05 de janeiro de 2011, às 13h02min

Para economistas, medidas de ajuste fiscal precisam se tornar concretas

Sinais mais claros de onde deverão ser os cortes de gastos são aguardados nas próximas semanas

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Por Yolanda Fordelone, Agência Estado
 
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Ainda em janeiro ocorre a primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para decidir o novo juro básico (Selic) e dar sinais do rumo da taxa ao longo de 2011. Os primeiros discursos dos ministros do novo governo da presidente Dilma Rousseff, porém, chamam a atenção dos especialistas mais em outro ponto: no ajuste fiscal. Segundo economistas, as promessas de cortes de gastos, presentes nos discursos, têm que começar a se tornar realidade neste primeiro mês.


"A grande dúvida do mercado hoje é o tamanho do pacote fiscal, que irá ajudar a definir a curva de juros futuros", diz o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho. Segundo ele, alguns ministros, mais ligados às áreas sociais, fizeram discursos que não vieram em linha com o que promete o governo, de corte de gastos. A afirmação é feita ao lembrar-se da promessa de reajuste do programa Bolsa Família e da ampliação do programa de anistia.


Por conta disso, há uma grande expectativa quanto à reunião ministerial convocada pela presidente para a próxima semana, no dia 14. "O discurso da área econômica (Fazenda, Planejamento e Banco Central) já está unificado. Resta haver um consenso maior com os outros ministérios", diz o economista.


Outras dúvidas surgem quanto às áreas que deverão sofrer cortes. Além dos gastos de custeio, há quem aposte na redução dos gastos do BNDES. "Devemos observar um assentamento de recursos disponíveis do BNDES em relação ao exercício passado", diz o economista da consultoria Lopes Filho & Associados, João Salles. Segundo ele, em 2009 e 2010, os recursos disponíveis pelo banco de fomento somaram R$ 180 bilhões, quantia que deve ser reduzida para R$ 50 bilhões em 2011, se observado o valor que o Tesouro Nacional emprestou ao BNDES.


O economista da LLA Investimentos, Sérgio Correia, lembra que o corte em algumas áreas será contrabalanceado com o aumento dos gastos em outras, como em infra-estrutura. "Será necessário investir para receber os eventos esportivos (Copa e Olimpíadas) nos próximos anos, por exemplo", afirma Correia.


Para ele, será fundamental o governo dar sinais mais claros de como Irã ocorrer esses gastos, já que parte do mercado se mostra cético porque uma parte dos nomes do novo governo já atuava na gestão passada, do ex-presidente Lula.


Quanto à inflação, o discurso do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, de que a meta para a inflação pode ser reduzida ao longo dos anos foi visto com bons olhos. "Isso mostra que ele está preocupado não somente com este ano, mas com o longo prazo", diz o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.


Investimentos


Nos investimentos, por enquanto, a perspectiva continua a mesma. A alta do juro deve beneficiar as aplicações em renda fixa. "A maior parte das carteiras deve ficar em renda fixa preponderantemente, até pela característica do brasileiro de ser conversador", diz Salles. "Ao longo de 2011, porém, deverá haver um maior direcionamento para a renda variável, já que a atratividade da rentabilidade é maior", afirma. 

 

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