Por que o Twitter virou uma febre e como você pode tirar proveito disso?
O essencial é entender seu público e dar o que ele espera, afirma especialista

De Barack Obama ao seu vizinho, praticamente todos estão lá. Tido por muitos como um marco entre a web 2.0 e a 3.0, o Twitter tem ditado tendências e formado opinião. Como essa rede se tornou tão poderosa? O consultor Ricardo Oliveira, especialista em mídias sociais explica, e ainda mostra como você ou sua empresa podem tirar proveito da febre do momento.
Ricardo Oliveira está na primeira edição de 2011 da revista Administradores, na matéria "140 caracteres na timeline, uns trocados a mais no bolso", ao lado de tuiteiros famosos, como Maurício Cid (o @NãoSalvo), Edney Souza (@Interney) e Tessália Serighelli (@twittess).
Administradores - Por que o Twitter virou uma febre e cresce a cada dia?
Ricardo Oliveira - O Twitter chegou ao seu quarto ano tendo muita coisa pra comemorar, mas também muitos novos desafios. É uma ferramenta bem estabelecida, por responder a algumas necessidades desta geração: convergência e velocidade na comunicação. Ele hoje funciona como um grande agregador de conteúdo, cujo filtros são seus próprios amigos. Fato é que, dependendo da quantidade de laços que você tem nesta rede, a velocidade pode ser muito alta - o que para alguns é confusão e para outros é diversão.
- Quando falamos de Twitter, podemos pensar em web 2.0 ou já estamos um estágio à frente?
Ele representa o ápice das características da Web 2.0, incluindo aí a formação de inteligências coletivas, código aberto para desenvolvimento de novas aplicações e, essencialmente, a participação. Porém, no Grupo de Pesquisa em Processos e Linguagens Midiátiacas (Gmid/Universidade Federal da Paraíba), temos percebido que ele, muito provavelmente, indica a evolução dessa web para um novo estágio de autonomia ainda mais latente, evidenciando em práticas ainda mais simples, que todos somos uma mídia.
- Há quem use o Twitter para ações promocionais de terceiros, para divulgar ações próprias, linkar sites e blogs etc. Como você o avalia enquanto espaço para negócios?
A relação, na verdade, é de causa e consequência: os negócios acontecem onde as pessoas estão. Se o meu público está no Twitter, eu também devo estar lá. O diferencial, contudo, tem sido verificar que há linguagens, tendências e hábitos específicos daquele ambiente. Logo, a dinâmica de consumo também será influenciada. Perceber tudo isso e pensar estrategicamente tem sido o segredo de ações que deram certo.
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Os tuiteiros Maurício Cid, Edney Souza e Tessália Serighelli estarão na edição de janeiro da revista Administradores |
- Qual a melhor forma de atuar de forma comercial sem que isso se torne um incômodo para quem segue?
O essencial é entender seu público e dar o que ele espera, buscando experimentar para inovar, mas com cuidado. Pelas pesquisas, o público no Twitter está extremamente interessado em bom conteúdo (que vai desde o humor até as notícias mais sérias) e em boas promoções para fazer compras com descontos. Nos dois casos, nunca vai funcionar "forçar a barra" com excesso de mensagens indesejadas, postagens muito esporádicas, serviço mal prestado ou uma não-compreensão da linguagem e hábitos do público. Afinal, as pesquisas também indicam que os tuiteiros abrem a boca pra reclamar do que não gostam, com muita frequência.
- O Twitter, sozinho, é uma ferramenta poderosa? Muitos tuiteiros famosos atuam casando a rede de microblogs com outras plataformas, como blogs, sites ou mesmo outras mídias sociais, como o Youtube.
Ele, assim como todas as outras mídias da web, nunca são suficientes por elas mesmas no caso específico de ações de marketing e publicidade. Isso porque um perfil no Twitter sozinho não dá segurança e solidez o suficiente para o público interagir com a marca. Geralmente, é apenas um dos braços de um corpo, sendo a cabeça geralmente o site oficial ou mesmo um blog. Isso não quer dizer que ele não tenha força, já que hoje a audiência de muitos sites e blogs vem, em sua maioria, do Twitter. Contudo, não podemos ter a visão de que, pelas proporções que ele ganhou, o Twitter é forte em si mesmo como mídia na lógica mercadológica.
Na edição de janeiro da revista Administradores, os especialistas e tuiteiros dão outras dicas para quem quer se dar bem na rede de microblogs. Garanta a sua.







