Fluxo de Informação

Igor Czermainski
A velocidade com que as transformações culturais, políticas e econômicas acontecem no contexto atual é muito maior do que aquela que enfrentávamos anteriormente. As mudanças sociais ocorrem com tal constância e violência que nos fazem ter a impressão que, de uma hora para outra, nada sabemos. Sim, temos uma nova aplicação para a máxima socrática, mas, dessa vez, o “só sei que nada sei” é resultado de um fenômeno chamado informacionalismo, que nos leva a uma temida Era da Informação – ou, como alguns preferem, Era do Conhecimento. O papel do administrador nessa novíssima realidade de diferentes relações de trabalho e de gestão também passa por transformações duras. O informacionalismo, uma definição do sociólogo espanhol Manuel Castells , é um conceito que abrange a formação de redes de informação e a nossa dependência do fluxo informacional que é criado por elas. Mas é, fundamentalmente, a definição de certa cultura do efêmero e da estratégia pessoal, em detrimento das regras das sociedades. Castells traz, em sua trilogia “A Era da Informação”, a oposição dialética entre a Rede e o Ser. A revolução tecnológica norte-americana acontecida nos anos 70, e o desenvolvimento das tecnologias NT, da década de 90, impulsionaram a criação das chamadas redes, que são tratadas por Castells como “estruturas abertas capazes de expandir de forma ilimitada, integrando novos nós desde que consigam comunicar-se dentro da rede, ou seja, desde que compartilhem os mesmos códigos de comunicação (por exemplo, valores objetivos de desempenho)”. A grande questão está na relação dos controladores dessas redes com o poder. Quem detém o poder, mesmo que temporariamente, como deveria ser o caso da mídia, ganha, nessa nova realidade, uma influência enorme em decisões de caráter político. As redes permitem uma descentralização do trabalho, mas requerem instrumentos avançados da economia capitalista, como a capacidade de inovação. O peso sobre o trabalhador é, agora, muito maior, já que virtudes como adaptabilidade, flexibilidade e comunicação em grupo são cada vez mais relevantes. Companheiros de trabalho podem ser unidos apenas pelo fato de pertenceram a uma mesma comunidade virtual, e realizam um trabalho efêmero e temporário. Grandes organizações, que costumavam empregar de maneira definitiva, agora procuram profissionais temporários. A jornada de trabalho, antes fixa e inalterável, passa a ser flexível e sempre ampliável. Até mesmo as remunerações passaram a depender de análises de desempenho de caráter imediato. Resta, ao administrador, tentar fazer com que ele e seus companheiros não percam a noção de identidade, o que pode levar qualquer organização ao colapso pela desmotivação e pela conseqüente perda do capital humano. O caminho para a eficiência no mundo frenético de competitividade passa pela Gestão do Conhecimento, com a identificação de virtudes e expertises em meio ao grupo de colegas em uma determinada organização. Além disso, precisa-se mesclar estabilidade com mudanças, na dose certa, a fim de promover as idéias que possam surgir no ambiente multidisciplinar, colocando em prática um dos conceitos mais importantes da inteligência empresarial. Referências Bibliográficas: 1. Castells, Manuel. A era da informação : economia, sociedade e cultura. 5. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2001. 3 v. 2. Robbins, Stephen P.. Comportamento organizacional. 9. ed. São Paulo: Pearson Education, 2005. xvii, 637. 3. Knowledge Management. Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/Knowledge_management Acesso em: 13 mai. 2006. 4. VIEIRA, Anna da Soledade. Conhecimento como recurso estratégico empresarial. In: SEMINÁRIO DE INTEGRAÇÃO DE REDES DA REGIÃO NORTE, Manaus, 1993 s.l.: s.n. , 1993.