07 de abril de 2008, às 00h03min

Queda de ações de bancos brasileiros está com dias contados, diz Morgan Stanley

"2008 deverá ser um ano de sólidos resultados aos bancos brasileiros, com elevação nas margens e a continuidade da robusta demanda por crédito". A frase sintetiza bem a visão do relatório do Morgan Stanley, divulgado nesta quinta-feira (3), sobre o setor financeiro brasileiro.

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Por Karin Sato, InfoMoney
 
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"2008 deverá ser um ano de sólidos resultados aos bancos brasileiros, com elevação nas margens e a continuidade da robusta demanda por crédito". A frase sintetiza bem a visão do relatório do Morgan Stanley, divulgado nesta quinta-feira (3), sobre o setor financeiro brasileiro.

De acordo com os analistas, a trajetória de desvalorização dos papéis das principais financeiras do país nos últimos pregões deve estar com seus dias contados. Isto porque os elementos que a sustentam não encontram respaldo e as ações, agora excessivamente penalizadas, devem voltar a ser procuradas pelo mercado.

A começar pelo diferencial dos bancos brasileiros frente a seus pares globais. Segundo o Morgan Stanley, os temores em torno da crise financeira internacional de certa forma vêm afetando o desempenho dos papéis por aqui. Contudo, a equipe destaca que, diferentemente do que ocorre no resto do mundo, o setor financeiro brasileiro vive um bom momento.

Para os analistas, enquanto as instituições financeiras estrangeiras sofrem com baixas contábeis e deterioração na qualidade de suas carteiras, os bancos no Brasil vêm aproveitando as declinantes taxas de inadimplência e a sólida expansão do crédito, que por sinal, deverá crescer entre 20% e 22% neste ano, abaixo de 2007 mas ainda assim um número extremamente favorável.

Aumento na Selic seria favorável
Outro elemento responsável pela penalização dos ativos do setor nas últimas sessões seria o clima de incertezas que ronda o rumo da taxa básica de juro do país. Embora concorde com o consenso do mercado de que uma elevação na taxa Selic seja altamente provável para este ano, o Morgan Stanley não vê grande impacto de tal cenário sobre os bancos.

Pelo contrário. "Desde que o aumento fique entre 100 e 200 pontos-base nos próximos 12 meses, acreditamos que o impacto seja positivo sobre a performance das instituições financeiras e, conseqüentemente, sobre seus papéis", afirmam os analistas do Morgan Stanley.

Na leitura do banco de investimentos, apenas um aperto monetário superior a 300 pontos-base pelo Banco Central seria suficiente para exercer pressão negativa sobre o setor. "Acreditamos que muito mais que um acréscimo de 200 pontos-base seja necessário para reduzir o apetite dos consumidores e a propensão das instituições de oferecer empréstimos".

Riscos regulatórios são desmentidos
Por fim, para a equipe do Morgan Stanley, a percepção de alguns investidores de que o governo vem tentando reduzir a lucratividade do setor bancário por meio da elevação de impostos e maiores regulações quanto à cobrança de tarifas se comporta como o terceiro fator negativo sobre o desempenho do setor no mercado acionário.

Percepção esta errada, na visão dos analistas do banco de investimentos, para quem a implementação de medidas regulatórias por parte do governo brasileiro visa, na verdade, elevar a eficiência do setor, e não reduzir a lucratividade dos bancos, como temido pelo mercado.

BB e Unibanco são mais atrativos
A visão otimista dos analistas do Morgan Stanley estende-se às ações das maiores instituições financeiras do país, ainda que em medidas distintas. A equipe reforçou sua recomendação de overweight - desempenho acima da média do mercado - aos papéis do Banco do Brasil (BBAS3) e Unibanco (UBBR11).

De acordo com o banco, tais ativos apresentam maiores descontos em relação aos papéis do Banco Itaú (ITAU4) e Bradesco (BBDC4), e por isso, oferecem oportunidades melhores de retorno. Contudo, a visão do Morgan Stanley às ações dos dois maiores bancos privados do país não deixa de ser positiva, e com isso, a recomendação é de equalweight - desempenho em linha com o do mercado.
 

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