18 de março de 2010, às 08h51min
BNDES flexibiliza regras para repasses a instituições de microcrédito
Banco avalia que as alterações podem duplicar o volume de desembolsos e expandir em 50% o valor da carteira nos próximos dois anos, de R$ 80 milhões para R$ 120 milhões
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) decidiuflexibilizar as regras de repasses de recursos para instituições microfinanceiras e cooperativas de crédito que operam com pequenos negócios e empreendedores formais e informais. Em comunicado à imprensa, o banco avalia que as alterações podem duplicar o volume de desembolsos e expandir em 50% o valor da carteira nos próximos dois anos, de R$ 80 milhões para R$ 120 milhões.
O reflexo será imediato na disponibilização deste recurso ao tomador final. Até dezembro de 2009, no âmbito do Programa BNDES de Microcrédito, foram contratadas 40 operações, somando cerca de R$ 125 milhões, tendo sido desembolsados mais de R$ 95 milhões.
Um dos ajustes feitos foi a redução, de R$ 1 milhão para R$ 500 mil, do valor de financiamento para tomadores de 1º piso, aquelas que emprestam diretamente ao microempreendedor, como Oscips, Sociedade de Crédito ao Microempreendedor (SCM) e Cooperativas Singulares de Crédito.
"As mudanças certamente darão maior agilidade na concessão de crédito aos agentes repassadores, por meio da simplificação dos procedimentos operacionais do banco", avalia o diretor técnico do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos.
O tempo entre o pedido de financiamento e a liberação dos recursos será bastante encurtado, favorecendo a clientela de instituições microfinanceiras e cooperativas de crédito que operam com recursos do BNDES.
"Medidas como essas, de grande impacto na concessão do crédito para micro e pequenas empresas e agora também aos empreendedores individuais, sempre estão na pauta das nossas discussões com os agente financeiros públicos e privados", completa o diretor.
Também houve a simplificação dos procedimentos internos, a fim de reduzir o tempo entre o pedido de financiamento e a liberação de recursos. Além disso, foram implementadas melhorias na metodologia e análise de risco de crédito das instituições repassadoras, o que resultou no aumento da alavancagem máxima permitida, ou seja, as instituições foram autorizadas a aumentar seu endividamento e com isso oferecer mais recursos a mais tomadores. Isso aumenta a base de carteira e expande o alcance do Programa BNDES Microcrédito.
"A mudança dará amplitude ao perfil das instituições beneficiadas pelo programa, e por conseqüência, uma maior oferta e acesso ao crédito pelo pequeno empreendedor e o empreendedor individual", explica o analista de serviços financeiros do Sebrae em Minas Gerais, Marcelo Barroso.
Outro ajuste foi o aumento no prazo de carência de 24 meses para 36 meses, no caso de operações de 1º piso, e para 60 meses nas operações de 2º piso em que instituições de crédito de maior porte (cooperativas centrais, bancos cooperativos ou comerciais e agências de fomento) repassam recursos a instituições credenciadas a oferecer microcrédito ao tomador final. "Isso dará mais fôlego às instituições repassadoras dos recursos, permitindo maior prazo para amortização do saldo devedor", afirma Barroso.
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