04 de agosto de 2009, às 15h49min

A não-obrigatoriedade do diploma em jornalismo

Um dos assuntos mais polêmicos da comunicação ultimamente tem sido a decisão do Supremo Tribunal Federal que decretou a não-obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalismo.

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Por Marília Cardoso, InformaMídia Comunicação
 
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Um dos assuntos mais polêmicos da comunicação ultimamente tem sido a decisão do Supremo Tribunal Federal que decretou a não-obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalismo.

Muitos jornalistas foram às ruas protestar; outros manifestam sua insatisfação nas redes sociais. Entretanto, alguns até defendem a atitude.

A questão é bastante complexa. Há muito tempo pessoas sem formação atuam em grandes e pequenas redações. A experiência cotidiana e o talento para a coisa fizeram com que eles estivessem numa situação ilegal até então. Com a decisão, muitas empresas jornalísticas puderam finalmente regularizar o registro desses profissionais.

Mas, se por um lado agrada, de outro desagrada, e muito. Em primeiro lugar, os líderes de uma nação devem defender impreterivelmente a educação e a formação profissional em vez de louvar quem se orgulha de nunca ter se sentado numa cadeira universitária.

Liberdade de expressão nada tem a ver com o sucateamento dos meios de comunicação. Para crescer e progredir, um país necessita de um povo bem informado, culto, que seja capaz de decidir os rumos da nação por meio daqueles que elege.

Entretanto, é preciso deixar claro que o jornalismo por si só é uma profissão incompleta. Não podemos ser profissionais generalistas, daqueles que cobrem a editoria de política pela manhã, substitui o editor de moda que faltou e comenta o jogo de futebol à noite.

Se a categoria enfrenta esses problemas agora, sendo totalmente desvalorizada e enfraquecida, foi porque de certa forma, nós falhamos. Erramos em ser superficiais demais, em acharmos que somos super-heróis e por falarmos besteiras em áreas que não nos especializamos.

A grande contradição do Supremo Tribunal Federal está em achar que os jornalistas podem ser facilmente substituídos por profissionais de outras áreas ou até pelos sem formação. Não é nada disso. A saída não está na negação aos estudos e sim no investimento que se faz nele.

Todo jornalista precisa buscar sua especialização. Quem cobre esportes deve entender profundamente a área e não ficar limitado somente ao futebol. Os de moda devem estudar o assunto a fundo tornando-se quase estilistas. Os de saúde precisam deixar de se acharem médicos depois da terceira ou quarta entrevista com um especialista.

Aos que pensavam em estudar jornalismo e aos que já estudam só posso dizer uma coisa. Estudar sempre vale a pena. A vivência diária no jornalismo é essencial, mas não é possível acreditar em prática sem teoria. Todo profissional precisa passar por uma universidade. O berço acadêmico é e continuará sendo o melhor antídoto contra a falta de profissionalismo.

Às universidades, que hoje reclamam e já começam a prever e amargar prejuízos com a redução da procura pelo curso, também tenho algo a dizer. Peguem o caminho oposto. Em vez de simplesmente suspenderem o jornalismo de suas grades, incluam cursos de especialização nas mais variadas ramificações da área. Façam com que os jornalistas sejam profissionais insubstituíveis.

Se investirmos mais na educação em vez de apenas ignorá-la, teremos mais qualidade nas informações que recebemos diariamente pelos jornais, revistas, rádio, televisões e internet. Mas, lembre-se que estamos sozinhos nessa. Autoridade nenhuma se interessa por uma imprensa bem treinada. Ter bons profissionais atuando significa nada mais, nada menos que ver seus atos secretos caírem na boca do povo. E isso só não atinge quem não está nem aí para a opinião pública.


Marília Cardoso é jornalista, pós-graduanda em comunicação empresarial e fundadora da InformaMídia Comunicação.


 

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