Quem manda? Os jovens.

Algumas mudanças no mercado nos últimos anos foram baseadas em comportamentos dos mais jovens. Quem entendeu essa mudança e o poder de influência desse consumidor cresceu, quem não entendeu agora corre atrás.

Lucas Salvalaggio da Silva

Se a máxima de San Walton sobre quem manda na empresa serem os clientes
está certa, então quem manda nas empresas como consumidores hoje são os
jovens. Já parou e olhou à sua volta e percebeu como cada mudança no
mercado é para atender uma necessidade de um público em especial, poderia
falar que é a geração X, mas como não quero rotular vou chamá-los apenas de
jovens, e nessa classe eu incluo pessoas de até 35 anos aproximadamente
(não que quem é mais velho que isso seja necessariamente velho).
Há tempos a Coca-Cola busca um substituto para o açúcar, já tentou a versão
de seu famoso refrigerante com zero açúcar, mais recentemente tentou algo
parecido com a Stevia, fato é que nenhum composto agradou tanto seus
clientes como a versão original de seu produto. Mas a empresa sabe que os
consumidores querem cada vez mais produtos saudáveis, e quem puxa essa
turma? Sim, os jovens. Cada vez mais influenciados por um estilo de vida que
vêem e seguem em redes sociais de pessoas famosas e influenciadores
digitais. É tão importante a situação que a Coca-Cola lançou um desafio para
pesquisadores e cientistas, ou quem quer se seja, encontrar um substituto à
altura do açúcar e oferece 1 milhão de dólares para o felizardo. Parece muito,
mas em se tratando da resolução de um problemão desses para a empresa é
mixaria.
Junto com os jovens, chegaram também a necessidade de ver aquilo que eu
quiser no momento em que eu quiser, chega daquela velha história de sentar à
frente da televisão as 9h da noite para ver minha novela preferida, isso é coisa
da minha avó, o que eu quero hoje é assistir meu conteúdo na hora em que eu
bem entender e na plataforma que eu quiser, basta ver o crescimento
monstruoso do YouTube e Netflix nos últimos anos, e quem foi que carregou
esse crescimento nas costas? Sim, os jovens. Basta ver como velhas empresas
do mercado de entretenimento estão tentando atrair os jovens com seus
conteúdos, lançando plataformas digitais de seus conteúdos como o Globo
Play, a versão da Globo para tentar combater o fenômeno Netflix. Um olhar um
pouco mais crítico verá que as séries produzidas no Brasil estão cada vez mais
se assemelhando àquilo que é produzido pelos americanos, como Supermax e
Dupla Identidade, ambas produzidas pela Globo que buscam uma origem em
séries americanas, com mais ação, menos romance bobo, e coisas
acontecendo mais rápido, como esse telespectador gosta, não que os
exemplos que eu citei sejam de fato um sucesso, mas já é uma tentativa da
empresa atender à esse público, que tem como característica também ser
criterioso.
Isso tem reflexos também na educação, apenas uma olhada rápida no
YouTube em canais que possuem o maior número de seguidores e já podemos
tirar algumas conclusões. Vou citar apenas um exemplo e que já serve para

uma reflexão de como não nos adaptamos para a chegada desse novo tipo de
“consumidor”, o Canal Nostalgia capitaneado por Felipe Castanhari tem como
principal atração o fato de relembrar algumas coisas que fizeram sucesso no
passado, mas também conta um pouco de história, inclusive a história
contemporânea com alguns pitacos sobre política e terrorismo. Recentemente
o canal postou um vídeo sobre os motivos das brigas e conseqüentemente
mortes sobre protestos de pessoas a favor e contra a supremacia branca e
nazistas nos Estados Unidos, um assunto que parece chato e que nunca os
jovens irão consumir, fato é que 9 dias após a postagem o vídeo conta com
quase 1 milhão e meio de visualizações, mostrando que sim os jovens estão
querendo consumir esse tipo de notícia, apenas ainda não se encontraram nos
velhos jornais que as televisões exibem.
Recentemente a revista Época mostrou um estudo de como as empresas estão
esquecendo a geração X e focando seu marketing nos Millenials, cometendo
um erro grave tendo em vista que os fatos mostrados acima nos dizem o
quanto os jovens, e a Geração X têm mandado no mercado, e ditando cada
vez mais o seu ritmo.

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