08 de maio de 2008, às 00h01min
Pequenas e médias empresas planejam sucessão
Algumas pequenas e médias empresas familiares, assim como as grandes corporações, também precisam se preocupar com a sucessão na hora de passar o comando.
Da percepção, surgiu uma decisão delicada. Junto com os três primos, que também trabalham no empreendimento, Davoli contratou uma consultoria para ajudar a planejar a sucessão familiar. "Queríamos garantir o futuro da empresa construída por nossos pais", diz ele. Há um ano, todos - pai, tio e primos - trabalham na criação do acordo de acionistas e do código de ética da empresa. O objetivo é manter a companhia funcionando no caso do desligamento repentino de um dos sócios.
"Enfrentar a sucessão pode fazer a diferença na continuidade e até no sucesso do negócio", afirma Eduardo Najjar, coordenador do Núcleo de Estudos de Empresas Familiares, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). No entanto, o professor acredita que a iniciativa dos Davoli se encaixa na exceção por dois motivos. Um deles é o fato de ser uma empresa de porte médio, menos familiarizada com o tema que as grandes corporações. Outro ponto que a diferencia da regra comum é a decisão de fazer o planejamento de sucessão "preventivamente" - e não após a saída ou falecimento de um dos sócios.
Planejamento
Um estudo recente feito pelo Núcleo com cem empresas familiares nacionais comprova isso. Segundo a pesquisa, em 55% delas a sucessão não está sendo planejada e apenas 19% mantêm programas para formação das novas gerações.
A preparação do sucedido, outro aspecto da sucessão, também é negligenciada. Em 86% das companhias pesquisadas, não há preocupação com o desenvolvimento de projetos de vida e carreira para o dirigente que deixará o comando da empresa. Segundo Najjar, muitos pequenos e médios empresários nem sabem que existe ajuda técnica para o planejamento. "Tem surgido várias consultorias nessa área, que oferecem bom custo-benefício. Falta apenas informação", afirma.
O trabalho desses profissionais geralmente inclui o aconselhamento do fundador, dos herdeiros e a criação de um conselho de administração. "O conselho evita brigas pelo comando entre os herdeiros, já que há espaço para até sete pessoas."
Sócio e fundador de uma distribuidora de livros, Francisco Disal procurou advogados e consultores para se preparar para deixar o controle da empresa, onde está há 20 anos. No momento, está formando o conselho de administração, que terá a participação de dois executivos de fora da companhia, além dele próprio. "Será uma nova fase, onde poderei colaborar com o negócio, mas também ter outros projetos de vida", diz o empresário de 60 anos.
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