Bolsa Família não é tão eficaz nas áreas urbanas, diz The Economist
A redução da pobreza numa velocidade menor nas áreas urbanas, segundo o artigo, pode estar relacionado também ao fato do Bolsa Família ter substituído outros programas semelhantes
O Bolsa Família não é tão eficaz nas áreas urbanas com grande concentração de pobreza quanto em regiões rurais. Com essa análise, a revista britânica The Economist traz em sua última edição um longo artigo sobre o principal programa de transferência de renda do governo federal.
Com dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e das Nações Unidas, a revista observa que ocorreu uma redução de 15 pontos percentuais no número de pobres na população rural entre 2003 e 2008. Nas regiões urbanas, a queda foi muito menor. Além disso, nas grandes cidades o custo de vida é maior ao passo que o benefício acaba por ter um impacto menor.
A redução da pobreza numa velocidade menor nas áreas urbanas, segundo o artigo, pode estar relacionado também ao fato do Bolsa Família ter substituído outros programas semelhantes, que tinha como objetivo, por exemplo, combater a subnutrição infantil, além dos subsídios que eram dados à compra de gás de cozinha.
"Embora seja difícil provar pela falta de dados oficiais, evidências sugerem que a quantia (atual) pode valer menos que os antigos benefícios", afirma a revista, que ainda ressalta que o programa não teve tanta eficiência para reduzir o trabalho infantil. O artigo, no entanto, não avalia o Bolsa Família como um desperdício de dinheiro. Apenas defende o seu aprimoramento.
O texto também traz alguns elogios ao benefício, sobretudo por atribuir ao programa a responsabilidade pela diminuição de um sexto da pobreza no país. Porém, a revista no final faz um alerta ao afirmar que o Bolsa Família não pode ser encarado como uma solução "mágica".
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