  • Baixa qualificação/ experiência dos candidatos – 36,1%;
  • Resistência dos gestores em aceitar pessoas com deficiência em sua equipe – 27,7%;
  • Dificuldade em recrutar diante dos critérios do processo seletivo – 19,4%;
  • Falta de engajamento na equipe – 11,1%.
 

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