23 de fevereiro de 2010, às 00h06min
A boa gestão financeira
Uma observação mais aprofundada sobre o mercado corporativo nos permite constatar que grande parte das empresas de pequeno e médio porte não se utiliza de ferramentas apropriadas para uma boa gestão financeira.
Planejamento Estratégico
O primeiro passo para uma boa gestão financeira é a empresa definir com clareza sua missão e objetivos estratégicos. Com base nesses documentos, a empresa deve elaborar anualmente um Planejamento Estratégico de 5 anos, em que os administradores poderão avaliar e definir seus caminhos estratégicos para o crescimento e melhora de rentabilidade. O plano estratégico deve ser transformado em números e aprovado por todos os sócios conjuntamente.
Plano Tático
Desenhado o plano estratégico, a direção da empresa deve elaborar um Plano Tático (orçamento) para o próximo ano. Para isso, é preciso quantificar esse plano, transformando-o em um orçamento mensal de receitas e despesas, bem como fazer uma projeção do Balanço Patrimonial da empresa, a fim de se estabelecer as melhores formas de financiar as necessidades de capital de giro.
Examinando as projeções financeiras, a direção da empresa pode avaliar se o desempenho previsto está alinhado com as metas gerais e com as expectativas dos investidores. Por meio de demonstrações financeiras projetadas, é possível avaliar as diversas alternativas de investimento e de crescimento, além de analisar ações de melhoria de rentabilidade e de geração de caixa.
Avaliar as melhores e mais econômicas formas de financiamento, procurando sempre as linhas de crédito que sejam compatíveis com a geração de caixa futura da empresa, é ponto-chave para o sucesso nesta etapa.
Estudar a estratégia de preços e as melhores ações mercadológicas e decidir sobre projetos de melhoria de rentabilidade de cada produto também são itens críticos neste momento.
Apresentação do orçamento para o ano seguinte
Após toda essa avaliação, a direção deve apresentar o orçamento para o ano seguinte aos sócios, que por sua vez deverão avaliar as alternativas analisadas e aprovar a que julgarem ser a melhor opção. O passo seguinte é então definir os objetivos financeiros e não financeiros e estabelecer um plano de metas e de remuneração variável dos executivos da empresa com base nas metas aprovadas.
Acompanhamento mensal e ações corretivas
Para que a direção da companhia possa acompanhar se os resultados reais estão de acordo com os planejados, é importante acompanhar mensalmente os números da empresa com regularidade, de modo que o fechamento seja logo nos primeiros dias do mês subseqüente. Os executivos devem analisar os resultados mensais comparando-os com os previstos no orçamento e, em caso de desvio, propor ações de correção. É essencial que os resultados comparados com o orçamento, as análises e os planos de correção sejam apresentados aos sócios mensalmente e os planos de correção aprovados.
Avaliação da rentabilidade
Outro ponto crucial é que a Administração avalie pelo menos duas vezes ao ano a rentabilidade dos produtos, dos canais de vendas, dos vendedores e clientes. Não são raros os casos em que a companhia observa que produtos, vendedores e clientes estão dando prejuízo.
Contas a pagar e receber e níveis de inventário
È ainda fundamental avaliar mensalmente as contas a receber do Balanço Patrimonial, a fim de saber como estão se comportando os pagamentos dos clientes e se não há atraso. Os níveis de inventário também precisam ser avaliados trimestralmente para que seja possível detectar algum excesso ou itens sem uso. Ações deverão sempre ser propostas e apresentadas aos sócios para aprovação. A Administração deve também solicitar à contabilidade a reconciliação das contas do Balanço Patrimonial pelo menos a cada trimestre, a fim de avaliar se todas as contas a receber e a pagar estão devidamente contabilizadas e documentadas.
Gestão do Caixa e de Empréstimos
Outra área que demanda atenção especial é a gestão do caixa e de empréstimos. Em toda a decisão de investimentos, em que a empresa terá que recorrer a empréstimos, os executivos devem sempre procurar adequar o pagamento das parcelas dos empréstimos e juros de acordo com o fluxo de caixa do projeto. A recomendação é nunca comprometer mais de 25% do Lucro Operacional no pagamento de juros. A empresa também deve ter um caixa suficiente para tempos difíceis. Nesse caso, a recomendação é que a empresa mantenha em caixa e/ou investido em papéis/fundos de liquidez imediata algo em torno a 50% da venda de um mês.
Enfim, estas são algumas dicas que, se levadas a sério pelos administradores e sócios, trarão com certeza uma melhora na rentabilidade da empresa, na geração de caixa e no valor da empresa.
* Fábio Cornibert é sócio da CFN Consultoria, especializada em Gestão de Negócios.
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