Downsizing: boas intenções versus resultados

Repensar o tamanho ideal do Estado poderá produzir economias suficientes para eliminar o déficit fiscal federal dentro de poucos anos. Porém, o resultado principal será uma mudança na abordagem básica, porque enquanto os responsáveis pela política classificam os programas e atividades e acordo com suas boas intenções, e não necessariamente de acordo com os resultados

Cláudio Márcio Araújo da Gama

Em conjunto, é provável que de três quintos a dois terços dos programas e atividades de qualquer organização sejam reprovados. Os casos difíceis são os programas e atividades que são improdutivos ou contraproducentes sem que se saiba bem o que está errado e menos ainda como corrigi-lo.


Dois grandes e altamente elogiados programas do governo americano estão nesta categoria. O programa de bem-estar social é um exemplo visível. Quando foi concebido, no final dos anos trinta, ele funcionava muito bem. Mas as necessidades que ele então supria eram diferentes daquelas que deveria suprir hoje: mães solteiras, crianças sem pai, pessoas sem educação, aptidões ou experiência de trabalho. O fato de ele ajudar ou atrapalhar é alvo de acalorados debates, mas poucos afirmam que ele funciona ou mesmo alivia os males sociais que deveria curar. E há também o esteio da política externa americana durante os anos da Guerra Fris: a ajuda militar. Se for prestada a um aliado que está empenhado numa luta,pode ser muito produtiva: considere o acordo de Empréstimo e Arrendamento á Grã-Bretanha nos anos de mil novecentos e querenta e mil novecentos e querenta e um e a ajuda militar a Israel. Mas esta ajuda é contraproducente se for dada em tempo de paz para criar um aliado – uma proposição de Plutarco e Suetonius já aceitavam como comprovada há quatro mil anos. Certamente, as piores confusões recentes em política externa – Panamá, Irã, Iraque e Somália são bons exemplos – foram causadas pelo fato de os Estados unidos prestar ajuda militar para criar aliados. Pouca ou nenhuma ajuda militar prestada desde o início da Guerra Fria produziu de fato um aliado. Na realidade, ela costuma produzir inimigos, como no caso da ajuda militar soviética ao Afeganistão.


A prescrição favorita para esses programas e atividades é de reformá-los. A proposta de reforma do programa de bem-estar social do presidente Bill Clinton é um exemplo, assim como a reforma proposta pela nova maioria republicana. Ambas são charlatanices. Reformar uma coisa que funciona mal sem saber o porquê somente poderá piorar. Omelhor a fazer com tais programas é aboli-los.


Talvez seja necessário efetura poucos experimentos controlados. Por exempolo, o bem-estar social seria possível tentar, em lugares cuidadosamente escolhidos do país, privatizar o retreinamento (ou reabilitação profissional) e a colocação dos beneficiários mais antigos do programa. Stephen Goldsmith obteve, quando prefeito de Indianápolis, resultados promissores nesta área. Em serviços de saúde, seria possível tentar várias abordagens em diferentes Estados: por exemplo, concorrência administrada na Califórnia, local de atuação do forte e experimentado atacadista de serviços de saúde, Kaiser Permanente; um sistema de pagador único, baseado no modelo canadense, em Nova Jersey, onde tem havido o apoio ao sistema, no oregon racionalizar com base nas expectativas médicas, como está sendo feito para se cuidar de indigentes.


Mas nas áreas em que não há sucessos a serem testados – como, na ajuda militar - , não deve-se sequer experimentar. Não há hipóteses para testar. Deve-se abandonar.


O repensar irá produzir uma lista tendo, no topo, os programas e atividades que devem ser fortalecidos e abandonados no final e, entre eles, os que precisam ser focalizados ou nos quais certas hipóteses poderão ser testadas. Alguns deles poderão, a despeito da ausência de resultados verificáveis, receber um período de graça de alguns anos antes de serem reformulados. O programa de bem-estar social pode ser um bom exemplo.


O repensar não está primordialmente preocupado com cortes de despesas. Acima de tudo, ele conduz a grandes melhorias de desempenho, qualidade e atendimento. Grandes economias em custos – em alguns casos, até de quarenta por cento do total – sempre surgem como subproduto. O repensar poderá produzir economias suficientes para eliminar o déficit fiscal federal dentro de poucos anos. Porém, o resultado principal será uma mudança na abordagem básica, porque enquanto os responsáveis pela política classificam os programas e atividades e acordo com suas boas intenções, o repensar os classifica de acordo com os resutados. Outras informações sobre o tema podem ser obtidas no livro Administrando em tempos de grandes mundanças de autoria de Peter F. Drucker.

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