05 de outubro de 2009, às 08h27min
Home Office Agora é Lucro!
Veja como é possível adequar sua residência ao seu negócio
O avanço cultural, neste aspecto, foi tão grande que a antiga biblioteca (ou sala de leitura) teve de sair de cena e dar lugar a um novo protagonista: o home office. Não que as pessoas não gostem mais de ler; mesmo com a revolução da internet na era da globalização, a indústria de livros e revistas manteve seu espaço. Mas várias adaptações foram necessárias em nosso cotidiano.
Alguns especialistas no mercado de trabalho afirmam que os escritórios residenciais sugiram como uma alternativa às crises econômicas e aos altos índices de desemprego.
Outros explicam que as grandes empresas, preocupadas em reduzir os altíssimos custos operacionais (que incluem desde o metro quadrado da locação do imóvel, despesas com água, luz, telefone, materiais de escritório, condução do colaborador, até mobiliário e equipamentos), mandaram parte de sua equipe para casa. Há quem defenda ainda que a decisão de não sair de casa partiu dos profissionais, preocupados em conviver mais com a família ou afugentados pelo estresse da vida urbana.
Fato é que o home office deixou de ser uma “área morta” da casa ou opção de alguns poucos profissionais liberais e conquistou solidamente consultores, executivos e empresários. Pesquisas recentes apontam que 10% dos trabalhadores brasileiros já vivem da renda obtida com o escritório em casa (isso levando em conta aqueles que possuem carteira assinada).
Qualidade de vida é expressão da moda, e a maioria de nós busca maneiras de aliar positivamente os momentos de lazer e trabalho. Independentemente do motivo que tenha levado a sair do ambiente empresarial, ganhar dinheiro é bom e necessário, e, dependendo da função que se pretende exercer, trabalhar em casa pode ser ainda mais produtivo e rentável.
Mas atenção: montar e manter (principalmente manter) um escritório lucrativo na residência exige uma série de providências, da estrutura física aos aspectos comportamentais. Quanto às instalações, o arquiteto Fabio Rocha, experiente em projetos corporativos, recomenda:
1) Primeiramente é preciso identificar o objetivo do usuário para esse ambiente: ali se estabelecerá seu negócio principal ou apenas uma extensão da empresa? Em qualquer dos casos, sugerimos sempre que o home office seja um local com “aspecto de escritório”.
Essa proposta pode parecer estranha, mas entendemos que todos os recursos e estímulos fornecidos devam remeter a um ambiente empresarial. No entanto, caso o espaço vá ser usado somente como sala de leitura (de livros ou e-mails), talvez possa haver uma flexibilidade maior em integrá-lo à residência, conforme o perfil do cliente.
2) O plano de negócios vem logo a seguir: antes de se pensar em comprar prateleiras, gaveteiros e cadeiras, é necessário saber se o profissional trabalhará sozinho ou precisará de assistentes, bem como se receberá fornecedores e clientes.
É fundamental analisar se a área disponível atende às necessidades do modelo do negócio antes de iniciá-lo, para que se evitem desperdícios causados por mudanças repentinas (cartões de visita, investimentos na estrutura física até os contatos comerciais já efetivados).
3) A partir da aprovação da área, deve-se fazer a lista dos itens indispensáveis às atividades: computador, impressora, aparelho de telefone etc., tudo precisa ser relacionado antecipadamente, para que sejam previstos os pontos de elétrica, dados e voz adequadamente, e se utilize o espaço da melhor maneira possível.
4) Para favorecer o conforto acústico, a concentração e cumprimento de tarefas, o local de trabalho deve se manter, preferencialmente, isolado das outras áreas da residência e sempre que possível contar com uma entrada independente.
5) Quanto ao planejamento dos ambientes físicos, é primordial pensar na flexibilidade da área de trabalho, com a viabilização de projetos humanizados, que levem em consideração aspectos psicológicos e práticos, a fim de tornar o ambiente compatível com os processos ali executados.
A iluminação deve evitar reflexos e ofuscamentos. Mesas e cadeiras, para uso do computador, devem possuir regulagens simples e estar em locais de fácil acesso, que permitam a mudança da postura ao longo da jornada de trabalho. Quanto aos ângulos de visão, a parte superior da tela deve coincidir com a altura dos olhos, para evitar a projeção da cabeça para a frente e a adoção de posturas críticas.
O plano de digitação deve coincidir com a altura do cotovelo. O braço deve fazer com o antebraço um ângulo igual ou maior do que 90 graus. Punho neutro: deve-se procurar digitar com o punho reto (alinhado com o antebraço), em posição neutra. Ou seja, todas as regras de ergonomia devem ser observadas, em escritórios inseridos em residências ou não.
Outro aspecto a observar refere-se às regras de condomínio e vizinhança. É importante saber se existe restrição quanto ao negócio a ser montado, recebimento de visitas e normas de segurança em geral.
Quanto ao comportamento, é imprescindível:
1) Estabelecer um horário fixo para as atividades laborais, a fim de não cair no erro de trabalhar exageradamente (ou muito pouco, pois deixar tarefas incompletas pode ser prejudicial aos resultados financeiros).
2) Vestir-se para o trabalho! (Sem mais comentários... Ficar de pijamas até a hora do almoço, nem pensar!).
3) Evitar as interrupções (como idas até a cozinha ou espiadas nas crianças).
4) Fazer cursos, assistir a palestras e participar de eventos (fora de casa, claro). É importante manter-se atualizado e relacionar-se com o mercado como um todo.
De modo geral, o profissional deve se cercar de condições que o façam sentir-se bem, estimulado e feliz e jamais dar margem a sentimentos de fracasso e frustração! O ambiente deve favorecer a concentração, a criatividade e a produtividade.
Pelo fato de oferecer conforto, privacidade, economia e agilidade que só um escritório próprio (e dentro de casa!) pode proporcionar, tudo indica que o home office veio para ficar. Resta a esse tipo de empreendedor planejar, cumprir metas e analisar-se constantemente (como seria exigido em qualquer organização). Depois é só colher os frutos vindos em forma de melhoria da qualidade de vida e... lucro!
Sílvia Rocha - Pós-graduada em Negócios Imobiliários pela Faap de São Paulo, Sílvia Rocha fortalece as áreas de Administração e Marketing da Fabio Rocha Arquitetura. Graduada em Psicologia, diversificou seus conhecimentos com cursos nas áreas de direito, administração e marketing.
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