19 de março de 2010, às 16h15min
Serra admite candidatura à Presidência da República
Em entrevista a um programa da TV Bandeirantes, o tucano, aniversariante do dia, deixou de lado as respostas evasivas que deu à imprensa nas últimas semanas.
Em entrevista a um programa da TV Bandeirantes, o tucano, aniversariante do dia, deixou de lado as respostas evasivas que deu à imprensa nas últimas semanas. "Não estou negando (a candidatura). Estou dizendo que neste momento não vou fazer campanha.Faltam poucos dias", afirmou. O governador disse que vai ajudar a organizar sua candidatura no início de abril.
A decisão de Serra abre caminho para o secretário do Desenvolvimento de SãoPaulo e ex-governador, Geraldo Alckmin, disputar o cargo nas eleições de outubro. Ele enfrentava resistência interna do secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, que deverá abrir mão da concorrência para integrar o núcleo da campanha presidencial tucana.
Alckmin lidera as pesquisas de intenção de voto para o governo. Nos últimos dias, a oposição no Estado apontava para indicar o senador petista AloizioMercadante, derrotado por Serra no primeiro turno em 2006, para enfrentar o ex-governador nas urnas.
Há quatro anos, Serra era prefeito de São Paulo e estava com dúvidas sobre se concorreria ao Palácio do Planalto, depois de perder a indicação do partido para Alckmin. No fim do prazo de desencompatibilização, o tucano deixou a prefeitura paulistana para Gilberto Kassab (DEM) e venceu Mercadante no primeiro turno.
Desde então, aparece nas pesquisas de intenção de voto como líder nas preferências para ocupar o cargo de Lula no Palácio do Planalto. Nas últimas semanas, no entanto, Dilma tem reduzido a desvantagem em relação a Serra, ministro do Planejamento e da Saúde no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Pesquisa Ibope divulgada nesta semana, apontou o tucano com 35% das intenções de voto contra 30% da petista.
Serra estava pressionado por aliados para admitir a candidatura, uma vez que o governador de Minas Gerais e também presidenciável, Aécio Neves, abriu mão de concorrer no fim do ano passado. Políticos do Democratas e do PPS, aliados do PSDB, atribuíram o avanço da ministra nas pesquisas à demora na definição do governador paulista.
Na quinta-feira, em evento no Rio de Janeiro, FHC defendeu que o PSDB deveria não deveria esperar José Serra assumir a candidatura para fazer propaganda. O presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), afirmou que o ato de lançamento da segunda tentativa de Serra de se eleger presidente será no dia 10 de abril, em Brasília.
Quatro anos atrás
Depois de uma desgastante disputa interna contra o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, Serra comemorou seu aniversário em 2006 no primeiro ato político ao lado do rival, dias antes ungido candidato à Presidência pelo PSDB.
Na ocasião, o então prefeito de São Paulo inaugurava obras da calha do rio Tietê em um ato que também lembrava o ex-governador Mario Covas. Os tucanos pressionavam na época para que ele admitisse candidatura para o governo do Estado, o que se confirmaria semanas depois.
Mas, seguindo estilo que parece ter passado longe desta sexta-feira, evitou responder e foi enigmático sobre sua presença na prefeitura - evocando uma música dos Beatles em referência aos 64 anos que completava. "Hoje eu chego a essa idade e pergunto à cidade: Will you still need me/Will you still feed me/When I'm sixty-four? (Você ainda precisará de mim/você ainda me alimentará/quando eu tiver sessenta e quatro anos?)" .
Alckmin acabou derrotado por Lula e, depois de amargar um período de ostracismo, voltou aos holofotes públicos graças a Serra, que o indicou Secretário de Desenvolvimento. Além de Dilma, o tucano pode ter como adversários o deputado Ciro Gomes (PSB), cuja candidatura depende de apoio na base aliada de Lula, e a senadora Marina Silva (PV).
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