16 de dezembro de 2009, às 00h09min

Preparar-se para não perder as oportunidades

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) acaba de divulgar estimativas excelentes para o ano que vem.

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Por Eduardo Pocetti, www.administradores.com.br
 
 
Além de dobrar a projeção relativa ao crescimento econômico global em 2010, o órgão assinala que as economias mais desenvolvidas saíram da faixa de risco recessivo no terceiro trimestre deste ano. A Alemanha, por exemplo, já ostenta um tímido crescimento positivo, o que representa um grande avanço quando se considera o cenário dos primeiros meses de 2009.

A OCDE também dá destaque à posição privilegiada do Brasil no atual contexto. De acordo com a Organização, o Brasil terá ‘crescimento robusto, em torno 4,5%, em 2010 e 2011’.

Trata-se de uma bela notícia de final de ano, que nos traz estímulo, ânimo e otimismo. Ao mesmo tempo, gera um bocado de ansiedade, pois chegou a hora de reativar projetos, incentivar a produção e investir fortemente na formação de mão-de-obra qualificada.

A OCDE destaca que os esforços de governos e bancos centrais foram essenciais para evitar a derrocada da economia. No entanto, faz um alerta: o momento de ajuda já passou, e os formuladores de políticas econômicas devem, agora, dedicar-se à criação de estratégias que permitam retirar as medidas de estímulo. O foco, de acordo com o órgão, deve ser a formulação de estratégias de médio prazo, baseadas em juros baixos até o final de 2010, uma vez que as pressões inflacionárias devem continuar baixar por mais algum tempo.

Nos EUA, polo irradiador da crise, a retirada do oxigênio por parte do Estado terá que acontecer com um cuidado ainda maior. Já no caso específico do Brasil, a OCDE recomenda que o governo brasileiro comece a reduzir seu plano de reativação orçamentária nos primeiros meses de 2010.

Enquanto isso, no meio empresarial, torna-se ainda mais urgente e necessário planejar os passos que serão determinantes para o sucesso (ou para o fracasso!) no período 2010-2011. Por um lado, existe consenso cada vez maior em torno da importância de se profissionalizar cada etapa; por outro, é comum que os empreendedores deem prioridade a uma determinada área em prejuízo de outras. Assim, privilegia-se a área de TI (tecnologia da informação) em detrimento de uma boa consultoria jurídica, essencial para prevenir problemas futuros, ou coloca-se foco demais na captação de clientes e deixa-se a fidelização (ou pós-venda) em segundo plano.

Como o futuro de uma empresa depende de inúmeros fatores, o super dimensionamento de uma área em detrimento de outra constitui uma falha de condução interna, que só pode ser corrigida se houver uma cuidadosa e bem conduzida política de revisão de processos. Por isso, em um momento tão delicado, em que os desafios mais sérios já foram vencidos mas as vitórias não foram plenamente consolidada, torna-se ainda mais fundamental não errar a rota, seja qual for o ramo de atuação.

Definir objetivos, planejar a implantação de mudanças e cercar-se de especialistas competentes são os pilares em que as empresas deverão se apoiar para poderem acompanhar o ritmo do Brasil, e, principalmente, para se tornarem co-autoras desse próspero futuro.

* Eduardo Pocetti é CEO da BDO no Brasil, quinta maior empresa nos segmentos de auditoria, tax e advisory.



 
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