19 de dezembro de 2007, às 00h10min
Felicidade é um reflexo da motivação?
O mercado globalizado enfrenta uma constante avalanche de mudanças e, naturalmente, esse fato reflete tanto nas ações de uma empresa quanto nas atitudes das pessoas que nela atuam.
Motivação... Essa tem sido uma preocupação permanente das empresas, pois dela depende o desempenho dos profissionais e, conseqüentemente, a obtenção de resultados e a superação de metas. Afinal, que fatores determinam o sucesso ou o fracasso de um programa motivacional? Por que estimular os colaboradores parece ser uma tarefa cada vez mais difícil para as empresas? Essas e outras questões circulam a mente de vários profissionais de Recursos Humanos e de gestores, que no dia-a-dia vivenciam a realidade corporativa e identificam altas e baixas no clima organizacional.
Para o Adonai Zanoni, administrador, consultor em Gestão de Pessoas e conferencista, sem dúvida alguma o grande desafio das organizações é manter as equipes motivadas. Entretanto, não basta apenas que a motivação faça parte da estratégia e da missão de uma empresa. É preciso muito mais: é necessário que os líderes tenham um profundo conhecimento da alma e das necessidades humanas, ou seja, conheça e acompanhe cada membro de sua equipe.
“Vivendo novos tempos, com novas oportunidades e com uma visão de negócios voltada para a gestão eficiente e de resultados, onde motivar significa transformar pessoas e ambientes, gerando oportunidades de crescimento para cada individuo. Motivar significa dar chances para que cada indivíduo encontre o seu lugar ao sol”, afirma, o consultor ao destacar que atualmente a ferramenta mais inteligente que tem sido utilizada na Gestão de Pessoas é a geração de benefícios. Dessa forma, além das organizações criarem um vínculo de bem-estar com o profissional, o mesmo percebe as suas vantagens e reage. Então, bons benefícios se traduzem em excelentes reações no ambiente de trabalho.
Quando questionado se uma empresa que motiva consegue alegrar os funcionários e gerar reflexos positivos no clima organizacional, Zanoni diz que as chances são expressivas. No entanto, ele alerta para o fato de que a alegria pode ser pode momentânea. O importante é criar um ambiente favorável ao desenvolvimento das atividades em médio e longo prazo, com uma liderança voltada para o desenvolvimento de talentos humanos.
Na visão do consultor, uma organização que conta com profissionais motivados e felizes possui foco nos colaboradores, nos clientes, nos fornecedores e na sociedade onde atua. Quando esses quatro quesitos são bem atendidos, forma-se uma empresa respeitada e amada.
Mas como identificar se os funcionários estão ou não felizes no ambiente organizacional? É preciso recorrer a determinadas ferramentas como a pesquisa de clima e a avaliação de desempenho. Contudo, é fundamental saber ouvir as pessoas e perceber o que realmente elas desejam. Em um bom bate-papo, por exemplo, os profissionais revelam detalhes interessantes do dia-a-dia na organização, o que nem sempre uma pesquisa de clima consegue captar através de um formulário, um questionário.
Além das ferramentas formais, Adonai Zanoni aconselha que a área de Recursos Humanos utilize outros recursos para conhecer os sentimentos dos colaboradores em relação às atividades e à empresa de uma forma ampla. Para isso, é preciso saber um pouco do universo de cada profissional. “É entender o colaborador e se seus anseios, sonhos, desejos, gostos e preferências estão sendo atendidos. É dar importância às suas idéias, investindo em conhecimento e educação, ampliando a sua participação nos processos de tomada de decisão e colocando-o num lugar de valor, gerando respeito e dignidade”, complementa.
Onde está o erro? – É notório que as organizações cada vez mais realizam ações direcionadas estimular a motivação e melhorar o clima corporativo. Mas, em alguns casos, apesar dos investimentos os resultados não são animadores e as equipes revelam índices de insatisfação preocupantes. O erro mais comum que as empresas cometem – ao investirem em ações motivacionais – é contratar um palestrante famoso ou fazer um evento de fim de semana cheio glamour e entusiasmo, e ter líderes que na segunda-feira detonam seus subordinados. Ao invés de jogarem dinheiro fora, antes de motivar as pessoas, as organizações devem trabalhar bem a mente e o comportamento dos seus líderes, gerar valor nas suas ações diárias e criar ambientes harmoniosos.
Por fim, Adonai Zanoni lembra que para motivar os funcionários, não é obrigado que as organizações gastem cifras significativas. E argumenta que o simples fato de elogiar o colaborador em virtude de uma solução adequada diante de determinado problema, dividir conquistas, mandar um e-mail informando a satisfação de um cliente bem atendido, um cartão de aniversário e até mesmo um telefonema inesperado do líder pode ter resultados impressionantes e positivos que impactam na motivação do indivíduo. “Acredito muito no aperto de mão e no abraço. São sempre bem-vindos e cheios de muito significado a qualquer hora e em qualquer lugar. E isso, que nós gestores de pessoas, chamamos de humanidade”, sintetiza.
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