O poder no mundo político-corporativo - Parte 1

Trata do cruel combate pela conquista do poder nas corporações.

Flavio Tomé

O texto trata do cruel combate corpo a corpo pelo poder. Não contém exemplos éticos ou justos como gostaríamos, mas apenas mostra a realidade. Conhecer o outro lado da moeda, que não é muito comentado, acresce conhecimentos que podem nos proteger de dias ruins.

Basicamente o mundo do poder se compõe de três participantes: Ø Os que comandam impositivamente – Líderes personalistas impositivos. Ø Os que cumprem tarefas – Líderes que cumprem missões e compartilham o comando. Ø Os que obedecem.

Líderes personalistas impositivos em busca de poder, podem ser encontrados em todos os campos de atividades, e o jogo do poder para eles faz parte da própria existência.

Ninguém é poderoso por si só, o poder emana daquilo que estiver sob domínio do poderoso, e só enquanto estiver sob domínio dele! Cancele o registro da autoridade, tire a coroa do rei, deponha o ditador, despeça o líder, termine com o mandato do político, embargue o patrimônio do milionário, e o poder acaba. Portanto, destrua o que dá poder a quem comanda e ele ficará fragilizado. Utilizar como pressão, forças sobrenaturais, econômicas, ideológicas, políticas, entre tantas outras são ferramentas corriqueiras para quem quer exercer domínio sobre alguém ou algum grupo. Todos nós estamos submetidos a algum tipo de poder, desde o disputado com a nossa cara metade, até àqueles que têm poder para fiscalizar nossa obediência aos códigos comportamentais e legais.

O poder é conquistado com treino e concentração. Quem o pratica procura obter domínio sobre tudo o que for possível para manter e para ampliar o poder de mando. O jogo do poder está disponível para quem quiser aceitar participar de um vale tudo sem regras, onde a disputa passa longe das boas práticas de convivência. Buscadores de poder são obstinados e não aceitam obstáculos. O sucesso neste jogo pode impulsionar saldos bancários e fazer o jogador influente junto à sociedade, mas, os de alma gentil não passarão dos primeiros movimentos por mais que se esforcem.

Quem estiver decidido participar do jogo, para começar, deve incorporar o espírito do gladiador romano! Para alguém ganhar, óbvio, alguém terá que perder. Portanto, o primeiro movimento é acabar com qualquer atenção dedicada a qualquer um, livrando-se de todos para dedicar-se a si próprio. Afinal quem quer poder sabe que veio ao mundo apenas para fazer deste, um mundo melhor... Para ele mesmo! Nessa trilha, possuir algumas das qualidades dos psicopatas ajuda. Se não tiver nascido com elas terá que treiná-las. Boa lábia e ego inflado contam pontos. Criar histórias envolventes também. Fingir como um ator ou atriz serve para desestabilizar os contrários que desejam testar os conhecimentos e conceitos do jogador. Para bloquear esses seres abomináveis e ameaçadores, é válido interpretar irritação, jogar objetos no chão ou reclamar falando com objetos inanimados, o que seja para demonstrar o descontentamento com o detestável inimigo que está fazendo o jogador perder tempo. Ser impulsivo como os loucos, ou alienado como os ricos, pode evitar questionamentos, mas, se for pego de calças arriadas, e não tiver resposta para aquele chato perguntador que resolveu tumultuar a sua reunião, vale até encenar um desmaio, porém lembre-se de antes de cair por as mãos apertando o peito! Se o chato tentar despertá-lo você ainda terá a dor no peito para justificar n

ão continuar sendo questionado.

Quem busca poder não permite que alguém escolha o momento para decidir. Para postergar uma decisão, podem mostrar fé no horoscopista, quiromante ou cartomante. - “Meu horoscopista leu meu mapa astral e disse que durante os próximos 10 dias eu não devo assinar nada. Portanto, vamos remarcar...” Qual argumento combate a fé inabalável no sobrenatural? Esse truque funciona desde que o jogador não incorpore definitivamente as crenças fingidas e se mostre um desequilibrado. O melhor campo de preparo e aperfeiçoamento no dia a dia é a vida em comum no casamento. O poder entre os casais é disputado durante as 24 horas do dia utilizando sutilezas, pressões psicológicas e outras forças inimagináveis. Aí se descobre quem manda e quem pensa que manda, e em quê. É um ótimo treino continuado.

Passar com um trator por cima dos nobres sentimentos de alguém, não é motivo para ficar chateado. Quem tem poder entende que este alguém que terá seus sentimentos esmagados estará servindo a uma causa maior, que é a de permitir que ele atinja sua meta. Com certeza, acredita que sabendo disso o tratorado vai se sentir bem em ter sido útil.

Adquirir poder exige estratégia. Ele tem de ser conquistado como um general, defendido como a mãe defende as crias, mantido e expandido como o pastor religioso conquista crentes e, se manter vigilante como um guarda-costas. Um simples descuido e ele pode se voltar contra você! Lembro um ditador, que incentivou o aumento da população pensando em aumentar seu poder. Quando a população tornou-se adulta descobriu que não havia emprego para todos, se revoltaram e botaram fogo no ditador.

Poderosos são treinados para triturar quem achar que não tem o bom senso de concordar com eles. Para comandar é essencial manter os subalternos sob constante vigilância e pressão. Comandados têm de saber que o comandante é o braço armado do Criador, e que está ali para punir os desobedientes. Detentores de poder utilizam uma fórmula mágica que consiste em 3 frases que bem ditas fazem qualquer pagão inconformado entender sua mísera posição: “Quem manda aqui sou eu! Você, obedece! Se eu precisar da sua opinião pergunto!”. Qualquer vivente deve ser alertado que se atravessar o caminho do buscador, vai preferir ser pisoteado por um bando de búfalos em disparada.

Quem tem poder sabe estimular as iniciativas da sua turma, desde que sejam aquelas que ele queira. Fingir que compartilha as ideias do grupo serve para quando houver necessidade de mostrar que o caminho é diferente de aquele que eles acreditaram ser o correto, tenham uma desculpa para explicar para os outros porque mudaram de rumo. A manipulação constante é ferramentas de bolso dos poderosos. Saber extrair o máximo das pessoas usando pressão psicológica, falsos incentivos, ou qualquer outro tipo de instrumento faz parte das regras não escritas.

Barba ou cavanhaque, bem cuidados e aparados, é vistos pelos que têm poder como um detalhe que transmite fraqueza e impressiona apenas as pessoas mais simples. Entendem que o barbudo procura esconder papadas, o lábio superior ou a falta de queixo. Mas, para quem quiser manter estes acessórios recomenda-se um tipo de barba que transmita força e agressividade, tal como, as dos combatentes do Estado islâmico ou a dos moradores de rua na Cracolândia. Nesse caso não devem aparar e nem deixar o pente chegar perto dos pelos. Acrescente olhos arregalados e os comandados o temerão mais ainda, entretanto, pode ser que assuste quem manda mais que você, e o chefe, por medo, pode resolver deletá-lo do caminho dele. Esquecer quem manda mais é como estar na mira de uma zarabatana carregada com dardos envenenados, arma mortalmente silenciosa que não dá

balística.

Pessoas caladas adquirem reputação de inteligentes, ponderadas e de confiança. O buscador de poder domina o silêncio transmitindo aparência de pessoa controlada, isso serve se até mesmo ele simplesmente não souber, e nem tiver o que dizer. A impassividade silenciosa e alerta, dá a impressão de experiência sólida, e se estiver usando paletó e gravata, também de conservador. Saber usar o silêncio para comandar é um truque muito eficiente. Outro ponto importante é o de sentar com as duas solas dos pés apoiadas no chão. Essa postura transfere uma imagem de pessoa confiável e segura. Balançar os pés, nunca! Esse movimento destruiria tudo o que você construiu até aquele momento.

O poder produz a necessidade de ser apreciado. Por isso é comum que poderosos mantenham um séquito de bajuladores por perto, para aplaudi-lo. Em troca, estão sempre preparados para conceder um pouco de poder e prestígio para seus seguidores. Fica muito mais barato do que dar aumento salarial.

Dizer “não”, sem falar a palavra, é muito importante, porque o seu “não” não ficará registrado no inconsciente do interlocutor. E você ainda pode dizer que nunca disse “não”. Concordar ou discordar apenas com gestos gentis de cabeça vale muito também. Dezenas de movimentos de cabeça concordando, acompanhado de sorrisos, pode ser transformado em um sonoro e surpreendente “não” no final. A alma sorri quando olham a cara dos que foram enganados pelo gestual. Se tinham dúvida, agora sabem quem manda. Movimentos faciais e gestuais, balançando a cabeça de um lado para outro, olhando para baixo ou para cima suspirando profundamente, entre centenas de outros gestos, podem dar as respostas que as pessoas desejam, e que não significam nada, é um bom disfarce, que permite surpreender a plateia deixando tudo ao contrário do que era esperado.

Poderosos aguentam situações inesperadas e não reagem como um paranoico diante de qualquer ameaça real ou imaginária. O mundo é um lugar desordenado e perigoso. Ameaças fazem parte dele. Querer ordenar o mundo apenas causa desgaste. Entretanto, aproveitar a desorganização é produtivo. Onde houver desorganização haverá oportunidades de domínio. O poderoso, apesar da aparência extrovertida, é um solitário que tende a se esconder dentro de si mesmo, acredita que se nada é certo tudo é possível, o que o motiva a lutar sem descanso. Não espera que gostem dele apenas que obedeçam ao seu comando! A dúvida: Comandar ou obedecer é uma escolha pessoal?

Nota: A parte 2 trata dos temas:

1. Identificando o poder no espaço físico no trabalho

2. Como os poderosos se comportam nas reuniões sociais

3. A importância do domínio da informação

4. O poder do blefador

Para críticas e sugestões: tome@cnda.org.br - Flavio Tomé

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