28 de outubro de 2008, às 10h47min

Mercado interno poderá ser alternativa para enfrentar recessão mundial

Crise financeira e recessão devem valorizar o mercado interno brasileiro, com necessidade de melhorar a estrutura do segmento de serviços no País

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Por Vanessa Brito, Agência Sebrae
 
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Brasília - Nos últimos 20 anos, a política econômica brasileira foi essencialmente exportadora. A possível recessão mundial, decorrente da crise financeira internacional, poderá mudar o rumo da economia nacional. O mercado interno passará a ser uma boa alternativa para a absorção da produção brasileira e, consequentemente, para a estabilidade econômica do País.

Está chegando a hora e a vez do mercado interno obter mais atenção do governo e setores produtivos. O segmento de serviços bem-estruturado será fundamental para aproveitar as oportunidades que vão surgir e o Brasil poderá se destacar na economia mundial.

A crise financeira mundial ainda não impactou diretamente as empresas e empreendimentos de serviços brasileiros, mas vai impactar. Aqueles ligados às atividades exportadoras e importadoras deverão sentir mais rapidamente os efeitos da turbulência internacional.

Algumas indústrias exportadoras estão parando a produção e vão aguardar o dólar se estabilizar. O setor da construção está paralisado na capital paulista, devido a falta de crédito, e começa a causar impactos aos prestadores de serviço.

A situação mundial vai atingir menos os serviços pessoais, como cabelereiros e profissionais liberais, entre outros. As vendas do Natal deste ano podem ser inferiores às vendas do mesmo período em 2007. Menos contratações temporárias também devem ocorrer, na temporada natalina. Essas são algumas das avaliações feitas por Paulo Lofreta, presidente da Central Brasileira de Serviços (Cebrasse), em entrevista à Agência Sebrae de Notícias.

ASN - O segmento de serviços foi atingido pela instabilidade financeira internacional ?

Paulo Lofreta - Ainda não. Temos conversado com empresas de mais de 70 segmentos, ligadas à Cebrasse, e a maioria ainda não se sentiu afetada. Estão retraídas por pressão psicológica. A previsão é que aquelas, que prestam serviços a setores industriais com problemas, serão impactadas na mesma medida. A paralisação das construtoras em São Paulo por falta de crédito, por exemplo, deve gerar paralisação das empresas de serviço ligadas à construção em curto prazo. Outro segmento será o de empresas importadoras e exportadoras. Muitas indústrias pararam a produção até que o dólar se estabilize. As prestadoras de serviços em importação e exportação também serão atingidas.

ASN - Existe algum segmento que será menos afetado?

Paulo Lofreta - Deverá chegar para todos, com certeza. Porém, deve demorar mais para serviços prestados à pessoa, como cabelereiros, sapateiros, profissionais liberais, etc. O consumo continua, pois ainda não foram sentidos os efeitos da crise internacional.

ASN - E o Natal deste ano, como fica?

Paulo Lofreta - Ainda faltam dois meses, é difícil prever. Neste Natal, a contratação dos serviços temporários deverá refletir a retração do mercado. As vendas podem ser inferiores ao Natal de 2007. As pessoas vão ficar retraídas para o consumo.

ASN - Quais os conselhos para os empresários de serviços?

Paulo Lofreta Cautela. Neste momento, não devem expandir os negócios, nem assumir dívidas. Continuem trabalhando, mas com cautela. Mantenham o otimismo e vamos esperar que o governo tome as medidas cabíveis.

ASN - Quais seriam essas medidas?

Paulo Lofreta - A manutenção das linhas de financiamento para o capital de giro e produção é uma delas. O monitoramento do mercado para que bancos trabalhem de modo a retirar recursos do depósito compulsório e repassem para as empresas é outra. A atuação do BNDES não basta para acabar com os efeitos de uma crise como esta. Neste momento como este, tem que haver comprometimento de todos os bancos com a economia nacional.

ASN - Essa crise é uma tsunami ou não?

Paulo Lofreta - É uma tsunami, mas no Brasil chegou como uma onda do Havaí. As medidas tomadas, até o momento, ajudaram a acalmar, porém não sabemos o tamanho do rombo lá fora. Dizem que foram três trilhões de dólares investidos em bancos e empresas problemáticas. Estamos vivendo uma corrida de incerteza e insegurança. Intervenções do governo ajudam, mas não depende só dele. O mercado externo está sinalizando que haverá recessão mundial. O Brasil depende das exportações. O País se preparou para essa crise, desde o Proer. Até agora, poucos bancos brasileiros tiveram problemas e, até o momento, a crise pegou a construção civil e exportadoras.

ASN - O que pode significar para o mercado interno se a situação se agravar lá fora?

Paulo Lofreta - A saída agora é o mercado interno. Nos últimos 20 anos, a política econômica brasileira era exportadora. É verdade que temos produtos que estão acima da capacidade do consumo nacional. A soja, por exemplo, o mercado interno não tem como consumir toda a produção desse grão. Alguns segmentos exportadores terão problemas. O mercado interno, porém, terá condições de absorver a produção nacional de vários setores. Tenho certeza de que uma política para o mercado interno melhoraria a situação.

ASN - Os serviços podem ajudar o País a enfrentar a crise?

Paulo Lofreta - Os serviços estão atrelados à indústria e comércio, principalmente. Temos pedido atenção especial para o mercado interno de serviços para governo e instituições parceiras. Até para exportar é preciso contar com o setor de serviços bem-estruturado. O fato de duas indústrias de brinquedos chinesas terem quebrado e demitido 6 mil empregados, nas últimas semanas, deve gerar demanda para o mercado brasileiro. Vamos aproveitar as oportunidades criadas pela crise para crescer. Esta pode ser a oportunidade para o Brasil se destacar na economia mundial.

ASN - O País está preparado para essas eventuais oportunidades?


Paulo Lofreta - Nossa economia está pronta. Vamos aguardar ano que vem.
 

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