08 de junho de 2009, às 00h08min

Empresas não podem proibir namoro

Segundo o vice-presidente de Relações Trabalhistas e Sindicais da ABRH-Nacional, Carlos Pessoa, não há amparo legal algum para a proibição do namoro em empresas, que se caracterizaria por uma ingerência das empresas na vida das pessoas.

Por Pollyanna Melo com assessoria, www.administradores.com.br
 
Faz parte do rol de normas de muitas empresas a proibição formal ou informal ao namoro entre empregados. Algumas empresas chegam a demitir empregados que começam a namorar. Segundo o vice-presidente de Relações Trabalhistas e Sindicais da ABRH-Nacional, Carlos Pessoa, não há amparo legal algum a essa prática, que se caracterizaria por uma ingerência das empresas na vida das pessoas.

“Algumas empresas proíbem o namoro e até mesmo a permanência de parentes ou cônjuges no trabalho, mas isso é ilegal. O que as empresas podem fazer é proibir condutas inadequadas no ambiente de trabalho, tanto entre namorados como entre colegas”, explica.

Para Pessoa, é falsa a afirmação de que o namoro ou a relação afetiva entre empregados de uma mesma empresa pode afetar a produtividade dos empregados. Ele lembra uma pesquisa norte-americana sobre o tema, que aponta exatamente o inverso:

“Há alguns anos, uma pesquisa feita nos Estados Unidos revelou que duas pessoas livres e desimpedidas, de uma mesma empresa, quando começavam um namoro, se tornavam ambas muito mais produtivas e estimuladas para o trabalho. É claro que em situações de crise da relação, quando os casais brigam ou se separam, o inverso pode acontecer. O que é importante perceber é que, em todas essas situações, estamos falando de seres humanos que têm o direito a construir relações afetivas”, assinala.

Para as empresas, as proibições ao namoro entre empregados aplicam-se de modo ainda mais intenso quando os empregados têm relação profissional direta, ou seja, são chefe e subordinado:

“Uma questão muito delicada é o assédio moral ou sexual. Mas isto se dá quando um chefe tenta forçar uma relação com um subordinado usando a seu favor a relação de subordinação. Não entendo que exista qualquer tipo de assédio quando o subordinado tem interesse na relação, o que torna o relacionamento um namoro como outro qualquer. As empresas precisam compreender, ainda, que os solteiros, nos dias de hoje, têm dificuldades em encontrar relacionamentos duradouros e a maior chance disso se concretizar é justamente no trabalho, onde passam a maior parte do dia.”, assinala Pessoa.

Romance & Cia


Segundo Pessoa, há dois tipos de romances no trabalho que podem ter um efeito desagregador sobre as equipes: o primeiro é quando um ou uma chefe namora um ou uma subordinada. Neste caso, o chefe precisará se esforçar muito para mostrar que segue sendo imparcial, a despeito da relação.

“O segundo caso é mais complexo. Ele se dá quando a equipe percebe que um determinado empregado mantém uma relação com um ou uma chefe exclusivamente por interesse de carreira, o que se torna um fator de desagregação. Em todos esses casos acredito que a intervenção direta da empresa, por meio de uma proibição formal, apenas joga a relação para a clandestinidade, o que a torna ainda mais perigosa. A melhor opção é não proibir e promover debates e workshops para tratar do tema, evidenciando seus aspectos positivos e negativos. A conversa, o debate e a transparência são sempre a melhor política”, explica.

O namoro no trabalho é muito mais comum do que se costuma imaginar. Uma pesquisa promovida pelo site Lawyers.com em 2006, nos Estados Unidos, revelou que 41% dos empregados entre 25 e 40 anos admitiam estar envolvidos em romances no escritório. No Brasil não há dados oficiais a respeito, mas estima-se que o número possa ser ainda maior nessa faixa etária.
 
http://www.administradores.com.br/informe-se/informativo/empresas-nao-podem-proibir-namoro/23673/