02 de outubro de 2009, às 00h08min

As empresas devem liberar as redes sociais para seus funcionários?

Embora seja um dos “meios” de comunicação mais simples e interativa, no mundo corporativo a internet demanda uma gestão rápida e prática das informações capturadas, inicialmente em transações e posteriormente através de serviços

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Por Waldir Arevolo , www.administradores.com.br
 
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Recentemente o mundo empresarial percebeu que além de gerir o capital financeiro, ele deverá organizar e transformar o capital social em resultados quantitativos e qualitativos para os negócios. Interagir com um maior número de pessoas e analisar uma quantidade maior de informações geradas nas redes sociais, que crescem exponencialmente, é uma nova forma de converter todo esse conteúdo em conhecimentos e experiências que sejam realmente relevantes para o business das empresas.

Atualmente um dos meios mais eficientes de comunicação é a Web 2.0. As diversas redes sociais, os inúmeros blogs, os sites que surgem a cada dia, tem tornado esse ambiente mais dinâmico e atrativo. E quando imaginamos que existe pouco espaço para soluções simples e inovadoras surgem novidades que nos impressionam e nos impulsionam a utilizá-las. É o caso do Twitter que propaga enorme quantidade de informações diariamente e continua crescendo através do ingresso de novos “seguidores”.

Toda essa evolução de relacionamentos e dinamismo destes canais nos leva a uma questão que preocupa as empresas: Como criar filtros de comunicação para monitorar e capturar informações realmente relevantes, confiáveis, e de qualidade para suportar as decisões de negócios? E mais, como organizar esse conteúdo e convertê-lo em valor quantificável para o business?

Vale lembrar que toda a informação da internet ainda deve ser somada ao conteúdo gerado pelos veículos tradicionais, tais como rádio, TV e jornais. Embora eles utilizem uma abordagem mais unidirecional de comunicação com seus públicos, já apresentam exemplos práticos de interação, confirmando a tendência para um relacionamento mais colaborativo que une a combinação e a utilização integrada dos meios de comunicação.

Um número crescente de companhias em todo o mundo está adotando modelos híbridos para aproximarem-se dos clientes, potenciais clientes, parceiros e fornecedores com o objetivo de intensificar o processo de conversão das informações originalmente desestruturadas em conhecimentos valiosos, serviços mais completos e produtos ainda mais alinhados as expectativas e variáveis competitivas do mercado.

Todo esse avanço levanta outra dúvida para as empresas em relação as redes sociais . Liberá-las para o uso dos colaboradores internos ou não? A resposta afirmativa é inevitável, tanto sob o ponto de vista tático quanto estratégico para os seus negócios: Os funcionários, melhor dizendo: reais colaboradores, fazem parte do seu “ecossistema de negócios” e como parte importante do seu capital social, devem ser motivados a aproximarem-se ainda mais dos clientes, entender melhor o mercado e saber o que se passa com seus competidores.

Com a Web 2.0 todos os seus colaboradores internos, independentemente de seus cargos e títulos, devem ser encarados como parte ativa de sua força de venda, de campanhas de marketing, de recrutamento de novos talentos e de seu centro de inovação. Do contrário, como as empresas ganharão credibilidade e interatividade com seus clientes, se os seus próprios colaboradores são colocados a margem dessas iniciativas?

O primeiro passo é conscientizar todos os funcionários que a empresa realmente quer tê-los como reais colaboradores e co-responsáveis pelo sucesso da empresa. Na prática Isso significa orienta-los e motiva-los para que utilizem seus conhecimentos e propaguem informações em benefício da própria empresa assim, conseqüentemente beneficiarem-se financeiramente e socialmente com a empresa na quais colaboram.

Com essa transição cultural a nível corporativo, todos os colaboradores se sentem responsáveis pelos resultados e pela reputação da imagem da empresa no mercado, ou seja, além das tradicionais políticas e procedimentos para proteger a reputação da empresa, a “monitoração dinâmica e colaborativa” das informações e interações geradas interna e externamente solucionará rapidamente qualquer comportamento inapropriado de um de seus colaboradores ou de qualquer evento externo, pois todos eles sentem-se realmente envolvidos nas situações que podem beneficiá-los ou prejudicá-los através dos resultados e da reputação da empresa.

O segundo passo, utilizando os colaboradores internos e externos (clientes, parceiros e provedores) é gerar contextos realmente interativos nos quais todos os participantes consigam rapidamente encontrar a razão pela qual estão colaborando, a importância de interagem com a empresa e o que realmente estão ganhando com essa ação. Desta forma, será muito mais fácil e natural converter as informações e conhecimentos obtidos nesses relacionamentos em produtos melhores, serviços mais eficientes e negócios inovadores e rentáveis.

Lembre-se também que interatividade e contexto andam juntos, e que no caso da geração e organização do capital social em benefício dos negócios da sua empresa o “I” de informação será muito mais relevante que o “T” de tecnologia. As pequenas, médias e grandes empresas que atraírem rapidamente clientes para essa realidade mais dinâmica e construtiva para ambos os lados (colaboradores e negócios) serão aquelas que ganharão maior competitividade e manterão a concorrência cada vez mais distante do seu mercado. Cabe resolver a equação da (TI2) e uma sugestão: Atraia e retenha melhor o capital social de seu ecossistema proporcionando informação com interatividade, antes que alguém faça isso por você.


Waldir Arevolo é consultor sênior da TGT Consult. Antes, foi diretor de pesquisas do Gartner, cobrindo os temas de BPM, Portais, Knowledge Management, Colaboração e e-Learning. Atuou também em empresas como Philips e Unibanco, na área de Arquitetura de Sistemas e Informação.


 

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