Mas não adianta correr para esse fórum se você não conseguiu trocar uma roupa porque não gostou da cor. Nos Juizados Especiais só se julgam situações que envolvam prejuízos financeiros e danos ao consumidor, como um exame médico que o plano de saúde não quer cobrir ou um produto cuja troca é prevista pela lei.
Para recorrer aos serviços dos Juizados Especiais existe uma regra básica: o valor da indenização pedida não pode ultrapassar 40 salários mínimos, ou seja, R$ 20.400 (para o cálculo, foi considerado o salário mínimo de R$ 510). Os consumidores podem mover por conta própria suas ações. Só é necessário utilizar os serviços de um advogado se o caso envolver valores acima de 20 salários mínimos (R$ 10.200). Ainda assim, o governo disponibiliza profissionais que prestam esse serviço gratuitamente.
Quando o consumidor identificar algum desrespeito ao Código do Consumidor, ele deve procurar primeiramente o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) da empresa ou do prestador de serviço em questão. De acordo com a advogada Vanessa Sellmer, especialista em direito do consumidor, o Procon deve ser acionado em uma segunda etapa, caso o problema não seja resolvido diretamente. O Juizado Especial é sempre a última instância do processo.
- O ideal é procurar o SAC da empresa ou a ouvidoria, porque algumas companhias querem evitar que o problema seja levado para uma esfera maior. Se a situação não for resolvida diretamente com o fornecedor, a pessoa pode procurar o Procon, mas só em último caso deve ir ao Juizado.
A assistente da diretoria do Procon-SP Adriana Pereira explica que um dos principais objetivos do órgão é mediar o conflito para que ele se resolva de forma amigável.
- Quando chega uma reclamação, nós enviamos uma carta para a empresa informando que há uma queixa contra ela. Nós tentamos mediar o conflito, mas se o consumidor não ficar satisfeito, a orientação é que ele procure o Juizado.
A advogada Vanessa afirma que ir ao Procon ajuda o consumidor a reunir provas que vão auxiliá-lo em um eventual processo no Juizado Especial.
- Procurar o Procon engrossa as provas de que você buscou alternativas de conciliação. Isso vai demonstrar para o juiz que você tentou resolver amigavelmente. Isso ajuda o magistrado a ter uma base de quanto foi o seu prejuízo, tanto material como moral.