24 de julho de 2009, às 13h23min
Caso AMBEV caracteriza concorrência predatória, prática largamente utilizada no Brasil
O programa “Tó Contigo” da Ambev, responsável pela multa de R$ 352,7 milhões aplicada pelo Cade - Conselho Administrativa de Defesa Econômica, no dia 22 último, demonstra quão grande e predatória é a concorrência das grandes companhias internacionais do setor de bebidas no Brasil
Este cenário não é novo, mas é assustador, porque vem trazendo prejuízos diretos para mais de 200 produtores nacionais, que vivem lutando por espaços, em um mercado altamente concentrado, onde a Ambev e Coca-Cola abocanham 89% do faturamento global, alega Fernando Rodrigues de Bairros, presidente da AFREBRAS - Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil, enfatizando que nos últimos seis anos foram fechadas mais de 500 pequenas e médias fábricas no Brasil, em virtude da concorrência predatória, o que ocasionou mais de 50 mil demissões em todo o País.
Sem contar os danos causados à sociedade, uma vez que essas práticas obrigam o consumidor a adquirir os produtos da empresa dominante, impedindo a comercialização de uma terceira marca. “ Podemos afirmar com total segurança, que os produtos nacionais, na maioria dos casos, não estão disponíveis aos consumidores, não por problemas de distribuição e sim devido à imposição das marcas líderes, que monopolizam e controlam o mercado”, enfatiza Bairros.
“Felizmente o Cade, órgão responsável pela aprovação das fusões de grandes corporações, geralmente internacionais, que sempre se refletem em prejuízos para vários setores da economia nacional, vitimando os pequenos e médios empreendimentos, está despertando para esta preocupante realidade, e mostrando para as companhias dominantes que existe lei no Brasil ”, afirma o presidente da Afrebras.
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