Mulheres na liderança
Pesquisa aponta que número de empreendedoras quase dobrou entre 2001 e 2009
A época em que ser chefe era coisa só de homem já se foi há um certo tempo. Desde a emancipação feminina, um número cada vez maior de mulheres tem assumido postos de liderança, dentro de casa e em grandes empresas.
Cautelosas, as mulheres evitam riscos na hora de investir e prezam, antes de tudo, pelo bem-estar dos filhos. É assim que elas, pouco a pouco, estão se destacando e provando que são capazes de ocupar espaços antes restritos aos homens. "A mulher passou a ser independente, chefe de família, acumulando tarefas profissionais e, em algumas situações, até exercendo o papel de mãe e pai simultaneamente", afirma Carlos Rosa, diretor da consultoria de treinamento Trilha do Sucesso.
De acordo com relatório realizado pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM), hoje, as mulheres representam 44% dos empreendedores iniciais e os homens, 56%. Para se ter uma ideia do crescimento, em 2001 elas representavam apenas 29%. Esses dados confirmam histórias como a da empresária Leiza Oliveira. Hoje ela tem uma rede de escolas de idiomas que emprega mais de 420 funcionários. Mas ela conta que "no início teve de derrubar barreiras e ser ousada, enfrentando um mercado onde pouca gente se aventura, devido à concorrência das franquias do setor".
Desafios
Se os desafios para um jovem empreendedor já são inúmeros, quando é uma mulher a tomar a iniciativa de abrir o próprio negócio, eles se multiplicam. A discriminação numa sociedade permeada por fortes resquícios de machismo é ainda muito presente. Por isso, a mulher, além de trabalhar pelo sucesso econômico do seu negócio, precisa se fazer respeitar enquanto profissional em um mercado ainda comandado por homens.
Para a psicóloga Márcia Rezende, especialista em Recursos Humanos, uma coisa é conseqüência da outra. "Para superar todos os desafios, é essencial ter um visão do seu empreendimento definida e de todos os desafios que compõem o negócio, acreditar em suas competências e estar aberta para aprender e vivenciar a experiência", afirma.
Diferencial
Apesar de as fronteiras entre "profissão de homem" e "profissão de mulher" estarem desaparecendo aos poucos, Márcia Rezende reconhece que ainda há trabalhos onde as mulheres são mais cobradas por resultados. "Um segmento mais feminino tem uma menor pressão, como setor de beleza, saúde, bem estar, alimentício e áreas que têm uma atuação mais feminina", afirma a psicóloga. No entanto, ela lembra que a feminilidade é um diferencial que ajuda muito na hora de gerir negócios. "A intuição feminina é valiosa, a sensibilidade, a comunicação suavizada, a percepção feminina que observa com uma ampla capacidade e a habilidade de fazer varias coisas ao mesmo tempo", enumera Rezende.
A CEO da DQS do Brasil e América do Sul, Dezée Mineiro , é ainda mais enfática. "Se eles (os homens) dessem um pouco mais de atenção à sensibilidade, talvez tivessem o mesmo êxito que nós no que as pessoas costumam chamar de 'sexto sentido'", afirma.
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