07 de janeiro de 2009, às 16h14min

Telefonia responde por 45% das reclamações contra call centers

As empresas de telefonia responderam por 45,13% das reclamações registradas nos Procons de todo o país relativas ao atendimento nos SACs, no primeiro mês de novas regras de atendimento nos call centers.

Por Lorenna Rodrigues, Folha Online
 
No primeiro mês das novas regras de atendimento nos call centers, as empresas de telefonia responderam por 45,13% das reclamações registradas nos Procons de todo o país relativas ao atendimento nos SACs (Serviço de Atendimento ao Consumidor).

De acordo com dados do Ministério da Justiça obtidos pela Folha Online, as operadoras de telefonia celular registraram o maior número de reclamações, respondendo por 24,45% do total. As empresas de telefonia fixa ficaram em segundo lugar, com 20,68%.

"Telefonia é um grande vilão dos consumidores. O setor precisa dar uma resposta para o Brasil e para o consumidor. Se de um lado o investimento em tecnologia é grande, por outro, precisa dizer para a sociedade porque tem tanto problema", afirmou a diretora-substituta do DPDC (Departamento de Proteção e Defesa ao Consumidor), Juliana Pereira.

O setor de cartão de crédito foi o terceiro que mais recebeu reclamações, com 17,75%. O setor de bancos teve 7,15% das reclamações, transporte 4,03% e TV por assinatura 2,67%.

Para Juliana, o fato de o setor de telefonia ter muitos clientes não justifica o número de reclamações. Ela cita como exemplo o setor de bancos, que teve apenas 7,15% dos registros nos Procons.

"Justificar que tem muitos problemas porque tem muitos clientes não é desculpa. O ônus desse processo é da empresa, que está mostrando o desrespeito com a sociedade quando não cumpre um decreto que foi discutido um ano com a sociedade", disse.

Para Juliana, o fato de setores como financeiras (1,50%) e plano de saúde (2,02%) terem registrado poucas reclamações é positivo.

"Isso passa a mensagem de que é possível cumprir o decreto", afirmou.

Reclamações

Em dezembro, foram registradas 1.538 reclamações em dezembro nos Procons cadastrados no Sindec (Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor) que tem informações de 23 estados. O Procon de São Paulo não participa do sistema.

Para Juliana, os números registrados no Sindec servem como um indicador para políticas de defesa do consumidor. Ela diz que o número de clientes com dificuldades deve ser muito maior.

"Em cada um que procura o Procon, há centenas que não procuram. Os dados são um indicador", afirmou.

Segundo Juliana, o DPDC e o Procon já estão tomando providências para punir as empresas infratoras. Em dezembro, foram notificadas 18 empresas por descumprimento das regras do decreto.

Acesso

Do total de reclamações, 41,61% foi em relação a dificuldades de acesso ao serviço. Segundo Juliana, isso inclui reclamações relacionadas à cobrança da ligação, problemas no menu e ligações não atendidas. Outros 25,03% se referem a problemas para cancelar o serviço. 20,81% dos clientes que procuraram os Procons reclamaram da qualidade do atendimento o que inclui a espera de mais de um minuto para falar com os atendentes. 10,6% reclamaram da não resolução de demandas pelos atendentes.

Em todos os segmentos, a principal reclamação dos consumidores é com relação às dificuldades de acesso ao call-center. No caso de transportes aéreos e terrestre, as reclamações sobre a onerosidade da ligação, complicação do menu e outras dificuldades desse tipo chegaram a 67,74% do total.

Na telefonia celular, o acesso ao serviço respondeu por 37,77%. Cancelamento do serviço respondeu por 24,73% do total e a qualidade do atendimento a 26,06%.

Na telefonia fixa, 38,68% dos consumidores reclamaram do acesso, 25,79% das dificuldades de cancelamento e 22,96% da qualidade do atendimento.

 
http://www.administradores.com.br/informe-se/informativo/telefonia-responde-por-45-das-reclamacoes-contra-call-centers/19992/