Reciclagem monetária
No Pará, dinheiro antigo vira adubo.
O papel-moeda picado vale ouro quando se transforma em adubo orgânico. Em Belém, 11 toneladas de cédulas recicladas podem se transformar em 17 toneladas de compostos orgânicos, com finalidade sócio-ambiental. Esse lixo - impregnado de substâncias químicas e jogado nos aterros sanitários a céu aberto que agride seriamente o meio ambiente - pode agora percorrer outra trajetória graças a uma iniciativa do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central - Regional Belém. Já está em curso um projeto de utilização sustentável desse material encomendado pelo presidente do Sinal-Belém, José Flávio Silva Corrêa, ao engenheiro agrônomo e professor da Universidade Federal da Amazônia, Carlos Augusto Cordeiro Costa.
O adubo orgânico vai beneficiar 21 famílias - pequenos produtores do chamado cinturão verde do entorno de Belém. 'O adubo - o maior custo dessa produção agrícola -, é importante para essas comunidades. O nosso é muito mais barato, por se tratar de um composto orgânico', afirma o professor. No processo, entram 10% de cédulas. Os outros 90% são restos de hortifruti e de galhos, além de nitrogênio e de hidrogênio, para se garantir uma boa mistura. O resultado desse projeto será apresentado no Fórum Social Mundial de janeiro de 2009, em Belém. 'A mistura de resíduos do papel-moeda com os de flores, frutas, folhagens, árvores, chuchu e casca de banana vira adubo orgânico de boa qualidade em 45 dias', explica José Flávio, o maior incentivador do projeto.
Produção em larga escala
O presidente do Sinal paraense diz que esse procedimento pode ser adotado em todas as dez regionais do Banco Central no país, em particular na de São Paulo, onde todo dia uma tonelada de cédulas é micro-fragmentada e jogada em aterros sanitários. 'Estamos em condições de produzir adubo orgânico em larga escala', assegura. O projeto foi apresentado e discutido em videoconferência, com a participação de representantes do Sinal, do Governo do Estado do Pará e do Banco Central do Brasil, recebendo o sinal verde do diretor de Administração, Anthero Meirelles, para a sua implantação, com a parceria e patrocínio do Banco Central. Um galpão está sendo construído, ao lado da Ceasa, em Belém, para produzir o adubo.
No local, já há até gente trabalhando com horta e que pode ser beneficiada pela produção. O professor Carlos Costa garante que, o projeto, ainda em fase de ensaio, depende agora somente dos parceiros para virar realidade. Segundo ele, há três parceiros no projeto: o BC, responsável pela liberação de cédulas e qualificação de pessoal; o governo do Estado, por meio da Fapespa - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará; e a Universidade Rural da Amazônia. 'Os recursos necessários para a entrada em produção do adubo orgânico são de apenas R$ 100 mil. Eles serão divididos meio a meio, entre o BC e o governo do Pará', afirma.
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