31 de julho de 2010, às 16h10min

FMI cobra da França medidas adicionais para meta fiscal

O governo francês se comprometeu a reduzir seu déficit público para 6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011 e 4,6% em 2012, de 8% projetado para este ano

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Por Álvaro Campos, Agência Estado
 
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) cobrou ontem que a França adote medidas adicionais para conseguir atingir as metas de redução de déficit no médio prazo, alertando que o crescimento econômico do país é frágil e que os riscos para a perspectiva são negativos. "Medidas adicionais precisam ser tomadas em todos os níveis do governo para que o país atinja a consolidação fiscal pretendida durante o médio prazo", disse o fundo em seu relatório anual sobre a situação econômica do país.

 

O governo francês se comprometeu a reduzir seu déficit público para 6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011 e 4,6% em 2012, de 8% projetado para este ano. Assim, o país atingiria em 2013 o limite de déficit de 3% do PIB determinado pelos tratados da zona do euro. O plano é baseado na previsão de que o PIB cresça 1,4% em 2010 e 2,5% por ano em 2011 e 2012.

 

O FMI confirmou que prevê que o PIB francês crescerá 1,4% este ano e 1,6% em 2011, mas ressaltou que os riscos para essas perspectivas "tendem para o lado negativo", por causa do alto nível do desemprego e da dívida pública, assim como persistentes receios sobre os riscos das dívidas soberanas na zona do euro. Com base no cenário do FMI, o déficit público da França atingirá 3,9% do PIB em 2013, e não cairá abaixo de 3% até 2015.

 

O FMI destacou que avançar com as reformas estruturais é essencial para impulsionar a competitividade francesa, a criação de empregos e a inovação. Recentemente, a França e a Alemanha têm pressionado por uma fiscalização da competitividade na zona do euro, para fortalecer a governança econômica.

 

Após a divulgação do relatório anual do FMI, a ministra das Finanças francesa, Christine Lagarde, disse que o documento está de acordo com a política fiscal do país para 2011. "Christine Lagarde recebe com satisfação a análise do FMI, que confirma a eficaz e responsável orientação da política fiscal da França", disse o ministério em um comunicado. Anteriormente, Lagarde havia dito que os planos de cortes de gastos seriam revistos após a divulgação do PIB no segundo trimestre, que deve sair no dia 13 de agosto.

 

Reduzir o déficit público para 3% do PIB implica em conseguir 100 bilhões de euros em economia até 2013, segundo têm dito os ministros franceses. Metade dessa quantia virá de cortes nos gastos e o restante de um aumento na arrecadação de impostos, à medida que o crescimento econômico se acelera. O governo tem delineado planos para reduzir o déficit em 40 bilhões de euros no próximo ano, o que segundo o FMI reduziria o nível do déficit em relação ao PIB em dois pontos porcentuais.

 

Embora o FMI tenha elogiado o plano da França de controlar os gastos públicos no nível do governo central e a proposta de reforma do sistema de aposentadoria, o fundo alertou que o país deveria se empenhar em limitar os gastos no nível dos governos locais e com o sistema de saúde, que é parcialmente responsável pela situação complicada das finanças públicas francesas. De acordo com o FMI, o déficit da seguridade social tem acrescentado quase 1,5% do PIB ao déficit geral por ano em 2009 e 2010. 

 

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